Portugal é o país que tem a maior diferença entre salários da função pública e do sector privado, fora as outras regalias

Afinal que igualdade finge proteger o Tribunal de Contas?
O que se expõe em baixo são factos, agradece-se coerência nos comentários, eu não tenho culpa de os factos, o serem.
SERVIÇO PÚBLICO: São todos iguais mas há uns mais iguais do que outros.
O Tribunal Constitucional, depois de ter gasto «muito dinheiro a comprar livros de economia por causa dos pedidos de fiscalização relacionados com a crise», e de ter ouvido atentamente os seus 16 assessores (três para o presidente, dois para o vice-presidente e um assessor por cada um dos outros 11 juízes), declarou inconstitucionais os «cortes entre 2,5% e 12% nos vencimentos da função pública a partir dos 675 euros brutos, de 5% nos subsídios de doença, de 6% no subsídio de desemprego e ainda cortes nas pensões de sobrevivência».

Concentremo-nos nos vencimentos dos funcionários públicos cujos cortes os juízes em causa própria consideraram inconstitucionais por ofenderem o «princípio da igualdade». Igualdade? Qual igualdade?
Em primeiro lugar, a desigualdade salarial entre os sectores público e privado em Portugal é a mais elevada na UE, como se pode confirmar no gráfico seguinte extraído do occasional paper da Comissão Europeia «Government wages and labour market outcomes» (pg 16) publicado o mês passado, sobre o qual o jornalismo de causas guardou o mais recatado silêncio.

Diferença entre o salário no público e no privado, em percentagem. 
privado versus função pública

Funcionários Públicos ganham melhor porque possuem maior grau académico? - A lengalenga que justifica essa desigualdade com base na suposta muito melhor qualificação e grau académico dos funcionários públicos é uma lenda que perdeu a validade há anos – actualmente dos 1,1 milhões de licenciados na população activa em 2013 (Pordata) haverá menos de 20% na função pública.
A lenda fica definitivamente arrumada com a conclusão do paper citado: além do prémio salarial que a função pública dá ao pessoal menos qualificado na maioria dos países, Portugal é um dos países que também oferece prémios aos que possuem níveis de ensino elevado. «where also workers with high education level receive a premium from working in the public sector». (pg 18 e 19)
Em segundo lugar, apesar dos cortes salariais dos últimos anos terem afectado mais acentuadamente a função pública (gráfico do lado esquerdo), o certo é que os custos laborais unitários na função pública recuperaram o nível de 2008 ao contrário do sector privado que caiu cerca de 7% (gráfico do lado direito), segundo a Eleventh review do FMI.



Além disso, a grande redução (cerca de 14%) deu-se nos sectores de bens transaccionáveis da economia muito mais do que nos sectores de bens não transaccionáveis protegidos da concorrência internacional, como se confirma no gráfico seguinte, que ao mostrar a evolução comparativa dos custos laborais desfaz igualmente outro mito – o mito da colossal perda salarial em Portugal, na verdade claramente inferior à da Espanha e Irlanda.



Em conclusão, o TC confirmou o seu papel de garante dos direitos adquiridos e de perpetuador de desigualdades iníquas baseadas no «princípio da igualdade». Fonte
Num país onde os poucos que dizem a verdade são considerados loucos e insultados, que se poderá esperar da politica, num país assim? Mentirosos?
Acho que já todos sabemos a resposta, e muitos sentem-na na pele, e no estômago. No entanto é sempre difícil analisar verdades, quando elas afectam o maior clube, a maior "empresa" empregadora de Portugal, o estado. Ai de quem se atreva a denunciar as regalias que são só deles. São uma classe muito unida em defesa do seu interesse exclusivo. São perto de 600 mil que se erguem em defesa de um estatuto, quem ousa enfrentar este batalhão? Atacam tudo e todos. Mesmo que seja um simples citar de factos, eles negam, insultam... e enervam-se imenso. 
A verdade não se constrói em torno das maiorias, a FP pode ser uma maioria da força laboral, mas não pode ter o poder de mudar a verdade. 
Todos concordamos que se deve cortar em muitos outros focos de despesismo e injustiça, tais como as PPP, os resgates da banca, as rendas da EDP, as mordomias de certas elites, a corrupção, etc etc... mas não é por isso ser um facto, que temos que esquecer outros focos de despesismo e injustiça.

Medina Carreira afirmou, que se o Tribunal Constitucional desaparecesse, Portugal ficava bem melhor. E a afirmação que pode ser uma verdade, nem é questionada, cai que nem uma bomba e o clube FP, cai em força, em cima de Medina. As verdades caem sempre muito mal neste país. Medina Carreira é que é burro, ignorante e etc. Os que o criticam é que são donos de uma sabedoria imensa, que defendem e promovem as desigualdades entre o público e o privado, mesmo sem saberem... mesmo pagando caro por isso, porque pura e simplesmente desconhecem os factos.
Enquanto o povo continuar enganado, ajudará a que o interesse do país continue a ser um brinquedo nas mãos da imprensa aos serviço dos partidos, vitima de guerras que não são nossas. Eles, políticos, brincam com o futuro de todos nós, nas suas guerras pelo poder. Escondem factos e manipulam a verdade, porque o importante é ver quem mente melhor e ganha os nossos votos. Não importa salvaguardar ou melhorar o país, mesmo em situação frágil, continua a brincar-se com milhares de milhões de impostos.
Atenção, este artigo não pretende afirmar que Passos Coelho está a ser justo, pois é óbvio que deveriam ser feitos cortes em outros sectores, como as PPP, as rendas, as gorduras do estado, etc, mas não é isso que está a ser discutido neste artigo.
É também óbvio que os salários em Portugal são uma vergonhosa esmola, mas também não é isso que se está a questionar aqui.
Aqui pretende-se apenas expor a estranha incoerência do TC. 
(Se quiserem ler sobre as estranhas incoerências do Passos Coelho, utilizem o motor de busca do blog, ali em cima à direita, e pesquisem.)
O assunto é outro. 
Acrescento também que não se pretende apelar à nivelação salarial por baixo, opina-se apenas sobre se existe ou não algo para nivelar. Se alguém consegue nivelar por cima, força, tem o meu apoio.
E não, isto não é por os privados contra o público, é por os portugueses a lutar pela igualdade. As desigualdades é que colocam uns contra os outros, porque (in)felizmente não são todos cegos.
E ninguém quer atacar os FP. Apenas reflectir e opinar. Não negando o óbvio.

Se não foi em defesa da igualdade que o TC chumbou esta medida, então qual será o interesse obscuro que se oculta neste chumbo? Servir quem?
Mais alguns factos e opiniões, sobre o público e privado. (2011)
O meu ponto de partida é simples: desde que estalou a crise, em 2008, os grandes sacrificados têm sido os trabalhadores do sector privado. Não se trata de virar uns contra outros, trata-se de reconhecer a verdade. Basta olhar para o número de desempregados, que saltou de 425 mil para perto de 700 mil. A quase totalidade destes 275 mil novos desempregados trabalhava no sector privado. Haverá alguns antigos professores contratados e ex-tarefeiros da administração pública, mas que representam uma quota ínfima deste total.
Estes números podiam ser ainda piores se muitos trabalhadores do sector privado não tivessem optado (ou sido obrigados a optar) pela passagem antecipada à reforma: entre 2008 e 2010 a idade média de passagem à reforma no regime geral da Segurança Social diminui de 63,1 para 62,5 anos (apesar de uma reforma que penalizou as reformas antecipadas). No mesmo período a idade média de passagem à reforma dos trabalhadores da administração pública subiu de 59,7 para 60,1 anos (números da Pordata).
Em tempos de crise o ajuste mais violento é sempre o que é feito via desemprego – e estes números não deixam grandes dúvidas sobre onde tem caído o maior peso da aflição nacional.
Não costuma discutir-se que o emprego no Estado é mais seguro e que proporciona melhores condições no acesso à reforma (os funcionários públicos reformam-se mais cedo e com pensões mais altas – apenas 10% do total dos pensionistas recebe mais de 1000 euros por mês, mas essa percentagem sobe para quase 50% entre os reformados do Estado, números da Pordata). Nestes domínios a sua vantagem é evidente. fonte

Ainda compensa trabalhar para o Estado?
Na função pública não há despedimentos?
Quem trabalha para o Estado pode reformar-se mais cedo?
Os funcionários públicos têm mais férias?
O sistema de saúde é melhor?
Neste artigo encontre as respostas a estas questões.

Porque a questão central não é "por que razão o governo cortou direitos aos funcionários públicos?". Nada disso. A pergunta certa é outra, a saber: "por que razão os funcionários públicos acumularam durante décadas estes privilégios?". Essa é que é a questão. Aliás, é por isso que a equivalência entre V. Exa. e trabalhador privado só peca por tardia.
Por que razão o cálculo da pensão da sua CGA era mais generoso do que o cálculo da pensão do regime geral? Porquê? Esta discrepância logo à partida é que é razão para indignação, meu caro amigo. Por que razão trabalha V. Exa. menos 5 horas semanais do que os trabalhadores dos sectores privados? Pior: além de trabalhar menos horas, ainda tem direito a mais dias de férias. Porquê? Que razões podem justificar estes privilégios injustificáveis? Que aritmética laboral pode justificar esta diferença entre V. Exa. e a restante população? Que equidade pode existir aqui? E, já agora, a falta de equidade vai continuar a marcar a ADSE. Mesmo com o aumento da sua contribuição, aposto que a ADSE continuará a ser deficitária, ou seja, V. Exa. continuará a usufruir de um seguro de saúde pago pelo dinheiro de todos. Cá fora, as pessoas pagam os seus seguros de saúde na totalidade, mas o meu caro amigo teve durante décadas um seguro de saúde financiado pelos impostos de toda a gente. E, apesar das mexidas, o dito seguro continua de pé. Porquê? fonte

E como se não bastasse ganharem mais, quase nada ou muito pouco produzem, e ainda trabalham menos 5 horas semanais, que todos os restantes, que têm que se esfalfar a trabalhar, para pagar os impostos, que os sustentam.

Os funcionários da administração pública ganharam, em média, 1686 euros em Julho. É uma subida de 1,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior, resultante do efeito da reversão total dos cortes salariais e do aumento do subsídio de refeição. E são mais 500 euros do que a remuneração média do sector privado, que atingiu, no final do ano passado, perto dos 1150 euros mensais. A diferença explica-se essencialmente pelo facto de as qualificações e a antiguidade serem mais elevadas no Estado.

A função pública registava no final de Setembro deste ano um total de 661 429 postos de trabalho, segundo indica a Síntese Estatística do Emprego Público (SIEP) ontem divulgada. Deste total, cerca de 52% têm um nível de escolaridade de ensino superior. Este valor sobe para os 100% nas carreiras da magistratura, entre os médicos, diplomas, pessoal de investigação científica, conservadores, notários, docentes e educadores de infância e técnicos superiores de saúde. Para João Cerejeira, professor na Universidade do Minho e investigador na área laboral, este elevado nível de qualificações, somado ao facto de apenas o Estado ter determinado tipo de carreiras (como a dos magistrados ou diplomatas ), explicam a diferença salarial entre público e privado.

Mas não só. O facto de no sector público não haver tanta diferenciação salarial em função do género também contribui para esta situação. Outro contributo vem da função pública tender a ter uma média etária mais elevada. Mas médias são médias e uma análise mais detalhada permite perceber que, por regra, para o mesmo tipo de qualificações, o sector privado paga melhor do que o Estado. João Cerejeira dá o exemplo dos informáticos, cujo ganho médio mensal (incluindo suplementos e subsídios a que haja lugar) está balizado nos 1900 euros brutos no Estado, sendo este um valor manifestamente inferior ao que se pratica no privado. E o mesmo se passa com os dirigentes superiores, cujo ganho mensal médio de 4900 euros está bastante abaixo da média salarial dos gestores de empresas privadas. Além disso, os dados também mostram que no privado é mais fácil dar saltos remuneratórios.   Em Espanha, os funcionários públicos têm um salário mensal que supera em cerca de mil euros a média do setor privado. Neste caso os valores são de, respetivamente, 2623 e 1694 euros. Emprego público aumenta Os 661 429 postos de trabalho registados na função pública no final do terceiro trimestre deste ano traduzem uma subida homóloga de 0,8% (mais 5259 trabalhadores). Esta é já a nona subida trimestral homóloga consecutiva, explicada pelo facto de ter havido necessidade de aliviar o aperto nas admissões – que durante o período de ajustamento superou largamente as metas definidas – e por ter diminuído de forma significativa no Estado o número de saídas para a aposentação. Na evolução trimestral, o número de trabalhadores da administração pública diminuiu 6909, o que se deve em grande parte ao fim dos contratos dos professores, associado ao fim do ano lectivo.

E agora até já temos um orçamento eleitoralista num país dominado por Funcionários Públicos, isto é, num País Dominado por Dependentes de um Estado cada vez Mais Gordo e Ineficiente. O Consumidor em geral é penalizado e são sobretudo penalizadas as empresas e a iniciativa privada, que são os verdadeiros criadores de riqueza. Estão portanto a serem reunidas as condições para uma Nova Bancarrota e um Novo Resgate do País a breve trecho.

Greve da Função Pública?  O absentismo é grande. 45.000 funcionários de Baixa Fraudulenta, segundo notícias dos jornais, milhares de funcionários que estão ao serviço da CGTP. Têm emprego certo, não têm ordenados em atraso, não estão inscritos no desemprego e o zé povinho continua a alimentar esta corja.

É engraçado alguém que diz lutar pela melhoria dos serviços dos utentes e deixam os utentes pendurados porque querem regalias, já os deveres há muito estão esquecidos, dizem ser velhos para trabalhar aos 60 mas depois é vê-los em dezenas de actividades como se tivessem 20 anos.   


6 comentários:

  1. Eu não sou "Anónimo". Há funcionários públicos a pedir para declarar apenas o salario mínimo, tal como os grandes patrões, amealhando dinheiro de uma economia paralela. Há muitos funcionários públicos que gostavam de trabalhar em empresas privadas que mamam à custa do Estado milhões de euros por ano. Há muitos funcionários públicos que gostavam de separar a contabilidade dos seus salários da dos políticos, DEPUTADOS, SECRETARIOS DE ESTADO, ADJUNTOS de tudo e mais alguma coisa, ACESSORES da puta que os pariu, BOYS, GESTORES, CHEFIAS e já chega, porque em MEDIA, os funcionarios públicos ganham mais, mas a média de duas pessoas em que uma come um frango inteiro, é de meio frango para cada uma. Os funcionarios públicos NÂO são funcionários POLITICOS e essas estatisticas reles, de gente burra só serve para esconder o sol com uma peneira. PS: Para sua informação, a ADSE que o senhor tanto apregoa, só para que saiba, custa a cada funcionário público, o DOBRO do que custaria qualquer seguro de saúde privado. Se a ADSE tem prejuízo é porque é roubada por POLITICOS curruptos tal como a segurança social. O meu amigo/a antes de mandar postas de pescada para a lareira deveria primeiro certificar-se de que a lareira está acesa, senão a pescada apodrece e cheira mal.

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  2. Gostava apenas de salientar um aspecto essencial para percebermos que a diferença salarial tem que existir... Não sou FP...
    O recrutamento exige o cumprimento de regras mais apertadas (se forem violadas é crime)... No privado entra quem o patrão quer....... Isto tem que se pagar... Supostamente este é o método mais justo, pelo menos em teoria!
    Depois o que temos que ver é até onde vão as diferenças! Estas tem que ter aderência ao desempenho da função! Onus! penosidade! etc..

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  3. O voto branco e nulo, tem poder?
    As mentiras são muitas, são estratégias sujas para manter as vitimas longe do tribunal onde os seus carrascos estão a ser julgados, e poderiam ser condenados: as urnas.
    "É de respeitar a posição de quem prefere não optar, mas o voto branco não funciona para quem quer tomar posição na luta social e política.
    Uma impressionante cadeia de emails anónimos tem divulgado uma mentira.
    Um apelo ao voto branco "contra estes políticos" garantia que, "se a maioria da votação for de votos em branco, são obrigados a anular as eleições e fazer novas, mas com outras pessoas diferentes nas listas".

    Tanto circulou a mentira, que a Comissão Nacional de Eleições teve de lançar um esclarecimento sobre a lei: "Os votos em branco e os votos nulos não têm influência no apuramento dos resultados - será sempre eleito, à primeira ou segunda volta, o candidato que tiver mais de metade dos votos expressos, qualquer que seja o número de votos brancos ou nulos." A abstenção nem é digna de referencia pois todos sabem que a esta tem diversas causas, e portanto não pode ser uniformizada. Não se pode apurar que o abstencionista quer isto ou aquilo, porque na realidade o abstencionista apenas não quis ou não pode votar, porquê? Apenas se pode especular.

    Os votos brancos e nulos já atingiram percentagens importantes. Somados, em eleições presidenciais anteriores, chegaram a 2% a 3%, ultrapassando mesmo alguns candidatos. Cabe perguntar: quem o recorda? Quem se incomodou? Quem vibrou e quem tremeu? Os votos brancos e nulos são uma má opção de protesto, desde logo porque podem não ser protesto nenhum. São apenas uma expressão vazia, onde cabe o apelo autoritário, a hesitação radical (que não se decide a tempo), a desilusão do momento. É de respeitar quem prefere não optar, mas o voto branco não funciona para quem quer tomar posição na luta social e política. Jorge Costa, Jornalista

    ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/11/o-poder-do-voto-voto-em-branco-e-nulo.html#ixzz4YE29VO6z

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  4. TEMOS OS POLITICOS QUE MERECEMOS SOMOS NÓS QUE OS MOLDAMOS
    UM POVO QUE NÃO VOTA NEM SABE USAR O VOTO JAMAIS SERÁ REPRESENTADO, TEMIDO OU SEQUER RESPEITADO E JAMAIS SABOREARÁ AS VANTAGENS DA DEMOCRACIA...
    Em Portugal vence sempre a abstenção e a ignorância e os corruptos.
    O povo não sabe que o voto não serve apenas para votar a favor dos que mais se apoiam, serve também para votar contra os que mais roubam e mentem.
    O critério decisivo da democracia é a possibilidade de votar contra os partidos que há 40 anos destroem o país
    Karl Popper, sobre democracia, responsabilidade e liberdade.
    (…)
    Inicialmente, em Atenas, a democracia foi uma tentativa de não deixar chegar ao poder déspotas, ditadores, tiranos. Esse aspecto é essencial. Não se tratava, pois, de poder popular, mas de controlo popular. O critério decisivo da democracia é – e já era assim em Atenas – a possibilidade de votar contra pessoas, e não a possibilidade de votar a favor de pessoas.
    Foi o que se fez em Atenas com o ostracismo. (…)
    Desde o início que o problema da democracia foi o de encontrar uma via que não permitisse a
    ninguém tornar-se demasiado poderoso. E esse continua a ser o problema da democracia. (…)

    ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2015/09/o-criterio-decisivo-da-democracia-e.html#ixzz3qcV7Aoi8

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  5. Parabéns à Zita por este artigo, pois este é o tipo de artigo que apesar de denunciar as enormes injustiças existentes neste país entre o sector público e o privado, vai suscitar a reacção corporativa potencial de algumas das centenas de milhares de funcionários públicos, que até são capazes de condenar a injustiça e a corrupção quando se trata dos políticos, mas que tentam fazer de conta que ela não existe quando se trata de si mesmos.
    A reacção corporativa das classes profissionais é uma das razões para as injustiças se perpetuarem em Portugal, pois apenas defendem os seus interesses e não os do país, ou seja, os interesses de todos os portugueses.

    Um dos argumentos que os sindicatos e as corporações invocam para manter estas injustiças são o que chamam de "direitos adquiridos" e como tal não podem ser retirados.
    Na realidade estes direitos são privilégios adquiridos durante décadas para beneficiar uma minoria em prejuízo de todos os outros portugueses. É criada uma divisão entre portugueses de 1ª e de 2ª, entre os que têm direito a privilégios e os que não têm.
    Eu tenho uma teoria para explicar a razão deste estado de coisas e que passo a enunciar. Quando os políticos chegam ao poder, seja o poder central ou regional, o principal objectivo é roubar o máximo possível. Uma parte do roubo é feita legalmente criando leis que atribuem salários, subsídios, complementos e toda uma série de mordomias a si mesmos. Outra parte é feita ilegalmente através da corrupção entre políticos e empresas, com o pagamento de luvas para este últimos conseguirem contratos públicos, atribuição de cargos públicos aos familiares e amigos ao atropelo das leis, através de cunhas, etc.
    Para que este roubo (legal ou ilegal) seja mais discreto convém que aqueles que estão mais próximos da "acção", ou seja, os funcionários públicos, "fechem" os olhos ao roubo e não o denunciem, e por isso também lhes sejam distribuídos alguns privilégios.
    E estes privilégios são tanto maiores quanto maior for a sua posição hierárquica, pois maior é o conhecimento do roubo (legal ou ilegal) e mais próximos estão familiarmente ou politicamente dos políticos. Assim, os chefes de secção, subdirectores, directores, têm gradativamente privilégios superiores aos funcionários públicos no fundo da pirâmide, pois têm uma importância maior para os políticos.

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  6. Aos funcionários públicos eu pergunto:
    Existe alguma razão para existir um subsistema de saúde, a ADSE? Se o SNS é mau - e de facto é - é preciso é melhorá-lo para o bem de todos os portugueses e não criar um clube de privilegiados.
    Existe alguma razão para trabalharem 35h por semana quando no privado são 40h por semana? Se o país não produz riqueza suficiente para existirem 35h no privado também não podem existir no público.
    Existe alguma razão para terem direito a mais dias de férias? Mesma justificação anterior.
    Existe alguma razão para que o cálculo da pensão seja mais generoso do que o do regime geral? Se as pensões são baixas (e são miseráveis para muitos portugueses) têm de ser aumentadas para todos e não apenas para o mesmo clube de privilegiados.

    A Segurança Social é muito deficitária em grande parte devido ao peso das pensões do sector público e o mesmo se passa com a ADSE, portanto os funcionários públicos estão a beneficiar de privilégios que depois têm de ser pagos por todos, mas apenas uma minoria beneficia deles.
    Claro que importa separar os privilégios dos “soldados rasos” e os das chefias, pois estes últimos têm muitos mais privilégios e as médias estatísticas podem dar uma imagem errada dos dados, mas não podem negar os dados objectivos de que existe uma injustiça inaceitável entre o sector público e o privado.
    E se os funcionários públicos tiverem a honestidade de reconhecer esta injustiça então sabem que só existe um de dois caminhos possíveis: atribuir os mesmos privilégios ao sector privado ou retirá-los ao sector público.
    Eu até seria defensor da primeira opção, mas a questão fundamental é responder se é possível os funcionários no privado passarem a trabalhar 35h/semana, terem mais dias de férias, terem pensões maiores, terem ADSE, e alguns outros subsídios e benesses?
    A maioria dos patrões vai dizer que não, pois iam á falência.
    Ora bem, no sector público os patrões dos funcionários públicos, que são os políticos, disseram que sim durante décadas e levaram o país á falência. E depois todos os portugueses tiveram de pagar o resgate e foram prejudicados duas vezes: primeiro ao não receberem esses privilégios e depois ao terem de pagar os privilégios dos outros.
    Para mudar positivamente Portugal é preciso acabar com todas as injustiças e toda a corrupção, e esta injustiça entre o sector público e o privado é uma delas.

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