18 julho, 2014

Um sistema que produz mais de 1 milhão de pobres por ano, interessa a quem?



O presidente da Rede Europeia Anti Pobreza (REAP), padre Agostinho Jardim, diz que a crise gerou um grupo de novos pobres - pessoas da classe média que foram afectados pelo desemprego.
“Conheço alguns casais formados que vivem com 100 euros por mês, comem massa com massa, de manhã à noite, e têm vergonha de pedir. Ou, então são as famílias ou vizinhos que lhes vão em socorro”, conta Agostinho Jardim à Renascença.
O presidente da REAP sublinha o facto de, muitas vezes, os casos da chamada "pobreza envergonhada" não constarem dos números oficiais.
No dia mundial para a Erradicação da Pobreza, o padre Agostinho Jardim aconselha o Governo a rever as políticas de combate à pobreza, sugerindo que as medidas que se encontrem não contribuam para a humilhação dos mais pobres, muitos deles a viverem verdadeiros estados de desespero.

Sistema de governação continua a gerar pobres
2014 – A Rede Europeia Anti Pobreza em Portugal diz que a existência de 2 milhões de portugueses em situação precária no país “é uma chamada de atenção” para que as políticas que têm sido seguidas nos últimos anos “possam ser alteradas”.
Em entrevista concedida hoje à Agência ECCLESIA, o presidente daquele organismo, padre Agostinho Moreira, sublinha a necessidade de mudar um “sistema de governação que continua a produzir muitos pobres”, antes que esta situação se torne “galopante”.
Para o sacerdote, “é necessária uma estratégia que envolva as entidades públicas e privadas” e o estabelecimento de “parcerias, particularmente com as redes sociais locais, com as autarquias”, que permitam responder às “causas da pobreza”, que são de natureza “estrutural“.

“Tem a ver com a gestão e a economia nacional, que gera estas assimetrias enormes e tira às pessoas o acesso a oportunidades básicas da saúde, do ensino e até da habitação”, exemplifica aquele responsável.
Um inquérito publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre as Condições de Vida e Rendimento dos portugueses, divulgado esta segunda-feira, permitiu identificar 1.961.122 casos de pessoas atualmente no limiar da pobreza, quase 19% da população do país.
A situação agravou-se nos últimos 9 anos, atingindo principalmente os desempregados, as famílias com filhos a cargo e os jovens menores de 18 anos.
Com recurso a uma lista de itens, que compreendia as mais diversas necessidades básicas, o INE apurou que o número de pessoas em dificuldades para aceder a uma refeição ou para pagar renda de casa aumentou entre 2012 e 2013.

Ficou a saber ainda que a percentagem de pessoas em situação de privação material severa subiu de um ano para o outro de 8,6 para 10,9 por cento.

A Rede Europeia Anti Pobreza em Portugal publicou recentemente um manifesto intitulado “Para erradicar a pobreza e a exclusão social ─ marcos de uma estratégia inadiável”.
Através desse documento, que já foi assinado por diversas figuras e instituições da sociedade portuguesa, como Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz ou a Cáritas Portuguesa, o organismo pretende “pôr em marcha um processo participado de análise e agregação de ideias e posteriormente chegar a um consenso sobre uma Estratégia nacional de Erradicação da Pobreza e da Exclusão Social em Portugal”.
Em causa está “sensibilizar os vários partidos para que comecem a pensar no bem comum e vejam como se pode defender uma democracia onde a dignidade da pessoa esteja em primeiro lugar”.
Neste momento, “a dignidade das pessoas não está a constar muito nos programas políticos e partidários”, elas estão postas “de lado”, conclui o padre Agostinho Moreira. JCP
  1. AS DESIGUALDADES SOCIAIS LESAM TODOS E NÃO APENAS OS POBRES
  2. AS CIFRAS NEGRAS DE PORTUGAL
  3. A forma como o capitalismo desenfreado destrói a economia e a sociedade.
  4. As politicas fiscais que não ajudam
  5. Escravos da divida
  6. A fome que se alastra, testemunhos
  7. A pobreza afecta sobretudo crianças




5 comentários :

  1. Os pobres interessam aos ricos.
    Sem pobres, analfabetos e miseráveis não podem existir ricos, estes não teriam quem lhes lambesse os pés e, muito menos pessoas para espezinhar e usar da forma mais bizarra que entendessem.

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    1. Voltamos à política de Salazar/Caetano. Esta protegia os ricos em detrimento dos pobres. Para estes não havia protecção social: na saúde e educação. Predominava o analfabetismo.Fomentava-se o elitismo. Os sanatórios substituíam os Liceus. Inexistia liberdade - estava amordaçada. Tínhamos uma polícia repressiva. Porém, não ROUBAVAM, como fazem os políticos em democracia. É certo que se construiu um Estado Ditatorial. Em democracia pode haver liberdade, mas há discriminação socil, fome e devassa da vida privada dos cidadãos. Os democratas de Abril, paulatinamente, edificaram um Estado Confisco e a Autoridade Tributária é a NOVA PIDE.

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    2. Os pobres só têm interesse para que os ricos possam ficar mais ricos.

      Ao anonimo das 22:30:
      Existe um preconceito muito grande em relação ao Estado Novo, criado pelos criminosos que nos levaram até onde estamos hoje. E como você próprio conclui, não roubavam como agora.

      Para mim, vivemos num Planeta Capitalista. O que não permite que exista Democracia. Capitalismo é no mais básico o sistema da pirâmide. Quem está no topo vai sempre ganhar mais que todos os outros, e consequentemente vai sempre ter mais poder de decisão que os outros.
      No entanto em Democracia são todos a participar na decisão e ganha a maioria. Por isso é que nesta e nas outras ditaduras à volta do globo, se manipula as eleições por intermédio de maiorias absolutas e outros truques, levando os povos a pensar que têm realmente poder de decisão.

      No nosso caso, desde 1976 até hoje, no máximo, só 29% dos portugueses escolheram o destino de todos.
      A nossa realidade é tão má que não existem partidos de oposição, a sua única oposição é a perderem o tacho ou tentar aumentá-lo. Ninguém defende o bem da maioria ou do Estado.

      Para finalizar, Ditadura é a melhor forma de uma nação no contexto actual que é o Capitalismo, progredir, só não pode é ser uma ditadura de má-fé como esta, antes a do Salazar.
      E porquê? Pela simples razão, que quando se tem um povo analfabeto, que decisões podemos esperar que tomem para o beneficio de todos?
      Primeiro criam-se as infraestruturas, para que as gerações futuras possam deixar de ser analfabetos. E quando atingirmos esse nível, naturalmente, a própria nação opera a Revolução. Não essa coisa violenta que uns por interesse e outros por ignorância chamam de revolução.

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  2. Como é que é? Ganhar dinheiro com a miséria alheia? Então senhor padre? Não lhe ensinaram na empresa onde trabalha que o segredo é a alma do negocio?

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  3. Só para recordar

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