
Libertinagem de imprensa
Vivem-se em Portugal sucessivos casos Etagretaw. Os casos Etagretaw, uma especialidade portuguesa, são casos Watergate ao contrário: em vez de serem escândalos políticos denunciados por jornalistas, são escândalos jornalísticos denunciados por políticos
É sempre a mesma coisa: isto das liberdades acaba por redundar em libertinagem. Ao abrigo da liberdade de imprensa, vários jornalistas têm urdido uma astuta conspiração contra Miguel Relvas. Primeiro, Pedro Rosa Mendes fez-se à censura. Como os futebolistas que se fazem ao penalty, o jornalista encostou-se ao adversário e atirou-se para o chão. Maldosamente, guardou para o fim do contrato um texto muito azedo acerca de um programa televisivo gravado em Angola para depois associar a normal (e há muito prevista, embora em segredo) cessação do contrato a um episódio de censura. Ricardo Alexandre, outro jornalista, conluiou-se com Rosa Mendes e demitiu-se, depois de confirmar que as crónicas tinham acabado por causa do que lá era dito, e não porque o contrato estivesse no fim.
Entretanto, uma jornalista, uma editora e toda a direcção do jornal Público acusam agora Miguel Relvas de ter feito pressão sobre o jornal e ter ameaçado divulgar dados pessoais da jornalista na internet. Mais uma vez, a maquinação é muito bem urdida. A especial perfídia dos jornalistas está no facto de a história ser verosímil. Como Relvas recebia relatórios de um senhor que era espião e tinha um arquivo cheio de dados relativos à vida privada de várias pessoas, a verosimilhança das ameaças pode convencer os parvos. Mas, em Portugal, o que parece, não é. E o que não parece ainda é menos. Na verdade, em Portugal, quase nada é.
Relvas não é o primeiro político a ser alvo de uma conspiração jornalística. No tempo de Sócrates, vários profissionais da comunicação social fizeram de tudo para simular que estava em curso uma operação do Governo para controlar a TVI. Felizmente, no nosso país estes estratagemas não são bem sucedidos, e os políticos não se deixam apanhar nas ratoeiras. Sócrates acusou o Jornal de Sexta da TVI de ser um telejornal travestido; Relvas acusa o Público de fazer jornalismo interpretativo. Denunciados o travestismo e a interpretação, puderam continuar a sua vida.
No fundo, vivem-se em Portugal sucessivos casos Etagretaw. Os casos Etagretaw, uma especialidade portuguesa, são casos Watergate ao contrário: em vez de serem escândalos políticos denunciados por jornalistas, são escândalos jornalísticos denunciados por políticos.

Quando tentaram silenciar Ana Leal
Jornalista agredida
O paraíso da corrupção
O paraíso dos tachos
O paraíso do BPN
em 4 de março de 2014 toda a banca do planeta vai fechar
ResponderEliminarvão então perceber para que serviu todo este folclore
em que se baseia para afirmar isso?
EliminarAcaba o carnaval
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