24 julho, 2014

Salários em Portugal estão adequados à baixa produtividade dos trabalhadores

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Dois estudos apontam Portugal como sendo um país com mão de obra muito pouco produtiva, sendo que na administração pública, o caso é ainda mais grave. 
A situação é de tal forma preocupante e óbvia, que os investidores estrangeiros afirmam mesmo que os salários baixos em Portugal, são relativos, pois quando comparados com a produtividade, até não são nada baixos! 

"Vender" Portugal lá fora
Qual o problema? Apenas 8% das empresas germânicas consideram Portugal atrativo como localização de investimento, conclui o estudo da Roland Berger. Apesar da crise económica, cerca de metade das empresas que já têm negócios no país pensava manter o seu nível de investimento e mais de 30% consideravam mesmo aumentá-lo em 2014-2015. Uma dicotomia que não se restringe às firmas alemãs. Segundo o "Portuguese Atractiveness Survey", da consultora EY (antiga Ernst & Young), em 2013, apenas 22% dos 200 líderes empresariais ouvidos planeavam estabelecer ou expandir operações em Portugal no horizonte de um ano. Mas, quando foram questionadas apenas as empresas já com operações no país (metade da amostra), 95% indicaram pretender manter a sua atividade num horizonte de 10 anos. Um valor muito acima da média da europeia (84%).

Quem já está no país valoriza mais
"A perceção sobre a atratividade de Portugal é significativamente melhor por parte de quem já tem atividades no nosso país", conclui a EY. Até porque "há um grande desconhecimento de muitos investidores estrangeiros que ainda não estão cá, sobre a realidade portuguesa", alerta António Vitorino, sócio fundador da sociedade de advogados Macedo Vitorino & Associados.
Uma constatação que levou a sociedade a elaborar o estudo "The case for investing in Portugal", apresentando factos concretos a partir da análise de relatórios internacionais. "Em muitos indicadores estamos melhor do que a média europeia e do que concorrentes diretos pela captação de investimento, como Espanha ou os países da Europa de Leste", salienta António Vitorino(...)

Semelhanças de língua e cultura com economias emergentes, diversidade e qualidade da mão de obra, estabilidade do ambiente de negócios e capacidade de investigação e de inovação foram os fatores de atratividade lusa mais apontados pelos líderes empresariais inquiridos pela EY. Jaime Esteves, sócio da consultora PwC, aponta outros pontos fortes: "Excelentes infraestruturas, uma mão de obra flexível e com muitas competências e oferecemos tudo isso a um custo muito acessível". Características que apontam para oportunidades na captação de projetos de serviços qualificados e de investigação & desenvolvimento, já que "os salários médios dos trabalhadores qualificados são inferiores à média europeia", nota o estudo da EY.

Salários não são problema
Portugal deve continuar a desenvolver a educação e as qualificações, aconselham os líderes empresariais ouvidos pela EY sobre como pode o país melhorar a sua atratividade. E tem de reduzir carga fiscal. A reforma do IRC pode dar, aqui, resposta. Mas, "é preciso mostrar resultados rapidamente", alerta Luís Florindo. Apoiar as indústrias de alta tecnologia e a inovação, aumentar os incentivos para o investimento direto estrangeiro e facilitar o acesso ao crédito são os outros pontos mais referidos. Já a redução dos custos com a mão de obra, que esteve no centro das preocupações da troika, é "um não tema para os investidores, que consideram que está adequado à produtividade dos trabalhadores", nota Luís Florindo. Jaime Esteves remata com dois conselhos aos governantes: apostar na estabilidade e previsibilidade das políticas públicas e atacar os licenciamentos. Obstáculos que, se forem derrubados, terão grande impacto na atração de IDE, considera.  Sónia M. Lourenço

AS CONCLUSÕES DA CATÓLICA:
Mudar a mentalidade para aumentar a produtividade
A captação de investimento direto estrangeiro foi o alvo de mais uma investigação dos alunos da Católica.
Centraram-se em dois países e duas indústrias - a indústria marítima na Noruega e a automóvel na Alemanha - e identificaram fatores de atração e os maiores entraves ao investimento estrangeiro.
Com base em entrevistas e inquéritos a empresas, câmaras de comércio e associações industriais e sectoriais, estatísticas e teses de mestrado, os alunos concluem que, ao nível dos recursos humanos, Portugal apresenta "alta percentagem de portugueses com formação superior (26ª posição no mundo, de acordo com o World Economic Forum)" e uma "elevada qualidade dos profissionais de engenharia", que estão a ser recrutados por empresas norueguesas.
Ainda assim, há pontos fracos a apontar aos recursos humanos portugueses: "Falta de mão de obra qualificada, a relativa vantagem com baixo custo salarial que desaparece com a reduzida produtividade do trabalho, e a legislação laboral que é vista como entrave ao desenvolvimento dos negócios".

Aumento da produtividade
Para atrair mais IDE, faz falta também, um aumento de produtividade. Aqui, é preciso uma "alteração de mentalidade no sentido do brio profissional, da promoção de eficiência, da diminuição de tempos mortos, da melhoria da qualidade; da promoção do mérito; do exemplo das chefias; da coragem em encerrar situações de ineficiência e do reconhecimento público dessa coragem". É igualmente relevante "reformular e flexibilizar a legislação laboral", seguindo padrões europeus de legislação laboral.
Ao nível das infraestruturas, "os entrevistados salientam a excelente integração de estruturas em torno de Lisboa", bem como as "características únicas do Porto de Sines". Ao mesmo tempo, porém, destacam "o mau aproveitamento do Porto de Sines e a falta de ligação ferroviária de mercadorias". A investigação sugere, assim, uma racionalização dos investimentos públicos em infraestruturas de transportes e a potencialização do Porto de Sines e ligação Sines-Madrid para mercadorias.

Reforma do Estado
Em termos da infraestrutura administrativa, as conclusões dos alunos da Católica notam uma "eficiência baixíssima da administração pública (116º no ranking mundial do World  Economic Forum 2014), a inexistência de consequências visíveis de amplo e exaustivo debate sobre a reforma do Estado (recorrentemente se critica que o "Estado Português nada mais faz do que cobrar impostos")".
A este nível, para atrair mais captação de investimento direto estrangeiro (IDE), é preciso uma "redefinição do papel do Estado como veículo de apoio à economia, e não como mecanismo de condução da economia; uma verdadeira e ampla reforma do Estado, dando o exemplo na promoção de eficiência e na qualidade de serviço". Mas também é necessário "continuar, reforçar e dar visibilidade a esforços de desburocratização e e-government", bem como a estabilização do enquadramento tributário e de políticas económicas e fiscais.
No que diz respeito à infraestrutura energética, a análise revela também que os entrevistados receiam a tendência para o aumento de preços com fortes impactos na totalidade dos custos operacionais em Portugal. "Tornar custos energéticos mais competitivos internacionalmente e evitar aumentos de preços na fatura energética", são as recomendações da investigação.

Apostar no Brasil e África
Culturalmente, as conclusões apontam para diferenças entre Portugal, a Alemanha e a Noruega: "Tanto os noruegueses como os alemães têm muita dificuldade em lidar com fornecedores nacionais, que utilizam estratégias de negociação, começando por posicionar preços em patamares mais elevados para posteriormente negociarem os valores até chegarem a números consistentes com a realidade dos mercados. Esta situação que ocorre fundamentalmente de questões culturais gera desconfiança e incerteza nos parceiros destes países".
Por isso, sugerem os alunos, há que apostar na proximidade cultural ao Brasil e a África, "o que faz de Portugal uma ponte ou mesmo uma porta de entrada para esses mercados". Mas também na formação e na capacitação de empresários nacionais para "cross-cultural management" e na aproximação a padrões europeus, bem como no melhor esclarecimento sobre as condições dos mercados internacionais. Margarida Fiúza

INDÚSTRIA MARÍTIMA
A indústria marítima (construção, manutenção e reparação de embarcações) é pouco relevante para a economia portuguesa (representava 0,13% do PIB em 2011), sendo que existem cerca de duzentas empresas a operar em Portugal, cinco das quais com capacidade para competir a nível global (a LISNAVE é reconhecida como uma empresa de referência)
Tendências na indústria marítima a nível global: aumento da dimensão média dos navios a produzir; crescimento da frota mundial (cerca de 20% até 2020); e elevados níveis de exigência no que respeita a inspeções de navios, o que tem levado as grandes empresas de transporte marítimo a substituir os seus navios
Estas tendências abrem excelentes janelas de oportunidade ao nível dos subsectores de reparação e de manutenção que Portugal pode aproveitar. Está muito próximo das mais importantes rotas internacionais e é o país europeu mais próximo do Panamá.

INDÚSTRIA AUTOMÓVEL
A indústria automóvel tem um peso significativo na economia portuguesa (mais de 4% no PIB e mais de 9% nas exportações nacionais)
Existem cerca de 30 empresas alemãs (fabricantes de automóveis e componentes) em Portugal
Com base numa amostra de 161 operações de investimento alemão em Portugal (entre 1996 e 2013), conclui-se que os projetos feitos de raiz têm maior impacto na economia do que a aquisição de projetos existentes
O IDE alemão (feito sobretudo por grande empresas alemãs e cotadas em Bolsa) prefere realizar novos projetos em sectores com mais I&D, maior crescimento e onde a presença de empresas alemãs já está mais consolidada.  Ler mais: 

EM PORTUGAL TUDO ESTÁ DO AVESSO
  1. Investir na promoção da eficiência, promoção do mérito e no exemplo das chefias, video
  2. Mentalidade e produtividade
  3. A baixa produtividade tem várias causas
  4. 11 milhões para funcionários públicos fantasmas
  5. O exemplo vem de cima
  6. CP premeia a incompetência 
  7. Águas de Portugal premeia incompetentes
  8. Governo alberga boys sem fim 
  9. Os tachos e a mentalidade da cunha
  10. Este país não é para competentes, Rui Reis, um caso real.
  11. Promovido Vitor Bento, após 8 anos de licença sem vencimento?
  12. Público versus privado
Claro que não há produtividade, estes também contam para a estatística
  1. Empresas municipais
  2. Outros organismos com 4560 parasitas de luxo 
  3. As fundações que a TROIKA mandou encerrar, mas ... 
  4. Parasitas de Porche 
  5. Sorvedouro imparável na Madeira... 
  6. A RTP
  7. Os institutos parasitas 
  8. Os observatórios 
  9. Os diplomatas
  10. No SNS, veja o video no final do artigo e a lista da improdutividade
  11. Mais de mil baixas médicas por dia em 2013.



1 comentário :

  1. BASTAVA O POVO SABER COMO SE VOTA CONTRA OS PARTIDOS CORRUPTOS E PORTUGAL SERIA LIMPO DA CORRUPÇÃO. VOTEM EM PARTIDOS SEM ASSENTO PARLAMENTAR SÓ ISSO TEM VALOR E PUNE OS PARTIDOS CORRUPTOS. Nos paises menos corruptos do mundo a democracia funciona porque as pessoas sabem votar e usam o voto, 90% votam... aqui só temos eleitores ignorantes por isso quem não funciona são os eleitores
    A abstenção afinal obtém um resultado contrário, ao que pretendem os abstencionistas
    Por isso, o que me chateia na vossa abstenção é a falta de colaboração num trabalho importante. Não é uma questão de direitos ou deveres cívicos em abstracto. O problema é concreto. Temos uma tarefa difícil, da qual depende o nosso futuro, e vocês ficam encostados sem fazer nada.
    Isto tem consequências graves para a democracia. Quando a maioria não quer saber das propostas dos partidos, está-se nas tintas para o desempenho dos candidatos e nem se importa se cumprem os programas ou não, o melhor que os partidos podem fazer para conquistar votos é dar espectáculo. Insultarem-se para aparecerem mais tempo na televisão ou porem o Marinho Pinto como cabeça de lista, por exemplo. Vocês dizem que se abstêm porque a política é uma palhaçada mas a política é uma palhaçada porque vocês não votam.
    A culpa é vossa porque não é preciso muita gente votar em palhaços para os palhaços ganharem. Basta que a maioria não vote. Também é por vossa culpa que os extremistas estão a ganhar terreno, e pela mesma razão. É fácil pôr os fanáticos a votar. Basta abanar o pano da cor certa e, se mais ninguém vota, eles ficam na maioria. Mas se vocês colaborassem e se dessem ao trabalho de avaliar as propostas dos partidos, se os responsabilizassem pelas promessas que fazem e votassem de acordo com o que acham ser a melhor solução, deixava de haver palhaços, interesseiros e imbecis na política.

    ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2015/10/percebam-que-abstencao-afinal-obtem-um.html#ixzz4b1OdNPET

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