26 janeiro, 2015

A propósito da detenção de José Sócrates, só se surpreende quem não quis ver os sinais.


Sócrates "mentiroso, incompetente e perigoso para o país." 


- Neste video vejam a forma como é avaliado Sócrates, quando os avaliadores são pessoas informadas e com o mínimo de formação sobre economia.
Em reacção às propostas que constavam do programa do PS, apresentadas por Sócrates, o empresário José Guia considera que o primeiro-ministro é "inconsciente, mentiroso compulsivo e perigoso para o país".
"O homem já não é só incompetente ele não sabe do que fala, é demagógico até à mentira, é mentiroso compulsivo"
Também na opinião do antigo Governador do Banco de Portugal, Tavares Moreira, estas medidas não são propostas, vamos ser minimamente inteligentes, são "a banha da cobra". 
Não se entende é como a comunicação social toma declarações de Sócrates como normais e válidas e não toma uma posição critica, mostrando que não têm nada a ver com a realidade e não têm qualquer consistência.

- César das Neves também descreve Sócrates assim:
“O regresso de José Sócrates é um espantoso feito de técnica política, do mais alto nível mundial”, avalia César das Neves. Para o economista, o antigo primeiro-ministro distingue-se dos demais políticos pela “total ausência de escrúpulos”. “Não existe a menor contemplação pela realidade dos factos”, indica, acrescentando que “existe apenas um projecto de poder, e tudo lhe é sacrificado”.
ARTIGO COMPLETO: 

- Ainda neste outro video, Sócrates apresenta teorias totalmente falsas para levar o país a acreditar que devemos construir e pagar mais 12 barragens, mas é desmentido por um professor do Instituto Superior Técnico.

- Gomes Ferreira recorda... 
A propósito da detenção de José Sócrates, recordo por estes dias vários momentos da vida política do país e do exercício do jornalismo em Portugal.
No final do primeiro mandato e já em ano de eleições legislativas, o primeiro Ministro aceita dar uma entrevista televisiva à SIC, conduzida por mim e por Ricardo Costa.
No decurso da conversa tensa, crispada, José Sócrates é confrontado com um gráfico do próprio orçamento de Estado de 2009, que mostra o verdadeiro impacto das sete novas subconcessões rodoviárias em regime de parceria público privada: a conta a cargo do contribuinte é astronómica, mas só começara a ser paga...em 2014.

24 janeiro, 2015

Um sistema em que a riqueza de alguns corresponde à pobreza da maioria só pode ser nocivo.

A tirania da eficácia
A eficácia do sistema produtivo depende mais de factores não económicos, como a corrupção do que
da gestão, como rezam os manuais. Por outro lado, um sistema em que a riqueza de alguns corresponde à pobreza da maioria só se pode considerar nocivo.
A democracia de mercado incorpora escolhas, debate, como nas democracias reais, mas são truncadas e circunscritas aos defensores do regime, aos partidos que a gerem e aos que participam na sua legitimação junto da multidão, pagos para o efeito a partir do erário público. É a sua maneira de serem eficazes.
Demasiadas vezes a oligarquia encontra para a sucessão um déspota desqualificado e eficaz apenas no roubo. (...) desse execrável déspota chamado Cavaco.

Sumário
             1 - A eficácia como instrumento de domínio
             2 - A eficácia que captura a democracia
             3 - O trabalho é uma prisão

1 - A eficácia como instrumento de domínio
A ausência de uma verdadeira democracia, da sua prática quotidiana na política como no trabalho ou mesmo em casa, gera hábitos de aceitação servil do statu quo e a resignação perante as desgraças do dia-a-dia, por parte de muitos. Esse não enraizamento da prática democrática permite que, com toda a desfaçatez e impunidade mediática, se erga e se insinue o discurso tecnocrático da eficácia e da eficiência.
Aqueles dois termos ressaltam no discurso da competitividade, da maximização de lucros, da minimização de custo mormente, neste último caso, no capítulo de custos salariais ou laborais. É evidente que na lógica demente do capital, a sobrevivência de cada capitalista está, teoricamente associada à eficácia e à eficiência da empresa, à excelência da gestão, embora na realidade os resultados dependam de fatores exteriores à gestão dos recursos. O recente caso da PT evidencia um caso onde os mais elementares critérios de gestão foram desprezados em proveito de compadrios mafiosos.

E não é difícil mencionar uns quantos fatores exteriores que são vulgares e empregnam as sociedades quanto menos desenvolvido for o seu capitalismo; diríamos mesmo que são regulamentares pois, estão de tal modo inseridos no sistema e aceites como inevitáveis que se tornam parte inseparável dele. Podemos citar o suborno, a corrupção, a fuga, a evasão ou a fraude fiscal, o benefício fiscal, fórmulas criativas de contabilização, a adjudicação combinada, o não cumprimento de regras quanto à saúde e segurança dos trabalhadores, horas de trabalho não pagas ou pagas em género (por exemplo, automóvel detido pela empresa ou férias pagas a quadros), do respeito para com a qualidade, a segurança, a duração dos produtos vendidos. Estes fatores estranhos à economia apreendida nos manuais e nas escolas de gestão são determinantes para a competitividade das empresas; isto é, os mecanismos da produção capitalista não se baseiam na sã concorrência cantada por Adam Smith mas, nos tais fatores estranhos.

22 janeiro, 2015

O colapso do país estava à vista, mas ninguém o assumiu para não ter o trabalho de o travar.


A tragédia de Portugal, estava à vista, mas ninguém a quis travar? 


Medina Carreira e Henrique Neto apontam o dedo ao sistema e não apenas a alguns partidos, como sendo os responsáveis pela tragédia de Portugal. Uns empurraram o país para a ruína e os outros calaram-se num silêncio cúmplice para que nenhum tivesse que se dar ao trabalho, de travar o tragédia.
Os políticos estavam famintos por obras públicas porque estas representam um filão precioso para os que vivem da corrupção e do parasitismo do estado. As Obras Públicas são o melhor cenário para camuflar a transferência do dinheiro público para os privados.
Criticam ainda a qualidade dos políticos que temos em Portugal sem competência sem experiência, sem visão e sem patriotismo.
Portugal tem alternativas mas não tem os políticos capazes para escolherem as melhores alternativas.
Sócrates foi governo que mais fez crescer as obras públicas, até a um nível insustentável.
A média dos países da UE tem 6 a 7% do PIB para obras públicas, com Sócrates chegamos a ter 17%. Qualquer pessoa com a mínima noção da realidade perceberia que isso era insustentável e que ia acabar por criar apenas divida e desemprego. Como é possível que se tenha chegado ao descalabro de importar mão de obra para a construção civil? Já não era uma questão de investir em obras públicas para incentivar a economia ou o emprego, era apenas criar mais e mais obras públicas, para incentivar a corrupção e culminar no colapso que se seguiu.

Podemos viver esfomeados e sufocados em dividas e impostos, mas temos as melhores autoestradas do mundo.. E quem são os donos delas? Quem será? Os ricos. 
Estão ás moscas? Não importa, o estado paga-lhes lucros garantidos com os teus impostos. 
Os Emirados têm petróleo para sustentar luxos, Portugal tem os contribuintes que são até mais fáceis de explorar que o petróleo.
Portugal tem a segunda melhor rede rodoviária do mundo.
A qualidade das estradas nacionais é apenas ultrapassada pela dos Emiratos Árabes Unidos, segundo a classificação do Fórum Económico Mundial.
Portugal ocupa o segundo lugar a nível mundial – e o primeiro na Europa, A Portugal é atribuído o valor de 6.3 numa escala até 7, sendo a média mundial neste indicador de 4.0.

A importância da indústria para a saída da crise
A defesa do Estado Social passa também por manter e criar emprego na indústria, que continua a ser uma força motriz em cada país, na Europa e no mundo. Em Portugal tudo foi feito para destruir o sector industrial.
Não havendo uma base produtiva sólida e com vigor, o fosso entre os ricos e pobres cresce, aumentando as diferenças entre aqueles que têm emprego estável e mais ou menos bem remunerado e os outros cujo emprego é menos seguro e as suas vidas se tornam mais precárias.
É sem dúvida um problema da atual democracia, para onde o capital e os governos austeritários ao seu serviço, nos querem empurrar.

19 janeiro, 2015

Paulo Morais regressa à politica. Vamos votar contra a corrupção, votar Paulo Morais?


Entrevista a Paulo Morais. “Sócrates é um dos principais actores na triste peça da corrupção em Portugal”
Paulo Morais afastou-se da política. Mas vai voltar. Neste momento reflecte sobre várias formas de intervenção: poderá formar um partido para concorrer às legislativas de 2015, poderá candidatar-se às presidenciais de 2016. Tem tudo em aberto e uma certeza - não quer que o seu objectivo de combater a corrupção na política fique de fora do ciclo eleitoral que aí vem.

Há um mês disse ao meu jornal que estava a ponderar voltar à política. Como está o ponto da sua reflexão?
A leitura que eu faço - e também tem a ver com o facto de eu ser do Alto Minho - é que Portugal tem um grande potencial, excelente clima, óptima localização, tem mar, terrenos para agricultura e invariavelmente tudo isto é desperdiçado. Temos uma serra da Estrela onde se fazem desportos de neve, mas quando neva não se consegue lá chegar. Isto é a típica situação portuguesa. A forma como são montados os limpa-neves não é função do interesse público mas de interesses particulares. Entre o desperdício, a incompetência e a corrupção vão os recursos todos. Temos um potencial fantástico e depois os portugueses não usufruem do potencial de que dispõem porque aparece a política para estragar o funcionamento do país. Mudando a política, o país melhora substancialmente e o principal factor que anda a contaminar a política é a corrupção.

Então todos os políticos são maus?
A maioria dos políticos não são corruptos. Só uma pequena minoria, com uma particularidade: são os políticos que mandam mais, os que controlam 90% do orçamento. Políticos corruptos são poucos. O que acontece é que os restantes não combatem o statu quo. Em Portugal, que é um país cheio de salamaleques, os políticos têm um conjunto de mordomias absolutamente ridículas, bilhetes para o futebol, teatro, precisam de fazer obras em casa de um primo e conseguem mais rapidamente porque conhecem o presidente da câmara, têm uma sobrinha desempregada e arranjam-lhe um emprego. E para manter estes pequenos privilégios sabem que jamais poderão enfrentar os dirigentes máximos. E acabam por fazer lastro à corrupção dos outros. Há um ditado português que explica isto bem: tanto rouba quem vai à horta como quem fica à porta. Os outros políticos todos ficam à porta a olhar, assobiam para o lado, fingem que não é nada com eles.

Vai formar um partido?
Isto tem três soluções possíveis: os principais partidos fazerem um pacto, a que todos se vinculem, de combate efectivo à corrupção, como aconteceu em Itália com a operação Mãos Limpas. Ou aparecem partidos novos com discursos verdadeiramente novos ou, outra possível solução, aparece no topo do regime alguém que ponha ordem na casa.

Está a admitir candidatar-se a Presidente da República?
Estou a reflectir sobre todas essas matérias. Há tempo para tudo. A minha reflexão é sobre o que posso fazer para ser útil. Acho que uma pessoa como eu não pode ficar de fora da intervenção no ciclo eleitoral que aí vem. Ainda não sei qual é a melhor forma, quando souber digo-lhe. O objectivo é claro: ando à procura de uma forma de intervir na política portuguesa de forma a diminuir a corrupção que está a minar a política e toda a vida em Portugal. Esta é a resposta que posso dar neste momento. Quando tiver outra, também lha dou.

18 janeiro, 2015

45,9 mil milhões de euros é o valor da Economia paralela em Portugal. Fuga ao fisco.

@@-Economia paralela em Portugal representa 60% do empréstimo pedido à 'troika'
O peso da economia paralela em Portugal subiu ligeiramente em 2013 para o valor recorde de 26,81% do produto interno bruto (PIB), equivalente a 45,9 mil milhões de euros ou 60% do empréstimo pedido à 'troika', segundo um estudo hoje divulgado.
Face a 2012, este valor - também equiparável a seis orçamentos anuais do Ministério da Saúde - representa uma subida de 0,07 pontos percentuais face aos 26,74% estimados como tendo sido o peso da economia não registada em 2012.
Durante a apresentação da actualização para 2013 do Índice da Economia Não Registada, Óscar Afonso atribuiu, em parte, a menor subida da economia não registada face a anos anteriores ao crescimento do PIB, que passou de 160.455 milhões de euros ente 2000 e 2012 para 171.211 milhões em 2013.

Leis fiscais à medida para ricos. Evasão fiscal milionária. 



"As leis fiscais são feitas -a maior parte delas - por advogados, ao serviço dos que as fazem, à medida dos interesses dos seus clientes", acusou Marinho Pinto. ARTIGO COMPLETO: 

@@ - Um breve olhar sobre a Economia Paralela
Em 2010 estima-se que a Econo­mia Para­lela ou Econo­mia Não Reg­is­tada (ENR), atingiu um peso de 24,8% do Pro­duto Interno Bruto (PIB), traduzindo-se em 32.183 mil­hões de euros. O que é a ENR? Quem são os seus prin­ci­pais inter­ve­nientes? Quais são as suas causas e consequências?
A definição mais abrangente de ENR passa por con­sid­erar que engloba todas as transações económi­cas que con­tribuem para o PIB, mas que, por diver­sas razões, não são tidas em conta.
As prin­ci­pais ativi­dades enfa­ti­zadas na ENR são: a econo­mia sub­ter­rânea – ativi­dades legais, delib­er­ada­mente não declar­adas de modo a evi­tar o paga­mento de taxas ou impos­tos e o cumpri­mento de nor­mas legais; e a econo­mia infor­mal – ativi­dades real­izadas por agentes que operam com pouca orga­ni­za­ção e em pequena escala, cujo prin­ci­pal obje­tivo é o de gerar rendi­men­tos e emprego para os indi­ví­duos envolvi­dos (pop­u­lar­mente con­heci­das como biscates).
São iden­ti­fi­cadas como prin­ci­pais causas da ENR: o aumento da carga de impos­tos e das con­tribuições para a segu­rança social; a cres­cente reg­u­la­men­tação da econo­mia ofi­cial (em espe­cial do mer­cado de tra­balho); o desem­prego; as trans­fer­ên­cias soci­ais; o baixo nível de esco­lar­i­dade; a falta de cul­tura e par­tic­i­pação cívica; a falta de cred­i­bil­i­dade de órgãos de sobera­nia face à con­duta de alguns dos seus rep­re­sen­tantes; e a inefi­ciên­cia e falta de transparên­cia da Admin­is­tração Pública.
A ENR dete­ri­ora o bom fun­ciona­mento da econo­mia e a con­fi­ança dos cidadãos no Estado e na econo­mia, uma vez que dis­torce a transparên­cia e con­cor­rên­cia no mer­cado e poten­cia o sen­ti­mento de injustiça fis­cal e social. Estas razões estão dire­ta­mente lig­adas às prin­ci­pais con­se­quên­cias da existên­cia da ENR.

16 janeiro, 2015

Inauguração de auto-estrada à meia-noite? Coimbra e a polémica.


No dia 25 de Abril de 2014 abriu ao trânsito a A13, uma nova auto-estrada, que liga Coimbra (Ceira/Ponte da Portela) a Almalaguês (Condeixa A13-1), Miranda, Penela, Ansião,(Castelo Branco/Pombal) Alvaiázere, Tomar, Entroncamento, Abrantes …Lisboa.
O governo não a inaugurou, a cidade (e a região) não festejou, a comunicação social nacional não noticiou e a local concedeu breves palavras em locais de pouca visibilidade…
Os autarcas fazem de conta que desconhecem a existência desta nova auto-estrada…
Os condutores que circulam em Coimbra são orientados por várias placas de sinalética rodoviária a indicar a A1, Lisboa – Porto.
Nenhuma sinalética indica a A13, a auto-estrada que múltiplos interesses querem sem trânsito.
Entre Coimbra e Tomar (Castelo Branco), a antiga estrada nacional continua a captar trânsito ligeiro e pesado.
A quem interessa este "segredo" de Coimbra?
Quem lucra com o desconhecimento dos condutores?

14 janeiro, 2015

117 deputados dos 230, mantêm interesses no sector privado. Quem representarão?

VENTURA LEITE EX DEPUTADO DO PS QUE ABANDONOU O GOVERNO EM 2009, POR DENUNCIAR AS POLITICAS DE SÓCRATES, divulga neste video algumas das formas mais chocantes de desviar os nossos impostos.



Neste video:
-- Portugal é um país muito corrupto ao contrário do que muitas altas figuras, comentadores e afins, durante décadas, nos quiseram fazer crer.
-- Os contratos que garantem as rendas que o estado paga ás parcerias público privadas, e outras que tais, mesmo sendo "legais" são feitas de tal forma que os custos incluem também uma renda para os partidos.
-- Os grupos activos da corrupção funcionam de forma solidária e funcionam independentemente de quem estiver no poder, sem ligar a ideologias ou a partidos políticos, são transversais a todos os partidos e existe solidariedade entre eles.
-- Caiado Guerreiro denuncia os contratos das PPP como sendo de agiotas, onde todo o risco é passado para o estado e todo o lucro para os privados. Algo estranhissimo
-- Mas Ventura Leite explica que isso não é nada estranho porque essas empresas depois transferem financiamentos para os partidos e garantem empregos ao partido.

Os nossos "leais representantes" públicos, são também leais representantes de interesses privados, quem defenderão eles? Vejam neste exemplo se percebem quem é que os políticos representam: Nos 20 meses imediatamente anteriores à entrada de Baptista Leite na AR, a Glintt HS obteve nove contratos por ajuste directo com o Estado, no valor total de 347.674,82 euros. 
Desde que Baptista Leite acumula as funções de deputado com as de consultor, no mesmo período temporal de 20 meses, o número de contratos por ajuste directo com o Estado quase quadruplicou (de 9 para 33), enquanto o valor total é quase oito vezes superior (de 347.674,82 para 2.713.011,08 euros). Quase todos estes contratos foram adjudicados por entidades públicas do sector da Saúde. Ora, à CS, da qual Baptista Leite é membro efectivo, compete “exercer as suas competências legislativas e de fiscalização nos sectores tutelados pelo Ministério da Saúde, acompanhando o Serviço Nacional de Saúde e a política de Saúde“. Fonte: LIVRO: «Os Privilegiados» 

Entrevista a Gustavo Sampaio, Jornalista que investigou durante oito meses as actividades paralelas dos deputados e os cargos dos ex-políticos nas empresas do PSI20, autor do livro os «Os Privilegiados».
Quem são os privilegiados em Portugal?
A classe política, os ex-políticos, os ex- governantes. Não digo que seja só a classe política, mas é uma classe privilegiada. Sobretudo tendo em conta o discurso moralista do actual executivo sobre os portugueses, dizendo que têm vivido acima das suas possibilidades. Através da investigação deste livro pode perguntar -se se não é a classe política que tem vivido acima das possibilidades de Portugal. Não é tanto pelas remunerações ou pelas regalias - de que beneficiam de facto -, mas porque é que são ex-governantes a liderar grandes empresas? Pela sua competência e mérito ou pela sua influência e pelos seus contactos?(...)

Quanto tempo demorou essa investigação?
Cerca de oito meses. Já tinha abordado alguns destes temas em artigos para a "Sábado" e para a "Exame". O livro permitiu-me fazer uma actualização e um aprofundamento da investigação. Acabei por descobrir que alguns deputados tinham omitido informação super-relevante. Permitiu-me também fazer uma análise, já com algum tempo decorrido da legislatura, e chegar à conclusão de que alguns deputados diziam que não havia conflitos de interesses entre a sua actividade parlamentar e a sua actividade profissional, mas através das suas intervenções na Assembleia da República deparei-me com claros indícios desse conflito. Comprovei que eles existem de facto na actividade parlamentar de muitos deputados, que apresento no livro.

Escreve sobre deputados que fazem parte de determinadas comissões parlamentares e ao mesmo tempo têm participações em empresas nos sectores que essas comissões fiscalizam. O que é que isso diz sobre a comissão de Ética, que deveria fiscalizar a existência destes conflitos de interesses?

12 janeiro, 2015

Nos governos não pode haver lugar para os patriotas. Quando é que o povo aprende a ser justo?

Se vivêssemos num país a sério, a EDP não demitiria ministros 



É urgente aprender a identificar os verdadeiros culpados, as ervas daninhas, e contribuir para as eliminar e punir, nas eleições e não só. Mas também é urgente identificar os patriotas e mostrar gratidão e reconhecimento nas eleições, censurando os media que os perseguem. Seria o mínimo que o povo poderia fazer por aqueles que contra tudo e todos, tentam lutar pelo país e por nós.
Esta é uma história real, onde Paulo Portas é desmascarado por Álvaro Santos Pereira, como sendo aquilo que todos sempre desconfiaram. Um chantagista que ganha poder com coligações e amplia o poder com chantagem de demissões, a verdadeira ovelha negra que só pensa nos seus interesses e do partido, uma pessoa mesquinha, interesseira, traidora e sem escrúpulos que repugna os que defendem a pátria.
Este é o retrato do mais recente governo, mas é também o padrão de comportamento de todos os governos, os bons são um alvo a abater, estão em minoria e não são rentáveis. Mais um que foi silenciado e o povo tudo ignora...
"O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons." Martin Luther King

Os atritos com Gaspar e o desprezo por Portas 
Álvaro Santos Pereira, ex-ministro da Economia, publica livro sobre a sua passagem pelo Governo.
(...)É um ajuste de contas com a história, e, através do seu olhar, das suas palavras, apontamentos e memórias, somos conduzidos ao interior do executivo formado pelo PSD e pelo CDS.
Ao todo, são 420 páginas, que olham também para o futuro, o qual, diz, tem de passar por “um reescalonamento a longo prazo da dívida dos países europeus mais endividados”. Além disso, defende: “Se não baixarmos os impostos das empresas e das famílias, o país nunca conseguirá atrair investimento significativo.”

– “Reflectindo sobre o meu percurso na gestão do maior ministério da história da democracia, penso que parece óbvio que os primeiros meses acabaram por determinar um pouco o resto do meu período no Governo. O facto de ter sido um independente que entrou para o Governo sem experiência política e sem aliados políticos fez com que tivesse levado tempo a construir coligações e alianças.”
– "(…) Como fazer um contraponto ao ministro das Finanças mais poderoso desde Salazar seria sempre delicado, é de certa forma natural que houvesse uma grande impaciência nos primeiros meses em relação ao ministro da Economia e do Emprego.”
 – “Como o ministro das Finanças era quase intocável, e como o líder do segundo partido da coligação preferiu não lidar com a troika e com as razões da crise, o descontentamento sobrou facilmente para aquele que vinha de fora (o 'emigrante'), aquele que não conhecia a reali­dade do país (o 'estrangeirado'), aquele que não tinha a força política (que, aliás, nenhum outro ministro tinha) para enfrentar as Finanças e a troika.”
– “É verdade, isso sim, que eu não tive peso político para travar a saída da AICEP do Ministério da Economia, um erro que viria a ser parcialmente colmatado com a minha saída e a correspondente entrada do CDS para o ministério... Sim, é verdade que eu não tive peso político para travar a subida do IVA da restauração, até porque a troika e outros eram a favor de tal subida. Sim, é verdade que não tive peso político para, durante largos meses, convencer a troika, o Banco de Portu­gal e o Ministério das Finanças que a falta de financiamento das nossas empresas era o principal risco para o pograma de ajustamento".

– "(…) É caso para perguntar: se, sem peso político, eu e a minha equipa conseguimos tanto, o que é que aconteceria se tivéssemos tido peso político? A resposta é relativamente simples: a reforma do IRC teria culminado na taxa mais competitiva da Europa, os impostos não teriam aumentado como aumentaram em 2012 e muito menos em 2013, as rendas da EDP teriam sido cortadas ainda mais, a AICEP não teria saído do Ministério da Economia e tínhamos tido mais e melhores mecanismos de financiamento das nossas PME.”

Sobre o desemprego
– “Quando tomámos posse em Junho de 2011, já era mais do que patente que o principal problema social que teríamos pela frente era o enorme aumento do desemprego.”
– “(…) Provavelmente ninguém, nem no Governo, nem na oposição, pensaria que o desemprego iria subir tanto. Ou, pelo menos, tão depressa.”
– “Porque é que o desemprego aumentou tanto e tão rapidamente, então? Houve dois factores principais: a contracção do crédito (…) e a severidade da recessão.”
– “Como ficou rapidamente patente que as estatísticas existentes não eram muito realistas, decidimos fazer as nossas próprias estimativas para os meses seguintes, tendo em linha de conta a contracção do crédito (que, recordo, alguns negavam estar a acontecer) e o quase colapso do sector da construção.” “Quando chegaram os resultados, foi imediatamente evidente que as nossas previsões eram bastante mais pessimistas do que as estatísticas oficiais.”

Sobre a troika
– “A chegada da troika foi fundamental para evitarmos a bancarrota e cair numa situação de colapso financeiro, bancário, orçamental e económico, o que teria tido consequências sociais desastrosas.” 
“(…) Ainda assim, isto não quer dizer que tudo o que seja relacio­nado com a troika esteja certo ou deva ser aceite por nós pas­sivamente.”
– “O crédito para as PME caiu mais de 20 mil milhões de euros, o que corresponde a uma quebra de quase 15% do crédito registado no início de 2011. Uma redução brutal e brusca do financiamento, que acabou por matar muitas das nossas empresas endividadas, muitas delas desnecessariamen­te. (…) Durante meses eu e a minha equipa tentámos por todos os meios alertar a troika, o Ministério das Finanças e o próprio Banco de Portugal para a calamidade que estava prestes a acontecer. E se estes dois últimos acabaram por reconhecer o problema (até devido à grande pressão que o próprio primeiro-ministro começou a exercer), a verdade é que a troika nunca se mostrou realmente preocupada com o assunto, pelo menos até muito tarde no programa de ajustamento.”