07 junho, 2014

JUVENTUDE PERDIDA - A IMORALIDADE E AMORALIDADE DA JUVENTUDE ACADÉMICA


Encontrei o artigo que se segue, por recomendação de um leitor do blog, e decidi partilhar.
Aborda um assunto que muitos evitam falar.
Mas a falta de valores e a degradação que envolve o meio académico e o ensino em Portugal, tem que ser motivo de reflexão.
A ignorância de um povo é a melhor arma dos corruptos. Contribuir ou alhear-se da degradação que cria gerações amorais, é ajudar a manter o sistema e a saga de Portugal.
Portugal precisa de pessoas informadas, com valores, com espírito cívico e altruístas, que lutem pelo bem comum, e as escolas e universidades devem contribuir para incutir esses valores, não para o oposto.
Em Portugal, o ensino, a saúde e outras instituições seculares, estão em auto gestão. Os desgovernos andam demasiado ocupados nos seus jogos de corrupção. Não há planos, nem estratégias a curto ou a longo prazo, não há estudos nem fiscalização, não há propostas de novas metodologias ou novas regras... é o abandono total. Todos os governos se preocupam em extorquir dinheiro ao estado, fazer favores aos grandes grupos económicos e assim garantir o seu futuro pessoal. O resto que se vá degradando, quem se importa? Neste artigo, o caos gerado pela ausência de gestão, no ensino.

Muitos desconhecem a imoralidade e amoralidade, que prolifera e se promove nas universidades, e mesmo nas escolas, portuguesas.
Para quando uma legislação com regras mais apertadas e objectivos cívicos e sociais mais definidos? Para quando a promoção de eventos e projectos, que incutam também valores aos estudantes, em vez de eventos de libertinagem e promiscuidade, que não deveriam ser misturados com o ambiente académico? Querem festas de droga, álcool e sexo, façam-no fora do âmbito e do território académico. Querem rituais de sadomasoquismo e brincar às tribos e seitas? Façam-no fora do ambiente académico e não usando o poder e as universidades para forçar/persuadir estudantes a participar.
A Semana académica não pode ser sinónimo de drogas, álcool, irresponsabilidades e afins, tem que ser algo mais que isso.
As universidades e associações de estudantes que sejam incentivadas a realizar mais eventos, projectos e acções, úteis à sociedade.
A degradação não pode correr à solta, crescendo como uma bola de neve, que de ano para ano, de geração em geração se infiltra na cultura e na mente dos jovens, criando sociedades amorais e sem vinculo ao social, ao bem comum, destruindo alicerces essenciais da vida de todos. Porque é inegável que a amoralidade que se cultiva e agiganta entre os jovens, interferirá na sociedade, na politica, na economia, na produtividade, na família, no emprego e no futuro do país.

Testemunho de um estudante universitário vindo do estrangeiro 
(...)manobras para manterem as pessoas ocupadas e abstraídas do realmente importante, vou apresentar quatro grupos temáticos, sendo eles: a histeria colectiva, a juventude controlada, a submissão doentia e os novos deuses e a juventude académica; e vou começar pelo último.

A TRISTEZA DA JUVENTUDE ACADÉMICA
A única actividade que sei que a associação académica da minha universidade realiza é: festas! Ah, e quem está inscrito nela tem descontos no valor dos exames da segunda época e afins (ou seja, podes faltar as aulas e não entregar os trabalhos a tempo que terás descontos depois para o fazer mais tarde). É tudo o que eu sei… tem outras vantagens ou faz outras coisas? Talvez, mas em seis anos nunca tive conhecimento disso.
Mas, hey, como já verifiquei lá em cima, não pretendo falar mal da associação académica da minha universidade, não, longe de mim essa ideia, pretendo é falar mal do estado académico em geral.

Na minha terra, quando se ouve falar de uma semana académica é mesmo académica, e a adesão não costuma ser muita, geralmente apenas um terço da escola ou faculdade adere, metade ou mais fá-lo no último dia, que costuma ter mais actividades lúdicas; e essa fraca adesão dá-se exactamente porque na semana académica acontecem actividades científicas ou pseudo-científicas, palestras e debates sobre determinados temas que se consideram importantes, não obstante, convém dizer, acabem por ser apenas um exercício mental para alguns e nada realmente melhore.

Posto isto, fez-me espécie quando, cá em Portugal, Europa (?), ao ouvir falar da semana académica, dar conta que de académico não tem nada e que é apenas um motivo para agrupar jovens e dar-lhes de beber até cair em nome do espírito universitário.
Até me admira que Portugal consiga ser mais desenvolvido que o meu país se os seus académicos são o que tenho visto; a maioria é borrachona, irresponsável e a semana académica é para mostrar, aos bares de má fama, de que precisam de se esforçar mais para manter a reputação.
Senão vejamos: há bêbados e bebedores descontrolados nesses bares, também nas semanas académicas, há passadores e drogados nesses bares, nas semanas académicas idem, há sexo comprado nesses bares, e é aí que perdem, porque o há grátis nas semanas académicas (nada contra) e irresponsável ainda por cima, pois de tão mamados muitos acabam por pensar que o preservativo, quando se lembram dele, é pastilha elástica.

Não sei se as semanas académicas são uma tradição secular, embora duvide, considerando que antes as universidades costumavam estar sob as estritas ordens dos padres e confrades, e até antes do 25 de Abril (pelo que julgo saber) as restrições sobre ajuntamentos do género era outras. Não, não quero e nem estou a justificar esses tempos, sou a favor da liberdade de se juntarem pessoas quando se querem juntar e sou a favor do afastamento das regras dos conventos das universidades, embora ainda tenhamos ficados com as togas e as bênçãos de fitas que mostram que apesar de ser um antro científico as universidades, pelo menos as portuguesas, são ainda católicas no seu âmago.

Não levo o estado universitário tão a sério como antes, aliás tenho uma relação amor-ódio com ele, amor porque gosto de saber coisas e de estudar e ódio porque preciso de um canudo tutelado por um desses prostíbulos… desculpem, antros de saber para que esse conhecimento seja valorizado. Não consigo levar a sério uma instituição que é apenas uma desculpa para manter as pessoas ocupadas com coisas que nunca irão usar (enalteço assim os cursos técnicos) e cujo 80% de frequentadores, senão mais, estão ali não pelo amor ao saber, mas à pesca do estatuto. Sim, estatuto, ser universitário é ainda um título de respeito, porque associado a isso, no senso comum, vem a ideia de inteligência, conhecimento e responsabilidade, e não importa que tenhas menos disso do que um aluno do ciclo, é diferente a forma com as pessoas olham para ti e falam contigo. Eu já fui tratado diferente quando se descobriu que andava a frequentar mestrado, apesar das coisas que costumava dizer não se terem alterado passaram a ser já ouvidas com mais atenção.

Antes de entrar para a universidade eu admirava muito os universitários, e quanto maior o título mais eu admirava, depois que comecei a lidar com universitários piores do que eu, e uns tantos professores doutorados que andam a repetir pensamentos ultrapassados e obsoletos, arrogantes e quadrados, e que usam mais o argumentum ad verencundiam (sim, usei o latim para parecer mais inteligente, como fui ensinado a fazer), ou seja argumento da autoridade, do que um raciocínio lógico que realmente convença, comecei a perder cada vez mais o respeito que tenho para o meio.
A universidade é apenas um lugar para perpetuar estereótipos, boa parte deles disfarçados de científicos (não estou a dizer que todos os que para lá entram saem tão ou ainda mais vazios do que quando lá entraram, não, tem muitos bons estudantes – não alunos apenas – ali dentro) e a semana académica por conseguinte, mostra a vacuidade do sistema. Quando vês pessoas com o traje universitário, podes desconfiar que vão faltar as aulas nesse dia e estarão num jardim qualquer a praxar ou a serem praxados ou numa confraternização (leia bebedeira) num bar qualquer.

Dizer-me que és licenciado ou doutorado era um motivo para te respeitar, academicamente falando, mas depois de a maior parte das pessoas mais inteligentes que eu conheço não serem universitários, e por conseguinte os mais estúpidos e irresponsáveis o serem, perdi o respeito ao sistema.
No entanto, ainda estou a estudar, e aconselho a qualquer um que possa, que o faça, porque preciso de um canudo e só estou a estudar para o ganhar (pois conhecimentos encontro-os eu mesmo, procurando por eles), pois a nossa sociedade está desenhada para “facilitar” e valorizar que tenha um.
Se as universidades e académias (tirando na semântica brasileira, ginásios) fossem lugares sérios, eu recomendaria que chamassem de outra coisas às semanas académicas, mas como um, só espelha o outro… bah, que se lixe... eles precisam que os jovens se mantenham inactivos, ou activos a emborracharem-se do que a usar o tempo para pensar e procurar fazer coisas que realmente se importem, pois bebem e drogam-se mais à vontade quando sabem que isso está sob a protecção de uma instituição universitária (feitores do progresso e do futuro), e a acreditar neste artigo da ciência hoje, o efeito nefasto ver-se-á principalmente no futuro. 
Fonte



1 comentário :

  1. No antigo regime, os estudantes universitários eram pomposamente designados de "futuros dirigentes da Nação". Hoje, os futuros dirigentes da Nação formam-se nas "jotas" a colar cartazes e a aprender as artes florentinas da intriga e da bajulice aos poderes partidários, enquanto à Universidade cabe formar desempregados ou caixas de supermercado. A situação não é, pois, especialmente grave. Um engenheiro ou um doutor bêbedo a guiar uma carrinha de entregas com música pimba aos berros não causará decerto tantos prejuízos como se lhe calhasse conduzir o país. Acontece é que muitos dos que por aí hoje gozam como cafres besuntando os colegas com fezes, emborcando cerveja até cair para o lado, perseguindo bezerros e repetindo entusiasticamente "Quero cheirar teu bacalhau" andam na Universidade e são "jotas". E a esses, vê-los-emos em breve, engravatados, no Parlamento ou numa secretaria de Estado (Deus nos valha, se calhar até já lá estão!).»

    Manuel António Pina, no JN

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