14 setembro, 2013

César das Neves "A nossa dívida, é das maiores do mundo, nunca poderá ser paga"



César das Neves tem fama de ser da Opus Dei. 
Escreve coisas que chocam... e por isso, decidi publicar este artigo, da sua autoria, pois tento perceber o que chocará, cada um dos que lerem estas afirmações... e se haverá alguns, entre nós, que concordam. Mais uma vez espero que percebam que divulgar um artigo de uma determinada pessoa não significa que se seja fã dessa pessoa.
Estaremos todos a ver mal?
Sou daquele tipo de pessoa que gosto de questionar... Evito ir atrás da corrente. E por essa razão decidi citar César das Neves... que segundo a corrente, é um ser abominável que diz coisas abomináveis e inconvenientes. Defende a ditadura, é desumano, é frio e cruel...
Por isso deixo estes artigos para permitir que se pense de forma oposta à que é habitual, criticando e comentado, de forma a poder conhecer as opiniões dos que aqui vierem e se depararem com estas afirmações, que sempre foram consideradas, tão inconvenientes. Serão verdades?

Verdades incómodas. Por César das Neves.
Existem algumas verdades sobre a crise que muitos tentam esconder.
Os reformados...
Os reformados estão hoje entre os críticos mais vociferantes. Mas seria bom que notassem que não descontaram o suficiente para as reformas que agora gozam.
Basta uma continha simples para perceber que a contribuição de uma pequena parcela do ordenado nunca permitiria vir a receber um montante quase igual a essa remuneração durante um período quase igual ao do desconto. Isto chama-se "crise da segurança social" e é tema de estudos e debates há décadas.
Pode dizer-se que têm direito a receber o que diz a lei, aliás escrita pela geração agora reformada. Mas o que não faz sentido é protestar abespinhado contra o corte como se fosse um roubo dos montantes acumulados. Desde 1974 que o nosso sistema de pensões não é de capitalização, sendo pagas as reformas pelos descontos dos trabalhadores do momento.
Quando uma geração concede a si própria benesses superiores ao que pôs de parte, não se deve admirar que mais tarde isso seja cortado, por falta de dinheiro.
Se alguém pode dizer-se roubado, não são os actuais pensionistas, mas os nossos filhos e netos, que suportarão as enormes dívidas dos últimos 20 anos, e não apenas na segurança social.

Funcionários públicos

Outro mito cómodo é o que diz que os direitos dos trabalhadores e o Estado social estão a ser desmantelados. De facto, os direitos que a lei pretendeu conceder nunca foram dos trabalhadores, mas de alguns trabalhadores.
Muitos empregados no privado nunca tiveram aquilo que agora cortam aos funcionários públicos. Além disso, a percentagem média de contratados a prazo é, desde 1983, quase 18%, ultimamente sempre acima dos 20%. Somando isto aos desempregados, inactivos, clandestinos, etc, vemos a larga privação dos supostos direitos. Os exageros das regulamentações neste campo são só benefícios que um grupo atribuiu a si mesmo. Como isso aumenta os custos do trabalho, prejudica fortemente o crescimento e o emprego, agravando as condições dos mais necessitados.

Estado  social
Quanto ao Estado social, ele teve como principais inimigos aqueles que durante décadas acumularam supostos direitos sem nunca se preocuparem com o respectivo financiamento. Aproveitaram os aplausos como defensores do povo, receberam benefícios durante uns tempos e, ao rebentar a conta, zurzem agora aqueles que limpam a sujidade que eles criaram.
Em todos os temas políticos, como no campo ambiental, esquecer a sustentabilidade é atentar contra aquilo mesmo que se diz defender.

Dívida 

Finalmente, no que toca à dívida, é importante considerar que a maior parte não é do Estado. As empresas estão descapitalizadas, as famílias endividadas, os bancos desequilibrados. Todos participámos da loucura dos últimos 20 anos; não apenas os políticos. As maiores responsabilidades são dos dirigentes, mas o povo não foi só vítima inocente de uma festa de que gozou durante décadas. (...)
A culpa até é dos credores, que alimentaram a mesma loucura. Esta é a última verdade incómoda.
A nossa dívida, das maiores do mundo, nunca poderá ser paga.  fonte

Quanto à dívida, os factos parecem apontar para alguma falta de coerência, nas afirmações de César das Neves. 
Basta consultar o artigo que se segue, para perceber de quem é a maior parte da dívida.
"A dívida total portuguesa – canibalização de um povo
Sumário:
1 - O endividamento da economia portuguesa
2 - Endividamento das empresas não financeiras
3 - Endividamento das sociedades financeiras
4 - Endividamento das administrações públicas
5 - Endividamento dos particulares
6 – Os direitos de crédito do exterior sobre a sociedade portuguesa
7 – Resumo da evolução dos vários tipos de passivos em cada agregado económico
8 - Tipos de responsabilidades por agregado económico
Os gráficos, os factos e o desenvolvimento dos pontos referidos no sumário, neste link.

Paulo Morais também discorda de César das Neves.
A dívida está dividida em dívida pública e privada. 
15% da divida poderá ser atribuída ao consumo dos portugueses, mas 85% da divida é certamente devido à corrupção.
A divida Pública foi gerada por que factores?
- Criaram albergues de boys que nascem por todo o lado, repleto de incompetentes, que gerem mal o dinheiro público e ainda têm que ser pagos.
- Criaram-se fundações, institutos, empresas municipais, observatórios, que albergam milhares e milhares de pessoas que custam muito dinheiro.
- Depois temos a corrupção que tem sido um fartar de vilanagem e de roubos e mais roubos, do dinheiro dos portugueses.
O caso da Expo 98, como é possível que um projecto que gerou milhões e mais milhões em mais valias, possa ter dado prejuízos?
Mas este foi apenas o primeiro escoador de dinheiro público. Seguiu-se a Ponte Vasco da Gama. E muitos outros projectos onde claramente se nota que houve corrupção e roubo. E é óbvio que tanta gente a roubar ao longo de tantos anos, inevitavelmente as contas tinham que chegar a este estado.
A divida privada é outro embuste, e nada teve a ver com os portugueses comprarem telemóveis e férias, como nos fazem crer, pois 70% da divida privada era imobiliária, ou seja compra da casa. Tudo pela especulação que os envolvidos criaram no sector imobiliário, mais uma vez de forma corrupta, como explica Paulo Morais no minuto 4,20. Chama-lhe mesmo "tríades de mafiosos", compostas por promotores imobiliários, banqueiros e autarcas que em compadrio descarado actuaram em beneficio privado e contra os interesses nacionais.
E grande parte do empréstimo da TROIKA vai servir precisamente para tapar esta bolha imobiliária, que afecta os bancos. Paulo Morais

85% da divida foi gerada pela corrupção de décadas. PS, PSD, CDS... 

Outro tema polémico... do mesmo autor
"Elite antidemocrática
A essência da democracia, na política como na economia, é competição, alternativa, desportivismo. Que todos tenham oportunidade de se apresentarem e ganhe, não o melhor, que ninguém sabe quem é, mas aquele que a sociedade preferir.
Ora, os nossos pensadores e dirigentes há séculos que são eminentemente proteccionistas, corporativos, clientelares. A sua visão é aristocrática, egoísta, manipuladora. Consideram-se geniais e desprezam as massas ignaras e o País, que nunca os mereceu. Visceralmente avessos à incerteza das eleições e mercados, preferem arranjinhos de bastidores, batota do árbitro comprado, garantia de programas de apoio.
Esta atitude de fundo sempre se manifestou no campo económico com uma posição abertamente anticapitalista. Do jacobinismo republicano ao corporativismo salazarista e à social-democracia do PS e do PSD, a elite nacional repudia sem rebuço a incerta economia de mercado, preferindo a versão dirigista e regulamentar. No campo político, pelo contrário, o discurso tem sido mais diversificado. Aí é preciso ir ajustando as expressões, para não chocar as conveniências de cada época.
É verdade que mesmo após Abril permaneceu viva, sobretudo na extrema-esquerda, uma doutrina claramente antidemocrática. A corrente principal da elite, no entanto, dizia-se nominalmente defensora de um regime aberto e europeu. Isso não impediu, naturalmente, a captura corporativa do sistema que alimentou a dívida galopante.Agora que os resultados da loucura rebentaram, vemos as personalidades mais insuspeitas apregoarem propostas perversas, sem a menor vergonha de negarem aquilo que sempre disseram defender.
As actuais imprecações antidemocráticas partem sempre do repúdio do Governo, alegadamente povoado de mentecaptos perversos empenhados na demolição nacional. O facto de essas políticas virem não do arbítrio de ministros tolos, mas da orientação de instituições internacionais reputadas, a quem os críticos sempre proclamaram uma adesão incondicional, não parece fazer a menor diferença. A única solução, segundo eles, é subverter as instituições, derrubar a maioria legítima, convocar eleições subversivas.Nem sequer entendem que essa mesma proposta minaria a legitimidade do Governo daí resultante, o qual, aliás, não teria outro remédio senão continuar na mesma linha de austeridade.
As nossas elites são profundamente antidemocráticas. É por isso que durante séculos esse regime nunca vingou por cá. Desta vez talvez haja esperança. O povo, que sempre teve uma saudável desconfiança das elites, já vive o 40.º ano depois de Abril." fonte

9 comentários :

  1. Excelente. Assim os eleitores sejam exigentes a pensar: Sem dúvida que há alguma falta de exigencia consigo e com os poderes dos nossos eleitores: substituiram o paternalismo Salazarento que tinha que aprovar tudo até a proibição da cocacola pela gritaria revolucionaria em que os "direitos" são fornecidos por "eles" obrigatoriamente haja ou não dinheiro.Não deixem que vos enganem com papas e bolos:pensem pela V. cabeça e votem pelo menos em quem nunca vos enganou! votar nos mesmos que há 40 anos nos trouxeram para este estado é no mínimo ingenuidade ou fé a mais.
    falta gente de coragem para avançar com propostas sérias e bem elaboradas desde a freguesia até governo nacional e começar é interessara-se pelos assuntos e corrupções(que Integridade bem denuncia) e não votar em caozoada.Escutar todas as opiniões sim, não deixe que lhe digam o que é boa ou má informação mas use a porra da cabeça!

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  2. Tudo isto me dá, alguma, vontade de sorrir.

    Parece, segundo alguns, que os bandidos do sistema são os funcionários públicos.

    Convém a um governo chefiado por um parasita - que até aos 37 anos de idade NUNCA TRABALHOU logo, nunca descontou, logo viveu à custa de quem trabalhava - concentrar ódios sobre aqueles que são "despesa do estado".

    Não sobre os parasitas como ele, o Relvas, o Sócrates ou o Vara...!!!

    E estes incompetentes, são um dos que vai sacar brutas reformas da CGA... Mas para ele, isso está bem...!

    Mas porque é que temos um estado tão grande? Entre outras razões:

    -Porque este país teve de receber e dar emprego (90% dele no estado) a cerca de UM MILHÃO de portugueses que estavam habitando as colónias em 1975-76 (entre eles a família do Passos Coelho).

    -Porque a economia (privada) andou, e anda, à deriva. Sem estratégia. Ao sabor dos interesses da canalha financeira (privada, mas muito bem paga) e os jovens, à medida que entravam em idade de trabalhar, procuravam, naturalmente, o estado, por falta de emprego na privada.

    - Porque existem 320 câmaras (com as ilhas) que depois do 25 de Abril, multiplicaram - no mínimo - por 10, o número de funcionários para os resultados económicos que se conhecem: Nenhum!

    -Porque inventaram empresas públicas, empresas municipais, fundações públicas... para pagarem muito a quem não produzia, que fosse, um só bem reprodutivo.


    Mas afinal qual a dimensão ideal de um estado europeu para servir 10 milhões de pessoas?
    Qual a dimensão autárquica ideal para esse mesmo estado?
    Qual a dimensão do sistema de saúde? de educação? de polícia?

    Porque não existem umas forças armadas europeias?
    Porque não existe planeamento regional europeu?
    Porque não existe planeamento económico europeu?

    As directivas são só para áreas de interesse económico nos países mais populosos?
    Atribuem-nos fundos a 75% para nos endividarmos loucamente, nos seus bancos, para conseguirmos os 25% restantes?

    Sem estratégia? Sem prioridades? Sem objectivos?

    Com estes "amigos" lá fora e com estes canalhas cá dentro a "governarem"-se, o abismo é mais digno que esta fervura em lume brando!

    Façam o vosso voto fugir destes bandidos!

    Votem sim! Mas fora dos partidos que estão no parlamento.
    Qualquer um serve para correr com esta corja!







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    1. O parasita a que se refere (presumo estar a falar da mesma pessoa)segundo outra fonte só começou a trabalhar aos 42 anos.

      Ao que parece, aos 37 entrou no curso...

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  3. Boa noite,

    Há muito que não venho comentar neste blog, a vida assim não o tem permitido muito devido ao processo de "achinezização" pelo qual este País tem vindo a passar, e que obriga a que as pessoas para terem uma vida minimamente condigna mas de forma ética, sem recorrer à "cunha imoral" ou a colagem de cartazes e adesões a juventudes e associações de estudantes inertes...mas adiante...

    Concordo com tudo o que vem escrito, no entanto creio que ficaria completo com um conjunto de recomendações e não só com as (merecidas) críticas. Muitas pessoas em Portugal não têm a formação ou o acompanhamento para perceber estas questões.

    O nosso ensino ainda é muito "sistematizado", ou seja, pretende inserir as pessoas num sistema como carneiros sempre dirigindo-as para algum tipo de escolha, como "PS", "PSD", "BE", etc, orientando-as para um voto...um voto que é inútil pois já se viu que as caras dos partidos são sempre as mesmas, quando o que se devia educar as pessoas é que mais do que partidos, o bem estar individual e colectivo está acima disso tudo.

    Dai dizer que neste blog, apesar das críticas serem bem feitas, ao típico cidadão estas críticas não bastam e irão soar sempre a ofensas desvirtuando a mensagem que se quer passar.

    Repito que não venho criticar de forma destrutiva o seu trabalho Zita, admiro muito o que tem feito nos últimos anos e espero que continue!

    Cumprimentos,
    Pedro

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  4. Sobre César das Neves e a sua paixão pela verdade nua e crua:

    Qual a opinião do dito senhor sobre o período de governação de Cavaco Silva (1985-95)?

    Qual a opinião sobre o caso BPN/SLN e a Galilei?

    Qual a opinião sobre as PPP´s rodoviárias e na saúde?

    E as benesses e ordenados principescos do sector empresarial do Estado?

    Entre outras...

    Fanáticos neo-liberais que são incapazes de encaixar críticas e apenas "vêem para um lado", não obrigado!

    É mais um que apenas conhece a cartilha económica neo-liberal (A Escola de Chicago, Milton Friedman e afins).
    Nos últimos 60 anos, em termos práticos, as nossas faculdades de Economia só geraram disto. Não leram, nem conhecem outras perspectivas.

    Olhem para a História do séc. XX e vejam que doutrina económica foi capaz de gerar crescimento económico e prosperidade (e não, também não foi o Comunismo ou o Capitalismo de Estado).

    NWO

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  5. Qual Pedro? Pedro Lopes?
    Nao obstante o seu comentário sigo este blogue há muito tempo e não me recordo de algum comentador " Pedro" mas sim de um persistente "Pedro Lopes" que ao que parece e um simpatizante do "Golden Dauwn" grego e o PNR " português".

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  6. As verdades incomódas do areopagista no cavaquismo são mesmo de chorar a rir

    "A brincar a brincar, com a verdade me enganas" – provérbio

    HTTP://OECONOMISTAPORT.WORDPRESS.COM
    “O governo acusa os funcionários públicos de manterem o défice do sistema de pensões de aposentação e sugere aos restantes empregados por conta de outrém que os empregados do Estado não descontam o suficiente. Um ajudante de ministro do Dr. Passos Coelho declarou que os funcionários públicos pagariam quando muito 40% das suas reformas. O Estado negoceia de má fé e aplica três golpes baixos.
    Ao contrário da propaganda do Governo, os empregados do Estado descontam para a Caixa Geral de Aposentações 11% dos seus vencimentos, o mesmo que qualquer outro empregado por conta de outrem. O patrão Estado é que não desconta os seus 22%, ao contrário dos privados, que são obrigados a descontar, pois têm que pagar a sua parte da célebre TSU.
    Este esquema de financiamento das aposentações vem do tempo em que o Estado pedia ao seu funcionário que descontasse para a reforma uma quantia pouco mais do que simbólica, pois entendia-se então que essa reforma era de direito público e por isso era paga pelos impostos e não pelo desconto do empregado público e do patrão Estado. Mas esse tempo passou há muito – passou para os funcionários mas não para o patrão-Estado. O Estado exige dos seus funcionários o regime da capitalização das reformas e, sem ter ele próprio capitalizado a sua parte, ataca os ditos funcionários por ser obrigado a aplicar o princípio da repartição no pagamento das reformas.
    Os tais 40% da pensão de aposentação pagos pelo funcionário significam que o ajudante de ministro os capitalizou à taxa de 1,5% – se pensou em pagar-lhes a reforma por inteiro; se pensou pagar-lhes menos do que isso, então hipotizou uma taxa de juro ainda mais baixa. Ora esta taxa de 1,5% é a taxa histórica do crescimento económico. O Estado devia ter aplicado o dinheiro dos descontos para a CGA num fundo, cujo rendimento pagaria as reformas – mas aplicou-o a fazer leasing de Audis e polivalentes em Vilarelhos. Uma taxa de 1,5% ou menos é muito baixa e mostra a incompetência, ou a manha, ou a excessiva prudência, do ajudante de ministro: se ele tivesse capitalizado os descontos dos seus funcionários num fundo indexado ao S&P500 de Wall Street, teria conseguido um resultado melhor, a custo quase zero, pois as comissões desses fundos são baixas. E já não teria problema a respeitar a palavra dada e a pagar as reformas.
    Mas o Estado faz mais e ainda pior: o capital descontado pelo funcionário permanece nas mãos do Ministério das Finanças depois de o funcionário se ter reformado e não é devolvido aos herdeiros quando a pensão se extingue, o que em geral ocorre com o falecimento do aposentado: depois da morte deste, o Estado continua a arrecadar os juros do que o morto aforrou. É macabro, mas é verdade; por enquanto, limita-se a insultar o futurio de cujus, o que é menos macabro mas não é próprio. O gráfico acima ilustra esta situação: para se ressarcir por completo de uma pensão de aposentação a 4100 euros por ano, o Estado precisará de 22 anos depois da morte do aposentado, à taxa de juro de 2%, e de 13 anos à taxa de 3%.
    Ora não há dúvida que aqueles 11% de descontos e os seus frutos, são propriedade do funcionário público e por isso, quando deixa de pagar a reforma, o Estado deve entregá-los – ao funcionário ou aos seus descendentes. Pelo menos, não deve queixar-se do que lhe pesam os seus mortos porque a verdade é que não lhe pesam nada. Desde que o Estado português dure mais 35 anos o que, pelo andar da carruagem, é tudo menos certo."
    (...)

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  7. César das Neves recorda que desde 1974 que o sistema de pensões não é de capitalização, sendo pagas as reformas pelos descontos dos trabalhadores do momento. “Quando uma geração concede a si própria benesses superiores ao que pôs de parte, não se deve admirar que mais tarde isso seja cortado, por falta de dinheiro. Se alguém pode dizer-se roubado, não são os actuais pensionistas, mas os nossos filhos e netos, que suportarão as enormes dívidas dos últimos 20 anos, e não apenas na segurança social”.


    http://www.youtube.com/watch?v=Q4jep_9uQqo
    vídeo de Raquel Varela coordenadora do livro “A Segurança Social é Sustentável. Trabalho, Estado e Segurança Social em Portugal” (Bertrand, 2013)


    O Sindicato dos Quadros Técnicos do Estado (STE) considerou esta terça-feira que "não é verdade" que as contribuições para a CGA paguem apenas 40% da despesa com pensões.

    Helena Rodrigues lembrou aos jornalistas que o dinheiro que paga pensões e subvenções não contributivas a políticos ou a pessoas integradas em regimes específicos também sai da CGA.

    A vice-presidente do STE contrariava, desta forma, um dos argumentos usados pelo Governo para justificar os cortes nas pensões já em pagamento.

    "Não é verdade que as contribuições que entram apenas paguem 40% porque as pensões pagas pela CGA não são só as pensões dos trabalhadores da administração pública. São as pensões de autarcas, de políticos, são pensões oriundas de outros regimes que vieram integrar a Caixa Geral de Aposentações, para as quais não houve contribuições", disse Helena Rodrigues



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  8. "Outro mito cómodo é o que diz que os direitos dos trabalhadores e o Estado social estão a ser desmantelados. De facto, os direitos que a lei pretendeu conceder nunca foram dos trabalhadores, mas de alguns trabalhadores. Muitos empregados no privado nunca tiveram aquilo que agora cortam aos funcionários públicos.(...)OS EXAGEROS DAS REGULAMENTAÇÕES NESTE CAMPO SÃO SÓ BENEFÍCIOS QUE UM GRUPO ATRIBUIU A SI MESMO. Como isso aumenta os custos do trabalho, prejudica fortemente o crescimento e o emprego, agravando as condições dos mais" - O genial Doutor César da Neves paladino impoluto das verdades (in)cómodas


    Pensões dos políticos custam 80 milhões de euros em 10 anos
    por Rui Pedro Antunes

    "Último relatório da CGA mostra que Estado gastou mais 3,5 milhões de euros com 383 deputados do que com os 22 311 pensionistas que ganham até 217 euros. Gastos com este "privilégio" têm aumentado todos os anos. Em 2011, regista-se valor mais elevado de sempre com este tipo de reformas: 9,1 milhões de euros.

    Enquanto um funcionário público trabalha em média 30 anos para ter acesso à reforma, os políticos que até 2005 estiveram oito ou doze anos no cargo ganharam direito a uma pensão para toda a vida. São precisamente essas subvenções vitalícias que vão custar quase 80 milhões de euros numa década, contando já com o valor recorde de 9,1 milhões de euros que sairão este ano -2011- dos cofres do Estado. Apesar de este regime ter sido revogado há seis anos, o número não pára de aumentar e relativamente a 2010 os gastos com este tipo de pensões vai subir 4,2%.
    Na última década, a despesa subiu todos anos, gastando-se já mais 33% com pensões vitalícias do que há dez anos. A tendência é para que o número continue a disparar, pois os políticos que em 2005 já tinham conquistado o direito de beneficiar de tal regime (ou seja, já exerciam funções há doze anos ou mais) podem ainda solicitar este "privilégio".(...)

    Muitas vezes as reformas dos políticos apresentam valores mais elevados, pois estes acumulam as subvenções vitalícias com outras pensões que recebem de organismos públicos e privados.
    As subvenções vitalícias foram estabelecidas por uma lei de 1985, que permitia aos deputados com oito anos de serviço político obterem uma subvenção mensal para toda a vida. Mais tarde, em 1995, o tempo foi aumentado para 12 anos.
    Em Outubro de 2005, a lei foi definitivamente revogada, embora tenha ficado salvaguardado que - os que até ali tinham direito à subvenção - ainda a podem solicitar. Daí que os encargos do Estado com este tipo de reformas não pare de aumentar de ano para ano, não se sabendo ao certo em que valor irá parar."


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