Marinho Pinto responde a Duarte Marques do PSD.O Jotinha pueril.

corruptos lutam contra MarinhoNa politica portuguesa temos os que tentam lutar contra a corrupção, e depois temos os que lutam contra quem quer lutar contras a corrupção...

RESGATAR A REPÚBLICA PELO VOTO
O grande mal dos nossos políticos tradicionais é que, em regra, usam essa atividade em benefício pessoal. A maioria deles serve-se dela e dos recursos que o país põe ao seu dispor, não para a realização de fins coletivos mas em benefício próprio, da família e das suas clientelas partidárias.
Servem-se do país e não servem o país. Para isso criaram uma insuportável promiscuidade entre a política e os negócios privados.
As pessoas mais sérias e mais honestas da sociedade portuguesa fugiram da política ou nem sequer se aproximam dela. Esta transformou-se numa reserva quase exclusiva dessa nomenclatura de medíocres e de oportunistas que está a destruir Portugal, a empobrecer o país e os portugueses (enquanto eles se governam e enriquecem) e a obrigar os nossos jovens a procurar no estrangeiro aquilo que a sua pátria lhes devia proporcionar. Essa nomenclatura está, enfim, a destruir o nosso futuro coletivo.

Uma das consequências mais nefastas dessa cultura oportunista e predatória foi a castração moral de um sector da juventude portuguesa, precisamente aquele que desde praticamente a adolescência é amestrado nas organizações juvenis partidárias para reproduzir os estereótipos e os clichés político-culturais que fizeram os seus mestres enriquecerem na política. É deprimente ver jovens, que deveriam estar motivados pela grandeza de ideais altruístas ou mobilizados pela generosidade de causas coletivas, a apunhalarem-se entre si nas juventudes partidárias, a traficarem interesses mesquinhos, a propalarem obscenas mentiras só porque as julgam úteis aos seus desígnios egotistas, a fazerem, em corruptela, aquilo que observam nos seus mentores decadentes. E, sobretudo, é degradante vê-los a papaguear, num mimetismo patético, os discursos de mentira e de cinismo dos seus mestres políticos. Estes jovens já estão velhos ou então envelhecem sem nunca chegarem a ser adultos. As juventudes partidárias transformaram-se, sobretudo nos chamados partidos da governação, em escolas de vícios onde se aprende tudo o que tem conduzido à degenerescência moral da política portuguesa e à degradação ética das instituições republicanas.

SWAPS de 2008 são o “Apocalipse Now” da banca, diz jornal britânico

MAIS UMA VERGONHA NACIONAL
Swap da Metro do Porto é o “Apocalipse Now” da banca, diz jornal britânico

The Independent usa exemplo de swap comprado pela empresa pública portuguesa ao Goldman Sachs e ao Nomura para explicar como os bancos se aproveitam destes contratos para conseguir lucros elevados.
"A papelada que descreve estes contratos consiste em páginas e páginas de álgebra, que representam uma combinação sempre crescente, imprevisível, de riscos impenetráveis, cujos impactos de cada parcela se multiplicam como um vírus", escreve o jornal britânico The Independent, referindo-se a um swap comprado pela Metro do Porto ao Goldman Sachs em 2008 e reestruturado posteriormente pelo Nomura.

"Fez-me rir e chorar ao mesmo tempo. O que estariam eles a pensar? Já vi alguns produtos maus, mas isto é qualquer coisa diferente. Isto é o Apocalipse Now do sector bancário, quando tudo e todos estão a caminho da loucura", comenta Moorad Choudhry, um antigo banqueiro da city de Londres, e actual professor do departamento de Ciências Matemáticas da Brunel University, em declarações ao The Independent.
Esta não é a primeira vez que swaps comprados pela Metro do Porto são criticados de forma agressiva na imprensa internacional. A Risk Magazine, uma revista especializada em produtos e mercados financeiros, também já tinha dedicado um artigo de fundo a analisar um swap comprado pela empresa pública de transportes ao Santander.
Desta vez, o The Independent explica que o swap da Metro do Porto foi comprado para cobrir os custos com juros de um empréstimo de 126 milhões de euros, mas que rapidamente acumulou perdas de 120 milhões de euros.

Quando a Metro do Porto contratou o Nomura para reestruturar a operação, o que a empresa conseguiu foi um swap em parte simétrico ao que já tinha com o Goldman Sachs, mas que acrescentava novas variáveis de risco, incluindo um índice criado pelo próprio Nomura e que acabou por acumular novamente perdas avultadas (cerca de 80 milhões de euros).
Quando a Metro do Porto tentou colocar os dois bancos em contacto para anular a parte do swap que era simétrica, obteve uma proposta que incluía pagar mais 26 milhões de euros aos bancos, diz o The Independent, baseando-se em "documentos da altura". Ao jornal britânico, os bancos negaram os números, mas recusaram avançar os seus próprios cálculos, alegando confidencialidade da operação.

O critério decisivo da democracia é a possibilidade de votar contra os partidos que há 40 anos destroem o país

corrupção vota contra corruptos Karl Popper, sobre democracia, responsabilidade e liberdade. 
(…)
Inicialmente, em Atenas, a democracia foi uma tentativa de não deixar chegar ao poder déspotas, ditadores, tiranos. Esse aspecto é essencial. Não se tratava, pois, de poder popular, mas de controlo popular. O critério decisivo da democracia é – e já era assim em Atenas – a possibilidade de votar contra pessoas, e não a possibilidade de votar a favor de pessoas. 
eleições voto contra corruptos

Foi o que se fez em Atenas com o ostracismo. (…)
Desde o início que o problema da democracia foi o de encontrar uma via que não permitisse a
ninguém tornar-se demasiado poderoso. E esse continua a ser o problema da democracia. (…)
Numa democracia, é essencial a consciência da responsabilidade, a responsabilização daqueles que detêm o poder e o exercem. Tudo gira à volta disso.
Responsabilidade significa responder a uma acusação. É nisso que consiste, fundamentalmente, o ser responsável.
corrupção legislativas corrupção 2015Dar respostas às criticas e afastar-se quando essas respostas não forem suficientemente convincentes.
Trata-se, por consequência, não de conduzir o povo, mas de dar satisfação ao povo. (…)
cidadania civismo corrupção legislativasTeríamos de ser democratas, ainda que se viesse a provar ser a ditadura economicamente mais eficaz. Não devemos trocar a nossa liberdade por um prato de lentilhas! Todavia, é evidente que a democracia é mais bem sucedida, e por uma razão puramente humana. Ela é mais bem sucedida porque a iniciativa humana e a força criativa do Homem estão natural e intimamente associadas à liberdade. Só se for possível falar livremente, poderemos desenvolver as nossas ideias. Sempre que numa sociedade moderna a
criatividade e a iniciativa são reprimidas, as coisas correm pior para esses países do ponto de vista económico.
(…) A riqueza é uma consequência da liberdade, da iniciativa e, sobretudo, da liberdade de expressão.
Karl Popper: "Temos pois de proclamar, em nome da tolerância, o direito de não sermos tolerantes com os intolerantes."
(Excertos de uma entrevista de Manfred Schell a Karl Popper, publicada em exclusivo no jornal Público em 1990 – sublinhados do transcritor)

Talvez este virar de costas de alguns cidadãos para a política, seja resultado da decepção, da sua "imundice" do seu "aparelho", da sua "porca existência".

O maior problema de Portugal é a corrupção, mas os partidos nem falam disso na campanha, acusa Marinho Pinto

É TABU... NINGUÉM FALA DE CORRUPÇÃO E O POVO ESQUECE QUE O PS TEM VÁRIOS CASOS A DECORRER NA JUSTIÇA, ASSIM COMO O PSD E CDS..



MARINHO PINTO critica o PS, PSD, CDS, PCP E BE, pela farsa das campanhas eleitorais, porque todos eles sabendo que o maior problema de Portugal é a corrupção, nem tocam nos assuntos sobre a corrupção nem sobre os corruptos que estão presos ou a ser investigados por corrupção politica, em exercício de cargos públicos. Tudo isto porque também nenhum deles tem nos seus programas planeado um combates à corrupção.
Encobrem-se uns aos outros e ninguém fala dos escândalos de uns e de outros.
Critica ainda a comunicação social que se limita a colocar o microfone à frente dos políticos sem sentido critico nenhum, repetindo apenas o que eles dizem mesmo que sejam mentiras.

Criticou os principais partidos políticos por considerar que não querem debater, na campanha eleitoral para as próximas legislativas, o tema da corrupção
"Não querem falar da corrupção, porque isso prejudica-os. Os grandes corruptos de Portugal estão dentro do PS, do PSD e do CDS", afirmou à agência Lusa Marinho e Pinto
Pinto acusou "PS, PSD/CDS-PP, CDU e Bloco de Esquerda, os partidos que estão no sistema", de fazerem uma "encenação grotesca" e "palhaçada eleitoral" para "distrair" os portugueses "dos problemas fundamentais".
"Esses partidos políticos não discutem a corrupção, nem o tráfico de influências, nem a
promiscuidade entre política e negócios", disse, observando que o tema esteve ausente dos debates entre Passos Coelho e António Costa.

"Vão debater o quê? O José Sócrates? Então, e o Miguel Macedo? Vão debater o Armando Vara? Então, e o Dias Loureiro e Oliveira e Costa? Não querem debater isso, querem fingir que tudo isso não existe", insistiu.
O candidato do PDR referiu que, em contrapartida, andam a discutir "quem é que chamou a 'troika'", considerando que se trata de "tentativas, absolutamente primárias, de chamar estúpidos aos eleitores".

A corrupção sofisticou-se e fortaleceu-se. Prepara-se para dar o golpe de misericórdia na democracia.

Corrupção fatal 
A política foi capturada pela corrupção. E este fenómeno, preocupante em qualquer sociedade, assume em Portugal características dramáticas. É ostensiva e desenvolve-se à vista de todos. É muito cara e sistémica, confundindo-se com o próprio regime.
Os casos de corrupção repetem-se de forma visível: corrupção na Expo 98, no Euro 2004, na compra de submarinos, no BPN, nas parcerias público-privadas e nos ‘swaps’, no BES… tudo às claras! A corrupção esmaga-nos.
Com a força que ostenta, impõe silêncio e medo. E é cara: só o escândalo do BPN terá depauperado os cofres públicos em sete mil milhões. Os custos acumulados de todos estes casos representarão mais de 30% da dívida pública! Mas a pior das características da corrupção é que ela é sistémica, desenvolve-se no seio da própria política. No caso das PPP rodoviárias, como noutros, os políticos que em sucessivos governos lançaram os negócios foram mais tarde colaborar com as empresas que haviam beneficiado. Os ex-ministros das Obras Públicas foram trabalhar nas concessionárias privadas: Ferreira do Amaral preside à Lusoponte, Jorge Coelho administrou a Mota-Engil. Para onde foi também Valente de Oliveira.
A corrupção nacional estendeu os seus tentáculos por vários continentes.
No megaescândalo ‘Mensalão’, no Brasil, o banco de referência era o BES, a PT estava também envolvida.
Em Angola, foi também o BES um dos principais veículos de ligação entre os chineses e o poder corrupto de Luanda.
Com estas características, a corrupção compromete o nosso futuro e até o futuro dos nossos netos. Pois o estado vem celebrando negócios ruinosos com prazos de décadas: muitas das PPP prolongam-se por 40 anos; há contratos de concessão e gestão de água que garantem rendas à Mota-Engil, em Gaia, por 25 anos; ou até à DST, em Braga, por 50 anos!
A corrupção sofisticou-se e fortaleceu-se.
Prepara-se para dar o golpe de misericórdia na democracia. Paulo Morais

Visite a colecção de videos que confirmam a tragédia

Mais 2 milhões de impostos para o lixo, no país onde os partidos nunca são responsabilizados porque os eleitores não usam o voto


Treze anos depois de a obra ter sido entregue a uma empresa de um amigo de Sócrates, o edifício que se destinava à PSP de Cascais está em vias de ir abaixo.
O edifício de grandes dimensões que começou a ser construído há 13 anos para acolher a Divisão da PSP de Cascais e nunca foi acabado vai provavelmente ser demolido, afirmou ontem o presidente da câmara local, Carlos Carreiras. Em alternativa, a polícia, que se encontra há décadas num espaço sem quaisquer condições, irá ocupar, em data ainda desconhecida, o antigo Quartel Militar da Bateria da Parede, recentemente comprado pela câmara ao Estado.

Carlos Carreiras já tinha manifestado, no início do mês, a intenção de contribuir para que a PSP deixasse as instalações "degradantes" e provisórias em que está há mais de 60 anos, confirmou agora à Lusa que a divisão vai ser transferida para o antigo Quartel da Parede. "Já fechámos o acordo com o Ministério da Administração Interna (MAI), que apoiou também a decisão camarária de fornecer à PSP um conjunto de materiais de segurança dos agentes", disse o autarca. Segundo noticiou na semana passada o Jornal da Região, citando o autarca, o edifício da antiga Brigada Fiscal, junto à lota de Cascais, acolherá também uma esquadra territorial e um serviço policial de apoio aos turistas. A decisão de realojar a PSP, disse Carlos Carreiras à Lusa, deverá obrigar à demolição do controverso "edifício amarelo", um complexo de seis pisos que começou a ser construído em 1999 na Av. Engenheiro Adelino Amaro da Costa, perto do tribunal da vila, para acolher todos os serviços da divisão de Cascais.

Corrupção espalha-se mais facilmente quando o poder está concentrado em apenas um ou dois partidos

Na Suiça, um dos países menos corruptos do mundo, onde a democracia serve o interesse do país e do seu povo, os governos são formados por 7 membros de vários partidos... 




Nos países menos corruptos do mundo, governa-se sem maiorias, no caso da Finlândia a estrutura do poder é de coligação: 
Corrupção espalha-se mais facilmente quando o poder está concentrado em apenas um ou dois partidos, é por isso que na Finlândia se promove a tomada de decisão através do debate e consenso. O Conselho de Ministros tem mais poder que o Presidente da República. A responsabilidade das decisões é dividida por vários, e não por 1 ou 2 partidos. ARTIGO COMPLETO: 

Nas verdadeiras democracias, onde não se apoia a corrupção onde o interesse nacional é protegido e o povo representado, as pessoas percebem que quanto mais dividido estiver o poder de decidir, dos governantes, mais difícil é abusar do poder, roubar e lesar o estado.

Parque Escolar a empresa Pública criada no governo Sócrates, perde milhões nos tribunais arbitrais,sempre contra os privados


OS NOSSOS GOVERNANTES TIVERAM A LATA DE CRIAR UM TRIBUNAL PARA LEGALIZAR O SAQUE DOS CORRUPTOS


E OS TRIBUNAIS ARBITRAIS ESTÃO A FUNCIONAR BEM CONTRA O ESTADO, TAL COMO MARINHO BEM EXPLICA NO VIDEO:
Litígios para dirimir conflitos com empreiteiros e projectistas envolvem mais de 300 milhões de euros. Até agora só ganhou um, que vale 75 mil
A Parque Escolar (PE) perdeu até ao momento nove dos dez processos nos tribunais arbitrais que foram criados para dirimir conflitos contratuais com empreiteiros e projectistas. Fonte ligada a estes processos revelou ainda ao i que estão em curso mais de 30 arbitragens envolvendo mais de 300 milhões de euros. Em causa estão não só litígios relativos a incumprimentos na execução dos contratos de empreitadas (a grande maioria), mas também com projectistas e empresas de fiscalização de obras. No único processo que a empresa pública ganhou, o encaixe foi de apenas 75 mil euros. A PE chegou a anunciar que iria aplicar multas por violações contratuais no valor de quase 250 milhões de euros, mas neste momento, entre os pedidos de empreiteiros (anulação de multas e indemnizações) e da empresa de capitais públicos (confirmação das multas e indemnizações por despesas extraordinárias no aluguer de contentores e fiscalização, entre outras razões), estarão em jogo entre 300 e 400 milhões de euros.

António Costa ajuda a promover a Galp com obra de 465 mil euros, paga pelo contribuintes

Ponte ciclável e pedonal sobre a Segunda Circular vai servir para quê?
A obra foi concebida só para ligar Telheiras aos edifícios em que a empresa que paga dois terços do custo tem a sua sede.
A obra vai custar à Câmara de Lisboa 465 mil euros  — ficando os restantes 900 mil a cargo do grupo Galp. Para assegurar uma saída às bicicletas que atravessarão a ponte para sul, a autarquia está agora a fazer um troço de ciclovia que lhe custará 236 mil euros e ligará ao Estádio Universitário, replicando uma pista, quase paralela, construída há dois anos em Telheiras.
O PÚBLICO perguntou por escrito ao vereador José Sá Fernandes, se a Câmara possui algum estudo sobre a procura potencial da nova ponte, por peões e ciclistas, mas não obteve resposta. Nem a essa, nem a outras questões.
A criação da ponte laranja tem sido genericamente bem acolhida pelos utilizadores de bicicletas, embora haja quem tenha dúvidas sobre a sua utilidade, localização e prioridade. Ao nível político, a obra, nos termos em que foi negociada com a Galp, contou, em Março passado, com os votos contra de todos os vereadores da oposição (PSD, CDS e PCP).

Ambas as obras, a ciclovia e a ponte que a liga à sede da Galp, por cima da Segunda Circular, bem como a repavimentação da pista ciclável do Campo Grande, seriam suportadas pela Fundação Galp.
Mais tarde, em Setembro de 2011, quando o projecto foi apresentado publicamente, a nota de imprensa divulgada pela Galp continuava a dizer apenas  que a ponte iria “completar a ligação entre a ciclovia de Telheiras e as Torres de Lisboa, onde se encontra a sede da Fundação Galp”. Nessa altura foi anunciado que o seu custo seria de 1,2 milhões de euros, nada se dizendo quanto à participação do município no investimento.
Implícito ficou, e assim foi noticiado, que a Galp pagaria tudo. O presidente da Câmara, António Costa, também nada disse sobre o financiamento.
O que ficou também por esclarecer foi que alternativa restaria aos ciclistas que passassem a ponte  — a não ser voltar para Telheiras, ou envolverem-se no trânsito automóvel.

"Sócrates foi a pior coisa que aconteceu na democracia portuguesa nos últimos 40 anos."

É talvez altura de nos curarmos de vez do socratismo.
Durante muitos anos muita gente não quis ver, não quis ouvir, não quis ler, recusou tomar conhecimento. Sócrates estava acima disso. Sócrates não tolerava dúvidas. Mas é altura de aceitar a realidade.
Uma parte do país – e um contingente notável de comentadores – parecem continuar em estado de negação. Durante anos não quiseram ver, não quiseram ouvir, não quiseram admitir que havia no comportamento de José Sócrates ministro e de José Sócrates primeiro-ministro demasiados “casos”. Em vez disso só viram cabalas, só falaram em perseguições, só trataram eles mesmo de ostracizar ou mesmo perseguir os que se obstinavam em querer respostas, os que insistiam em não ignorar o óbvio, isto é, que Sócrates não tinha forma de justificar os gastos associados ao seu estilo de vida.

Agora, que finalmente a Justiça se moveu, eles continuam firmes na sua devoção – e nas suas cadeiras nos estúdios de televisão. Não lhes interessa conhecer o que se vai sabendo sobre os esquemas que Sócrates utilizaria para fazer circular o dinheiro, apenas lhes interessa que parte do que foi divulgado pelos jornais devia estar em segredo de Justiça. Antes, anos a fio, quando não havia segredo de justiça para invocar, desvalorizaram sempre todas as investigações jornalísticas que tinham por centro José Sócrates.

Isto é doentio e revela até que ponto o país ainda não se libertou da carapaça que caiu sobre ele nos anos em que o ex-primeiro-ministro punha e dispunha.
Nessa altura também muitos, quase todos, se recusavam a ver, ouvir ou ler, até a tomar conhecimento. Não me esqueço, não me posso esquecer que quando o Público, de que eu era director, revelou pela primeira vez a história da licenciatura, seguiu-se uma semana de pesado silêncio que só foi quebrada quando o Expresso, então dirigido por Henrique Monteiro, resistiu às pressões do próprio Sócrates e repegou na história e denunciou as pressões. Não me esqueço que tivemos uma Entidade Reguladora da Comunicação Social que fez um inquérito e concluiu que o silêncio de toda a comunicação num caso de evidente interesse público não resultara de qualquer pressão – a mesma ERC que depois condenaria a TVI por estar a investigar o caso Freeport. Como não me esqueço de como uma comissão parlamentar chegou mais tarde à mesma conclusão, tal como não me esqueço de como vi gestores de grandes empresas deporem com medo do que diziam.

Muitos dos que agora rasgam as vestes porque o antigo primeiro-ministro foi detido no aeroporto foram os mesmos que nunca quiseram admitir que havia um problema com Sócrates, com os seus casos, com o seu comportamento, com o seu autoritarismo. E também com o seu estilo de vida.
Há momentos que chegam a ser patéticos. Como é possível, por exemplo, que um homem supostamente inteligente, como Pinto Monteiro, queira que nós acreditemos que foi convidado por José Sócrates para um almoço, de um dia para o outro, numa altura em que o cerco se apertava, e que, naquele que terá sido o seu primeiro almoço a sós, só falaram de livros e viagens, como se fossem dois velhos amigos? Como é possível que continue a defender a decisão absurda sobre a destruição das escutas? Ou a achar que nada mais podia ter sido feito na investigação do caso Freeport?