28 setembro, 2015

Só os votos válidos em partidos entram nas contagens por isso o que penaliza um partido, não é a abstenção ou votos brancos/nulos, é votar noutro partido





Dado que só votos em partidos entram nas contagens, o que penaliza um partido, não é a abstenção ou votos brancos/nulos, é votar noutro partido - porque se não votarmos, não estamos a negar o voto a ninguém. Estamos apenas a deixar que as decisões se concentrem num conjunto mais restrito do eleitorado, uma minoria - que inclui sempre as clientelas dos partidos e os clubistas acríticos.
Temos também de esquecer o hábito da idolatria onde os maiores partidos são instituições que muitos acreditam que se devem preservar ao longo do tempo, independentemente do seu desempenho: com as regras actuais, temos sim de mostrar aos partidos que são descartáveis e têm de se esforçar para obter o apoio do eleitorado, caso contrário serão descartados.



Num sistema que impõe o monopólio político dos partidos, é essencial que ocorra a renovação do espectro partidário para que a democracia se mantenha minimamente "fresca".
A oportunidade de mostrar algum poder do eleitor, é não abdicar nunca do voto válido, o único que transmite uma mensagem positiva ou/e negativa. 
Convém compreender que, quanto mais fraca é a influência/vigilância do eleitorado sobre os deputados e governantes, mais forte é a influência de outras "forças" . Nunca há vazios de poder. O escrutínio dos portugueses foi sendo neutralizado devido ao aumento constante da abstenção, ao que temos que somar os votos brancos e nulos, é uma falha muito grave dos eleitores, na vigilância dos partidos que culmina no aumento da corrupção. Como os partidos não temem a critica nem a censura da maioria dos eleitores, porque esses não usam o voto válido, são os grupos de interesse que estão representados no parlamento, não os eleitores.

Não defendo que percam o direito de se queixar só por não terem votado. Enquanto os outros, os que votam, conseguirem manter a democracia, vocês terão sempre esse direito.
Não me convencem as vossas desculpas de que se abstiveram para protestar caladinhos em casa ou que vos é realmente indiferente quem são os legisladores que vos representam. Se não encontraram diferenças é porque não se deram ao trabalho de as procurar. Mas também não vou invocar deveres abstractos de civismo e democracia para censurar a vossa preguiça. O meu problema convosco é mais concreto. 
Gerir uma sociedade livre e justa é um berbicacho. É preciso saber o que cada um quer, entre o que querem é preciso identificar o que é justo, daquilo que é justo e desejável há que determinar o que é possível e, finalmente, perceber como o obter. E é um trabalho constante, porque há sempre muito que temos de melhorar e, sobretudo, muito que temos de impedir que piore. Para conseguirmos isto distribuímos a decisão por todos os envolvidos na esperança de que os erros e enviesamentos individuais se diluam no grande número de participantes e, assim, se encontre o melhor caminho.
No entanto, a democracia só funciona se cada um tentar perceber os problemas, estudar as propostas, pensar nas consequências, escolher as opções que prefere e der o seu parecer.
Dá trabalho, demora tempo e é uma chatice, mas tem de ser assim porque não há alternativas aceitáveis. Esperamos por um ditador? Atiramos a moeda ao ar? Damos tudo aos interesseiros e fanáticos? A democracia é um sistema muito mau mas os outros são todos piores. 

Por isso, o que me chateia na vossa abstenção é a falta de colaboração num trabalho importante. Não é uma questão de direitos ou deveres cívicos em abstracto. O problema é concreto. Temos uma tarefa difícil, da qual depende o nosso futuro, e vocês ficam encostados sem fazer nada. 
Isto tem consequências graves para a democracia. Quando a maioria não quer saber das propostas dos partidos, está-se nas tintas para o desempenho dos candidatos e nem se importa se cumprem os programas ou não, o melhor que os partidos podem fazer para conquistar votos é dar espectáculo. Insultarem-se para aparecerem mais tempo na televisão ou porem o Marinho Pinto como cabeça de lista, por exemplo. Vocês dizem que se abstêm porque a política é uma palhaçada mas a política é uma palhaçada porque vocês não votam. 
A culpa é vossa porque não é preciso muita gente votar em palhaços para os palhaços ganharem. Basta que a maioria não vote. Também é por vossa culpa que os extremistas estão a ganhar terreno, e pela mesma razão. É fácil pôr os fanáticos a votar. Basta abanar o pano da cor certa e, se mais
ninguém vota, eles ficam na maioria. Mas se vocês colaborassem e se dessem ao trabalho de avaliar as propostas dos partidos, se os responsabilizassem pelas promessas que fazem e votassem de acordo com o que acham ser a melhor solução, deixava de haver palhaços, interesseiros e imbecis na política. 

Não presumo que vocês fossem todos votar no mesmo que eu. Não temos todos as mesmas prioridades nem as mesmas opiniões acerca do que é viável e de quem merece confiança. Mas pelo menos acabava a palhaçada. Se a maioria votasse com consciência em vez de ficar em casa, obrigávamos os partidos a prometer soluções viáveis e a cumprir o que prometessem. 
Nós não precisamos dos votos de quem tem certezas, esses os que votam sempre nos mesmos. Precisamos agora é dos votos de quem tem dúvidas e que, por ter dúvidas, questione, informe-se e pense no que faz. Não precisamos dos votos dos militantes. Precisamos dos indecisos, dos lesados, das vitimas conscientes porque o que é preciso é tomar decisões, contrariar o erro e a tendência, em vez continuar a repetir o que evidentemente não funciona. E nisso estamos bem. Há muita gente com dúvidas e capaz de decisões novas que, em conjunto, podia mudar isto tudo, bastava votar contra os que têm certezas, os militantes. 

Na opinião de muitas pessoas, existe uma grande diferença entre a abstenção e o voto em branco. Imaginam que a abstenção é sinónimo de revolta, quando efectivamente é apenas considerado como desinteresse, alheamento e indiferença para com o futuro do nosso país.
Outros defendem que o voto em branco, é uma participação activa, e tem um valor qualquer, desconhecido, que não se pode transformar em números. Mas dizem eles, os teóricos que votar branco é o cumprimento do nosso dever de cidadãos e, simultaneamente, a manifestação dos nossos desejos de dizer não!!.
Até poderia ser... em teoria! Na prática, os efeitos são exactamente os mesmos que abstenção nulos e brancos.
Em Portugal qualquer uma destas opções eleitorais, não é relevante para a contagem dos votos expressos na eleição, não tendo influência no apuramento dos vencedores nem na distribuição das cadeiras de deputados. Na verdade, abstenção, votos nulos ou votos em branco acabam por ser formas diferentes de inutilizar o poder dos eleitores transformado-os num zero, sem qualquer efeito prático.
Mas, quem vota em branco, nulo ou se abstém estará a contribuir para alguma coisa? Se entre os vários candidatos, não escolhermos nenhum, nem excluirmos nenhum, estaremos a decidir alguma coisa? Não. Estaríamos sim, se votássemos num qualquer deles, em detrimento de outro. Por isso só o voto válido a favor do seu favorito ou contra os menos favoritos, possui poder e valor efectivo.

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  13. Portugueses trocaram a lealdade ao país pela lealdade aos partidos.
  14. A NOSSA MANSIDÃO PROMOVE A CORRUPÇÃO.




10 comentários :

  1. Se não gostam do cão votem no gato ou no piriquito, mas pelo vosso futuro votem, porra.

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    1. O voto contra é tão ou mais importante que o voto a favor. Se não gosta de nenhum partido vote no menos mau, ou seja contra os piores sempre... não abdique desse poder, desse direito e desse dever de ajudar a limpar a corrupção da politica.

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    2. Infelizmente, também os que se abstêm de votar, contam. 117 dos 230 deputados, segundo o método de Hondt, são eleitos pelos "abstencionistas", na lógica da distribuição - OBRIGATÓRIA - de todos os que estão registados (mesmo aqueles que já faleceram) nos cadernos eleitorais.

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    3. TEMOS OS POLITICOS QUE MERECEMOS SOMOS NÓS QUE OS MOLDAMOS
      UM POVO QUE NÃO VOTA NEM SABE USAR O VOTO JAMAIS SERÁ REPRESENTADO, TEMIDO OU SEQUER RESPEITADO E JAMAIS SABOREARÁ AS VANTAGENS DA DEMOCRACIA...
      Em Portugal vence sempre a abstenção e a ignorância e os corruptos.
      O povo não sabe que o voto não serve apenas para votar a favor dos que mais se apoiam, serve também para votar contra os que mais roubam e mentem.
      O critério decisivo da democracia é a possibilidade de votar contra os partidos que há 40 anos destroem o país
      Karl Popper, sobre democracia, responsabilidade e liberdade.
      (…)
      Inicialmente, em Atenas, a democracia foi uma tentativa de não deixar chegar ao poder déspotas, ditadores, tiranos. Esse aspecto é essencial. Não se tratava, pois, de poder popular, mas de controlo popular. O critério decisivo da democracia é – e já era assim em Atenas – a possibilidade de votar contra pessoas, e não a possibilidade de votar a favor de pessoas.
      Foi o que se fez em Atenas com o ostracismo. (…)
      Desde o início que o problema da democracia foi o de encontrar uma via que não permitisse a
      ninguém tornar-se demasiado poderoso. E esse continua a ser o problema da democracia. (…)

      ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2015/09/o-criterio-decisivo-da-democracia-e.html#ixzz3qcV7Aoi8

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  2. abs·ten·ção
    (latim abstentio, -onis)
    substantivo feminino
    1. Acto ou efeito de se abster.
    2. Privação ou desistência voluntária de um direito político, cívico ou social.
    3. Número de eleitores que não exerce o direito de voto. = ABSTENCIONISMO

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    1. b) Recusa em participar numa ação em intervir num processo ou num acontecimento, especialmente em actos políticos, eleições ou deliberações (neste sentido pode ser sinónimo de não-intervenção ou neutralidade;

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  3. O Costa não merece o voto de um único funcionário público.

    Será que ele não sabe que o Passos aumentou o horário dos funcionários públicos, que sofreram cortes e ganham miseravelmente (alguns, não todos), sem que isso possa significar maior produtividade na F.P.?

    Seria apenas uma questão de igualdade, visto que há muitos sectores onde se continua com as 35 horas semanais.

    Por isso, votar no Costa, NÃOI

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  4. Antes de mais gostava de salientar que sou um jovem, que estou agora a terminar os estudos , por muito que me custe vejo a minha patria a ser destruida pelos próprios portuguesses que votam neles .

    As pessoas não compreendem que eles não estão lá para ajudar , leiam o pequeno raciocinio:

    O salario máximo de um funcionário publico em portugal é de 5000 certo ?
    Então percebam que eles antes de irem para o poder não ganhavam o ordenado minimo , pelo contrario muitos deles deveriam ganhar bem mais que 5000 "apesar das regalias que têm" eles quasse que se matam para estar a governar , por no maximo 5000€ tendo eles o provavelmente o dobro do trabalho que num trabalho anterior ???

    Esse o Ze Povinho burro tem que abrir os olhos , não é por aumenteram a reforma 10€ o ordenado minimo 5€ e o desemprego descer 1% que isto está melhor.....
    Não á nada neste pais que não page impostos.
    Temos uma das assembleias com mais ministros e secretarios da Europa , Agora pensem , a alemanha tem 80 milhões de habitantes e nós com apenas 10 milhões temos mais funcinarios no governo que eles ....

    Mais uma pequena coisa que o povo tambem ainda não pensou
    Porque eles recebem um X por cada voto que ganham ?
    Fundo de campanha ?
    Vou eu andar a contribuir com dinheiro ( que poderia para pagar a reforma de muita gente ) para eles andarem meio mes a gastar gasolina ( sim os carros deles não são economicos ) e a pagar jantares e oferecer bandeirinhas ( que provavelmente são feitas na china ) com o meu dinheiro ?
    Enquanto os meus avos recebem 150€ por mes de pensão ?
    Isto para eles andrem 15 dias por este pais a envenenar a mente ao povo com mentiras para afundar ainda mais o pais ?
    Com o meu dinheiro ?

    É tão absurdo que prefiro mesmo fugir ao fisco !


    Eu garanto que quem está a afundar agora o pais ao votar neles vai passar fome no futuro , pois eu e muitos jovens irão imigrar , fugir ao fisco , e em vez de contribuirem dinheiro para cofres ( Que se isto continuar assim quando eu atingir a reforma estarão vazios ) irão depositalos em bancos estrangeiros.
    E eu não sou o unico que penso assim , somos muitos.

    Daqui a uns tempos o país depois não terá empresas estatais porque os chineses controlarão as empresas ( Indo o lucro para eles ) e os Alemães controlam a divida ( claro que eles não querem que saiamos da EU pois assim eles deixariam de xupar os juros dos emprestimos que nos impingiram).
    Sem prudução no pais e dividas para pagar , os jovens ( que daqui a uns anos seriam os possiveis contribuintes ) irão resguardarem as suas finanças e não vão contribuir para não correrem riscos de no futuro não receberem nada em troca , e as empresas estatais que davam lucro ao estado não vão dar mais lucro pois foram vendidas.

    Duvido que no futuro as exportações cubram por muito as importações , e o turismo dê dinheiro ao estado para sustentar a função publica todos os seus desempregados , idosos e o RSI´s.

    Sabe o que vai aconteser nessa altura ? Adivinhe ?

    BANCA ROTA !!!

    Mas quando isso aconteser , eu agarro no meu preciosso dinheiro que guardei , e vou para o estrangeiro , e lá , gráças ás minhas qualificações e formação não terei dificuldades em subreviver , pois lembrem-se que para nós jovens o mundo é mais pequeno :)

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  5. TEMOS OS POLITICOS QUE MERECEMOS SOMOS NÓS QUE OS MOLDAMOS
    UM POVO QUE NÃO VOTA NEM SABE USAR O VOTO JAMAIS SERÁ REPRESENTADO, TEMIDO OU SEQUER RESPEITADO E JAMAIS SABOREARÁ AS VANTAGENS DA DEMOCRACIA...
    Em Portugal vence sempre a abstenção e a ignorância e os corruptos.
    O povo não sabe que o voto não serve apenas para votar a favor dos que mais se apoiam, serve também para votar contra os que mais roubam e mentem.
    O critério decisivo da democracia é a possibilidade de votar contra os partidos que há 40 anos destroem o país
    Karl Popper, sobre democracia, responsabilidade e liberdade.
    (…)
    Inicialmente, em Atenas, a democracia foi uma tentativa de não deixar chegar ao poder déspotas, ditadores, tiranos. Esse aspecto é essencial. Não se tratava, pois, de poder popular, mas de controlo popular. O critério decisivo da democracia é – e já era assim em Atenas – a possibilidade de votar contra pessoas, e não a possibilidade de votar a favor de pessoas.
    Foi o que se fez em Atenas com o ostracismo. (…)
    Desde o início que o problema da democracia foi o de encontrar uma via que não permitisse a
    ninguém tornar-se demasiado poderoso. E esse continua a ser o problema da democracia. (…)

    ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2015/09/o-criterio-decisivo-da-democracia-e.html#ixzz3qcV7Aoi8

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  6. concordo plenamente, mas não sou a favor de abdicar de outros,todos os demais mecanismos ao nosso alcançe, para fazer funcionar as nossas instituições democraticas, e temos tantos, mas parece que estamos adormecidos num sono profundo de embalar a ficamos-se apenas e tão só pelo voto de 4 em 4 anos, bem haja

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