03 dezembro, 2015

A democracia é o que os eleitores permitem que ela seja.

UM DOS MELHORES RETRATOS DA NOSSA "DEMOCRACIA".
A náusea
Conhecem aquele tipo de beatas ou ratas de sacristia, essas matronas que se apoderam das igrejas católicas, mudam as dálias do altar, barricam o acesso aos padres e lhes engomam os paramentos em êxtases ambíguos, destratando os humildes e adiantando-se nas naves para serem as primeiras a comungar, de olhos em alvo e estendendo, papudas, as mãos à hóstia? Essas, precisamente! E sabem por que motivo me enervam mais do que qualquer pecador cristão? É simples: porque não pecam na casa delas, mas na de Jesus.
Ora bem. É seguindo a mesma lógica que certos socialistas me revoltam mais do que qualquer burguesia exploradora, pelas mentiras, falcatruas e conspiratas que fazem, servindo-se dos clichês humanistas para depois se borrifarem nos pobres, aburguesando-se num crescendo assustador e apoderando-se, um a um, de todos os confortos dos ricos ou do que entendem por «alta sociedade»: o carrito de luxo, a casita com piscina, a contita na Suiça - tudo ambições humanas, mas anãs.
Ao contrário, a Direita, sendo egoísta, comodista, diletante, individualista - tudo o que quiserem, reconheço - ao menos não mistifica as suas prioridades!
Em suma: não há partidos, há pessoas, e a ambição é comum às duas margens, já o sabemos. Mas a de alguns socialistas é tão execravelmente hipócrita que acaba por enojar quem, como eu, neta de salazaristas, foi tão pronto a entender a bênção da democracia que chegou a dar-lhes, penitente e escrupuloso, o benefício da dúvida.
O exemplo começou com o mais emblemático dos paladinos da liberdade e da justiça: El Rei Dom Mário Soares e os seus sucessivos citroëns de luxo, personalizados como um monograma, os tailleurs Chanel da Maria Barroso, talhados no Ayer, e as suas casinhas na cidade, serra e praia, para se aquecerem ou refrescarem consoante as estações do ano - e, finalmente, até uma Fundação para se distraírem na reforma; décadas depois, a coisa refinou: temos o Sócrates a vestir-se por estilistas da Rodeo Drive de Los Angeles, a ministrada anti-fascista a rolar em séries 5, e os quadros estratégicos das empresas públicas a ganharem salários que nem os banqueiros ganham - mete nojo!
(Atenção: escreve-vos a sobrinha de um Director Geral do Turismo *, casado e com cinco filhos, de rendimento modestíssimo, que, em Abril de 74, foi enjaulado em Caxias como um vulgar delinquente por alegado crime de peculato, por gastar - segundo a grelha da (in)Justiça Revolucionária - «demasiada água do Luso»! Miseráveis: não lhe arranjaram mais nada! E agora digam-me: visitar um tio na prisão por servir garrafas de água, nas funções representativas que ocupava, e ter de encará-lo atrás das grades prostrado pela desonra, para agora ver esta maltosa arrivista em lugares-chave, alguns deles profundamente desconhecedores de maneiras ou protocolo, a jantarem no Eleven e a regarem-se a Chivas?)
Palavra de honra: antes os políticos comunistas e bloquistas – autistas no seu radicalismo anacrónico e obviamente perigosos num cenário de poder – mas, apesar de tudo, com outra face, outra decência, outra coerência doutrinária!
E digo-vos mais: nem deveria ser gente como eu, apenas crítica ou sangrando sobre os escombros de uma pátria pilhada e demolida, a revoltar-se, mas os próprios socialistas, honestos e convictos da consistência da sua ideologia, a demarcarem-se, exigindo o afastamento de quem tão gravemente os embaraça, compromete e, por associação, os arrasta para este lodo de troça e de descrédito!
E só digo mais isto: coitados dos militares de Abril, analfabetos, que alinharam: foram usados! Cravos, sim, mas foi para lhes pregarem as mãos!
* Engº Álvaro José Ferreira Roquette, meu tio adorado que partiu sem rancores.
Por Rita Ferro

ARTIGOS SOBRE CIDADANIA
  1. Abstenção é inofensiva na luta contra a corrupção
  2. As alternativas para um voto válido e contra a corrupção
  3. O voto em branco e nulo sem valor
  4. Partidos portugueses que propõem democracia directa ou participativa e nova lei eleitoral.
  5. O medo que os políticos têm, que os eleitores indignados, comecem a votar...
  6. Voto em branco, nulo e abstenção sem poder
  7. Militares recusam golpe de estado, em democracia depõem governos pelo voto e não ao tiro.
  8. O voto jovem pode ser a solução para remover os partidos corruptos do poder.
  9. Mais de 1 milhão de abstencionistas fantasma. Governos oferecem 10% de abstenção
  10. Na Suécia, os eleitores eliminam a corrupção nas urnas. 90% dos eleitores votam,
  11. Povo acrítico Henrique Neto
  12. É preciso derrubar o partido parasita que elege corruptos
  13. Portugueses trocaram a lealdade ao país pela lealdade aos partidos.
  14. Abstenção tem um efeito perverso
  15. A NOSSA MANSIDÃO PROMOVE A CORRUPÇÃO.





25 novembro, 2015

Cândida de Almeida e Pinto Monteiro eram os mais destacados guardiões da corrupção.


João Cravinho contra a corrupção... salvo se for do PS.
João Cravinho, o político do PS com antiguidade suficiente para falar de cátedra da corrupção endémica que afecta a classe política diz muito claramente que " a corrupção beneficia uma guarda pretoriana intensíssima e que há uma tropa de choque da guarda pretoriana que protege a corrupção e é poderosíssima".
Ao ler isto lembramo-nos inevitavelmente de Cândida de Almeida e Pinto Monteiro que afirmaram publicamente que "Portugal não era um país de corruptos".
"A Justiça não está bem, mas não está tão mal como isso. Se corrermos a Europa, não encontramos Justiça melhor do que a portuguesa", disse Pinto Monteiro.(...)"
Cândida de Almeida, hoje magistrada no STJ e Pinto Monteiro, hoje jubilado do mesmo STJ, foram inevitavelmente dois dos mais destacados elementos dessa "tropa de choque" e mesmo do topo. Porquê? Diz Cravinho:
"Qual é o topo de elite dessa guarda pretoriana? São os inocentes úteis, os que estão sempre cheios de dúvidas e nunca sabem nada",

João Cravinho acha que " a corrupção mudou em Portugal e já não é o que era". Porque só nos últimos 10-15 anos subiu a reprovação da pequena corrupção." Cravinho acha ainda que " O grande problema é a corrupção por tráfico de influências. Há a ideia de que as decisões são tomadas por interesses. Isso mostra que há uma impossibilidade das instituições democráticas atacarem o sistema. Há até uma protecção pretoriana para esses interesses por parte de uma rede colocada no aparelho de Estado, com participação dos partidários, que é pluripartidária, em que, a cada eleição, muda quem decide, mas a rede está lá.
Há um grupo de avençados, que são pagos em carreiras políticas e que até podem achar que não participam na rede de corrupção, que não se reconhecem como agentes e beneficiários, mas são-no."

Este discurso de João Cravinho, redundante e algo deletério, deixa sempre tudo por dizer. Não nomeia evidentemente ninguém e deixa à imaginação de quem lê, a identificação dos não nomeados para estes óscares da corrupção.
É portanto uma corrupção sem corruptos.
E contudo, a João Cravinho é preciso perguntar o seguinte: quando se lembrou de desmantelar a antiga JAE, por ser um couto de corrupção, o que veio a seguir?
As parcerias público-privadas, além do mais. Sôfregamente defendidas por luminárias tipo Paulo Campos, outro inenarrável da nossa cena política, antes disso vivamente acolitados por advogados tipo José Miguel Júdice e Proença de Carvalho.
O que aconteceu com estas PPP? Cravinho saberá dizê-lo em modo claro e frontal? O que sobra da sua acção no antigo ministério das obras públicas? Qual o papel de um tal Lino, antigo comunista arrependido, neste lamaçal? Saberá dizê-lo, João Cravinho?

23 novembro, 2015

Marinho Pinto desafia Cavaco Silva, Carlos Costa e o governo a não esconderem o rasto do dinheiro do BES




Há pessoas que foram burladas pelos governador do Banco de Portugal, pelo presidente da Republica, e pelo governo. Tem responsabilidade politica.
O dinheiro que foi desviado deixa rasto eles que sigam esses rasto e devolvam o dinheiro ás pessoas.
 "Ando a pedir responsabilidades para aqueles que os levaram a investir num banco estrangeiro, como o presidente da República, que disse que o banco estava sólido e passadas três semanas antes dele se desfazer, como o Governo, como o governador do Banco de Portugal. O presidente da República acusou o governador do Banco de Portugal de o ter enganado e, como recompensa reconduziram Carlos Costa".
Marinho Pinto criticou o enriquecimento ilícito e aqueles que saíram a ganhar com a pobreza dos portugueses. "Para alguns empobrecerem houve outros que enriqueceram, às ocultas, em negociatas por debaixo da mesa com os políticos e o poder político. Nós podemos combater a pobreza em Portugal, com políticas corretas em favor do povo e não a favor dos membros do BES, ou do BPN, do BCP, ou desses bancos todos, que andaram a chular o país há décadas", acusa.

Dinheiro de pequenos acionistas do BES desviado para grandes clientes, para administradores do BES e para familiares e amigos.
O dinheiro colocado numa conta do Espírito Santo International, destinada a reembolsar papel comercial vendido a pequenos clientes, foi utilizado para pagar empréstimos a grandes clientes, conclui a auditoria forense pedida pelo Banco de Portugal à Deloitte.

A conta aberta no Banco Espírito Santo (BES), chamada de "conta escrow" e destinada a reembolsar quem comprou papel comercial aos balcões do ex-BES, foi utilizada para pagar a grandes clientes do "private banking", sendo assim classificada como "potencial desobediência ilegítima" por parte do Banco de Portugal, segundo o primeiro sumário executivo da auditoria forense realizada pela Deloitte, a que a Lusa teve hoje acesso.

O documento, o primeiro dos cinco realizados pela auditora, refere que houve "saídas de fundos" da conta "escrow" no montante de cerca de 740 milhões de euros "para reembolsar papel comercial da Espírito Santo International (ESI) que era detido por clientes do BES não classificados internamente no segmento 'retalho'", dos quais 500,5 milhões foram destinados a "clientes 'private'" e 239 milhões referentes a clientes de outros segmentos.

Recorde-se que a criação da conta para fazer face ao reembolso do papel comercial da ESI colocado em clientes de retalho do BES foi determinada pelo Banco de Portugal a 3 de dezembro de 2013.
A intenção era que fosse aberta uma conta à ordem que fosse utilizada por recursos alheios ao Espírito Santo Financial Group (ESFG) com valores equivalentes à dívida emitida pela ESI e detida por clientes do BES na sequência da colocação na respetiva rede de retalho, "devendo essa conta ser exclusivamente destinada ao reembolso dessa dívida", refere a auditoria forense.
Outra potencial desobediência ilegítima identificada na auditoria foi o pagamento de 80 milhões de euros ao Millennium BCP e 40 milhões ao Montepio Geral, no total de 120 milhões de euros, para liquidar empréstimos à ESI, quando este dinheiro deveria ter sido utilizado para o reembolso de papel comercial.

A auditoria forense adianta, sobre este montante de 120 milhões, que não existe "evidência de que tenham sido destinados a reembolso de papel comercial da ESI colocado em clientes de retalho do BES".
O documento revela ainda que houve potencial desobediência junto do Banco de Portugal quando foi reembolsado papel comercial da ESI a clientes do BES Açores, cerca de 52 milhões de euros, e a clientes do Banco Best, no valor de 23 milhões de euros.
Outra potencial desobediência detetada pela auditoria é a saída de fundos da referida conta de cerca de 74 milhões de euros no dia 19 de fevereiro do ano passado "para reembolso antecipado de obrigações da ES Irmãos com maturidade em 3 de março de 2014, detidas por um cliente não classificado internamente no segmento 'retalho' e custodiadas na SFE Madeira".

A administração do BES liderada por Ricardo Salgado "desobedeceu ao Banco de Portugal 21 vezes entre dezembro de 2013 e julho de 2014" e "praticou atos dolosos de gestão ruinosa", conclui a auditoria pedida à Delloite.
A informação, avançada na noite de quarta-feira pela edição 'online' do Jornal de Negócios (JdN), aponta também a conclusão de que o BES concedeu "financiamentos em violação das regras".


19 novembro, 2015

Os deputados divididos entre os subornos dos privados e o salário "miserável" de deputado

NESTE VIDEO É EXPOSTO UM FENÓMENO QUE EXPLICA A IMPORTÂNCIA DE SE TER OU NÃO TER O BENEFÍCIO DAS INFLUÊNCIAS DE POLÍTICOS NAS EMPRESAS




Deputados são escolhidos a dedo para exercerem o poder público em áreas de intervenção, onde detêm interesses em empresas amigas, privadas. 
O deputado João Serpa Oliva, o conflito de interesses entre os cargos públicos e privados.
João Serpa Oliva, eleito nas listas do CDS-PP, integrava a Comissão de Saúde (CS), tal como na legislatura anterior.
Funções que acumulava com as de administrador da Serpa Oliva Lda. (desde 1999) e da Melhormatik (desde 2008).
gustavo sampaio priveligegiados
Também é presidente da Assembleia Geral da FMUC (desde 2010).
A Serpa Oliva Lda. e a Melhormatik operam no sector da Saúde, enquanto a FMUC se dedica ao fabrico de artigos de papel para uso doméstico e sanitário (incluindo equipamentos para uso clínico).
Aos cargos de administração correspondem participações sociais: Serpa Oliva detém 100% do capital da Serpa Oliva Lda. e da Melhormatik e 9% da FMUC. 
Mais, possui uma quota de 6,5% do capital da SANFIL – Casa de Saúde de Santa Filomena, através da Si Vales (uma SGPS).
A SANFIL opera no sector da Saúde e celebrou dois contratos por ajuste directo com o Hospital de José Luciano de Castro, instituição pública da cidade de Anadia, enquanto Serpa Oliva era deputado e membro da CS: um para a «aquisição de meios complementares de diagnóstico nas áreas da radiologia, medicina nuclear e anatomia patológica», datado de 17 de Outubro de 2012, no valor de 66.502,25 euros, em conjunto com outras entidades adjudicatárias; outro para a «aquisição de serviços de meios complementares de diagnóstico e terapêutica», datado de 15 de Fevereiro de 2013, no valor de 5023,00 euros.
Serpa Oliva é ainda médico consultor da SANFIL e das companhias de seguros Fidelidade Mundial, Império Bonança e Tranquilidade, do Grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD). A venda da área dos seguros do Grupo CGD está prevista no memorando de entendimento entre Portugal e a Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional), no âmbito do programa de apoio financeiro internacional ao Estado, mas ainda não avançou.
Fonte: LIVRO: «Os Privilegiados» de Gustavo Sampaio

Outro exemplo de deputados colocados na área onde possuem
gustavo sampaio privilegiados corrupção
interesses ou amigos.
O deputado Nuno Reis e as suas ligações à Indústria de gases medicinais
O deputado Nuno Reis é membro efectivo da Comissão de Saúde (CS) e coordenador do Grupo Parlamentar do PSD para a área da Saúde.
Até ser eleito deputado pela primeira vez na XI Legislatura, que teve início a 15 de Outubro de 2009, foi gerente das empresas Medicalbar – Gases Medicinais (2003 a 2009) e Aerovida – Distribuição de Gases Medicinais (2005 a 2009).
Também foi director comercial da empresa Gásdome – Gases Medicinais (2002 a 2009), na qual mantém até hoje uma quota de 2% do respectivo capital. São três empresas que operam no sector da Saúde. “Só poderia existir um eventual conflito de interesses se não estivesse a exercer funções de deputado em regime de exclusividade”, ressalvou no dia 30 de Agosto de 2011.
Fonte: LIVRO: «Os Privilegiados» de Gustavo Sampaio

NESTE VIDEO PAULO MORAIS EXPÕES MAIS UMA LISTA DE DEPUTADOS PROMISCUOS.




16 novembro, 2015

O grande salto para o endividamento de Portugal, fez-se no período 2000 a 2008

Entre 1995 e 2000, Portugal manteve uma dívida pública, em percentagem do PIB, substancialmente inferior à média da Europa. 
O grande salto para o endividamento faz-se no período 2000 a 2008, antes da crise internacional. 
Em 1995, só 4 países tinham dívidas mais baixas do que o nosso país. 
Em 2000, Portugal tinha das dívidas mais baixas; só 3 países (Irlanda, Reino Unido e Finlândia) tinham valores inferiores. 
Em 2008, só 3 países (Grécia, Itália e Bélgica) tinham valores superiores. 
Nenhum país conheceu neste período maior acréscimo do peso da dívida. 
Neste período, metade dos países conheceram decréscimos. Tivemos um acréscimo de 42,1% contra uma média de apenas 0,5% em média na Europa. Já no período pós-crise, embora Portugal esteja entre os países que mais viu crescer a dívida, a diferença é menos marcante; tivemos um acréscimo de 50,6% contra uma média de 39% e 3 países (Irlanda, Espanha e Reino Unido) conheceram um crescimento maior.

A narrativa que atribui à crise o insuportável endividamento publico português não é apenas uma atrevida e errónea interpretação do passado. Ela serve o desígnio de alimentar a insistência nos mesmos erros de política económica que nos trouxeram à desgraçada situação de falência: sempre mais dívida, agora trasvestida de euro-obrigações, obrigações de projecto, acréscimo de créditos e de massa monetária do BCE e o mais que por aí circula loucamente. Justifica-se, assim, duplamente a sua refutação. Avelino de Jesus no Jornal de Negócios

A continuação da subida vertiginosa da dívida mesmo após a saída de Sócrates, não se deveu à continuação das obras públicas, pois essas pararam. Não se deveu ao aumento de subsídios e outros benefícios sociais sem critério. Deveu-se aos compromissos assumidos no governo Sócrates com as PPP e com os credores.

12 novembro, 2015

Deputado António Leitão Amaro representa empresas privadas que recebem milhões do estado.

Como bem sabemos o abuso descrito em baixo, é já um hábito não de um partido especifico, mas de todos que possuem poder e influências.
Cargos no sector público... 
Iniciou a XII Legislatura - a 20 de Junho de 2011 - como deputado à AR, mas acabou por transitar para o Governo em funções. António Leitão Amaro foi empossado como secretário de Estado da Administração Local em 2013. A partir de então cessou o exercício dos cargos de membro efectivo e coordenador do grupo parlamentar do PSD na Comissão do Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local (CAOTPL) e membro suplente da CEOP.
Na XI Legislatura, entre 2009 e 2011, Leitão Amaro foi membro efectivo da CAOTPL e membro suplente da Comissão de Assuntos Económicos, Inovação e Energia (CAEIE), além de ter integrado dois grupos de trabalho: Regulação da Concorrência e Defesa do Consumidor; Energia e Eficiência Energética.

No privado... 
Em simultâneo, foi membro do Conselho de Administração e detentor de 14% do capital da Construtora do Caramulo, entre 2006 e 2013. Mais precisamente até ao dia 28 de Fevereiro de 2013, data em que afirma ter cessado o mandato e vendido a posição accionista. Tem ainda uma participação de 7% no capital da Arbogest (desde 1990), empresa que se dedica à recolha, transporte e comercialização de resíduos florestais, à implementação de empreendimentos florestais e ao comércio de madeiras e seus derivados, entre outras actividades.
E outra participação de 30% do capital da Belongplanet - Distribuição, Comércio e Exportação de Mercadorias.

Para ele não há conflitos de interesses.
“Não há conflito de interesses porque a Construtora do Caramulo não tem praticamente actividade operacional, limita-se a deter participações financeiras em sociedades”, assegurou Leitão Amaro no dia 30 de Agosto de 2011, através de resposta escrita. De resto, “não realiza nem prevê realizar negócios com entidades públicas ou tuteladas pelo Governo ou autarquias locais”. Quanto à participação na Arbogest: “É absolutamente minoritária e não tenho qualquer papel ou poder na gestão da mesma sociedade.

Uma investigação mais aprofundada permitiu revelar que a Construtora do Caramulo detém uma participação financeira na Sociedade Nutroton, holding em cujo Conselho de Administração figura José Leitão Amaro, pai de António Leitão Amaro. Questionado sobre este novo dado, o deputado do PSD confirmou a ligação, em resposta escrita a 11 de Março de 2013: “A Construtora do Caramulo, SA detém uma participação minoritária de cerca de 28% da Sociedade Nutroton, SGPS. Sempre revelei este facto na minha página pessoal na Internet.”

Revitalizar empresas escolhidas a dedo?
O grupo Nutroton está associado ao Programa Revitalizar, criado pelo actual Governo para ajudar à recuperação de empresas. Na edição de 11 de Novembro de 2012, o jornal Correio da Manhã noticiou que o Programa Revitalizar já tinha recebido 227 candidaturas mas, até então, só tinha aprovado a revitalização de quatro empresas: Elnor, Álvaro Coelho & Irmãos, Unipavimentos e Nutroton. “A Nutroton - que tem duas empresas, a Nutroton SGPS e a Nutroton Indústrias da Avicultura SA, em insolvência – teve até há cerca de um ano Joaquim Coimbra como gestor da SGPS. Também José Leitão Amaro, pai do actual deputado do PSD António Leitão Amaro, surge como membro do conselho de administração das duas empresas.”

Subsídios estratégicos?
Uma das empresas em insolvência, a Nutroton Indústrias da Avicultura, no segundo semestre de 2011 recebeu um subsídio do Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas (IFAP) no valor de 31.080,00 euros. No primeiro semestre de 2009 recebeu outro subsídio do IFAP no valor de 22.919,19 euros.
A Sociedade Nutroton também detém uma participação de 9% no capital do grupo Derovo, focado na produção e comercialização de ovoprodutos. Aliás, António Leitão Amaro foi “Gestor de Projecto de Internacionalização” na Derovo, entre Janeiro e Maio de 2009, ou seja, cerca de quatro meses antes de ser eleito deputado pela primeira vez. A Derovo também recebeu apoios do IFAP: no segundo semestre de 2011, subsídios de 31.561,76 euros para a Derovo - Derivados de Ovos, e 4.363.636,36 euros para a Derovo II - Produção e Comércio Avícola; no primeiro semestre de 2011, subsídio de 121.529,15 euros para a Derovo - Derivados de ovos.

Outra empresa ligada ao grupo Nutroton é a Nutroton Energias, constituída no final de 2007 com o objectivo de conservar e potenciar os investimentos no domínio das energias renováveis de dois grupos empresariais – o Grupo JVC, de Joaquim Coimbra, e o Grupo Nutroton, representado por José Leitão Amaro. Além do presidente Joaquim Coimbra e do administrador José Leitão Amaro, no Conselho de Administração da Nutroton Energias exerceu funções Luís Marques Mendes, ex-líder do PSD, como administrador executivo (desde Novembro de 2007). Marques Mendes abandonou o cargo em Dezembro de 2011, para se tornar consultor na Abreu Advogados.
Questionado sobre esta ligação da Construtora do Caramulo à Nutroton Energias, através da participação na Sociedade Nutroton, António Leitão Amaro respondeu por escrito a 11 de Março de 2013: “Há mais de um ano (em 1 de Março de 2012) a Nutroton SGPS vendeu a totalidade da sua participação na Sociedade Nutroton Energias.”
De qualquer modo, ressalva que “o Grupo Nutroton só tinha cerca de 24% da empresa Nutroton Energias. O que significa que a participação da Construtora do Caramulo era meramente financeira, indirecta e minoritária”.
Não foi possível confirmar qual a participação que o Grupo Nutroton deteve na Nutroton Energias, por entre referências em alguns documentos de que a Nutroton Energias teria no início um capital social de 1 milhão de euros, detido em partes iguais pelos grupos JVC e Nutroton, o que indica que a Nutroton teria 50%, e não 24%.

A Nutroton Energias tem dois contratos por ajuste directo registados no portal Base (1º quadro em baixo). A 19 de Novembro de 2010, a Guarda Nacional Republicana adjudicou, por 4.465,25 euros, a “aquisição de combustíveis para aquecimento (lenha de eucalipto)”.
A 30 de Abril de 2009, foi a Administração Regional do Centro que adjudicou uma “auditoria energética a edifícios dos Centros de Saúde de Cantanhede e Soure”, no valor de 12.300,00 euros.

Mais, um consórcio liderado pela Nutroton Energias obteve a adjudicação de dois lotes no âmbito do “Concurso Público para selecção de fornecedores de energia, serviços de gestão energética e serviços e equipamentos de produção de energia”, aberto pela Agência Nacional de Compras Públicas (ANCP) em 2008 e cujos contratos de adjudicação foram firmados no dia 16 de Abril de 2009, cerca de cinco meses antes de António Leitão Amaro se tornar deputado.

Nutroton SGPS
O “Consórcio N EcoEnergias - Nutroton Energia, SA / Iberfer, SA / Arbogest, Lda. - / Engasp, Lda. / A. Ramalhão, Lda. - / Auditene, Lda.” obteve a adjudicação de dois dos lotes a concurso: Lote 2c -Combustíveis para Aquecimento - Biomassa; e Lote 4 – Serviços de Auditoria Energética a outras instalações. Além da Nutroton Energias e da Iberfer (empresa do grupo Nutroton), o consórcio incluía a Arbogest, na qual António Leitão Amaro, recorde-se, tem uma participação de 7% do capital desde 1990.
Na deliberação do Conselho de Administração da ANCP de 19 de Fevereiro de 2009, o consórcio N EcoEnergias já aparece como primeiro colocado no Lote 2c, mas queda-se em terceiro no Lote 4, atrás dos concorrentes INEGI – Instituto de Engenharia Mecânica e Gestão Industrial e ISQ – Instituto Soldadura e Qualidade. Na soma ponderada dos custos, a proposta do INEGI era a mais barata (6600,00 euros), seguida pela do ISQ (8000,00 euros) e só depois pela da Nutroton (10.050,00 euros).

Na deliberação de 11 de Março de 2009, porém, a proposta da Nutroton passa para primeiro também no Lote 4, pois a ANCP afasta do concurso várias entidades, considerando a “adjudicação caducada”, por não apresentarem no prazo fixado todos os documentos de habilitação, ou não cumprirem os requisitos previstos. Entre as entidades eliminadas constam a INEGI e a ISQ, ambas por não apresentarem no prazo fixado todos os documentos de habilitação. Diversos concorrentes moveram acções de impugnação por terem sido afastados, mas a ANCP confirmou a adjudicação dos contratos a 16 de Abril de 2009. No que concerne ao Lote 4, foi adjudicado à proposta da Nutroton que implicava quase o dobro do custo da proposta do INEGI.

Questionado sobre esta participação da Arbogest num consórcio liderado pela Nutroton Energias que ganhou duas adjudicações num concurso público da ANCP, Leitão Amaro negou ter tido conhecimento, sequer, da formação do consórcio. “Não tive nenhuma participação, não tive conhecimento e não me recordo de o assunto ter sido apresentado ou discutido em qualquer reunião de sócios da Arbogest”, assegura em resposta datada de 12 de Março de 2013. De qualquer modo, sublinha que o concurso se realizou antes de se tornar deputado. “Como tal, não há qualquer relação entre esse concurso público e a minha função de deputado, nem qualquer potencial conflito de interesses.”

A decisão final da adjudicação do concurso público da ANCP foi tomada, de facto, cerca de cinco meses antes de Leitão Amaro se tornar deputado (a XI Legislatura teve início no dia 15 de Outubro de 2009). No entanto, a ligação de Leitão Amaro à Nutroton Energias, por via da participação da Construtora do Caramulo na Sociedade Nutroton, manteve-se até 1 de Março de 2012, data em que a Nutroton vendeu a participação que detinha na Nutroton Energias (segundo informação veiculada por António Leitão Amaro).
Durante esse período de tempo, a Nutroton Energias investiu na área das energias renováveis: tecnologias eólica, fotovoltaica, biomassa e mini-hídricas. Ora, entre 2009 e 2011 Leitão Amaro foi membro suplente da CAEIE e integrou o grupo de trabalho Energia e Eficiência Energética.

Embora fosse membro suplente, Leitão Amaro participou em diversas iniciativas da CAEIE. Nomeadamente na Audição Parlamentar n.° 15-CAEIE-XI, a 20 de Abril de 2010, em que se debateu o Plano Nacional de Energia, com a presença de diversos membros do Governo com responsabilidades no sector. Ou na Audição Parlamentar n.° 20-CAEIE-XI, a 30 de Junho de 2010, sobre a Estratégia Nacional de Energia, com a presença do secretário de Estado da Energia e da Inovação Carlos Zorrinho, do Governo de José Sócrates.
Quanto ao grupo de trabalho Energia e Eficiência Energética, quase todas as iniciativas se centravam em áreas relacionadas com a actividade da Nutroton Energias. Por exemplo, na Audiência Parlamentar n° 1-GT-EEE-XI, a 9 de Fevereiro de 2010, Leitão Amaro participou numa reunião com a Associação Portuguesa de Empresas do Sector Fotovoltaico (APESF) para uma “apresentação do sector”.

Confrontado com este eventual conflito de interesses, Leitão Amaro respondeu por escrito a 12 de Março de 2013: “O Grupo de Trabalho da Energia e Eficiência Energética funcionou sob a égide da Comissão de Economia da qual sempre fui membro suplente. Os membros suplentes não têm normalmente direito de voto nas deliberações da Comissão. O Grupo de Trabalho da Energia e Eficiência Energética teve como actividades realizar um conjunto de audições de entidades e preparar um relatório, sem alguma vez ter aprovado qualquer medida ou iniciativa legislativa ou qualquer recomendação ao Governo nesta matéria. Ou seja, não foi tomada qualquer decisão legislativa ou regulatória com impacto no sector da energia e nas suas empresas.”

Em Janeiro de 2010, a Nutroton Energias comprou 50% da Floponor – Florestas e Obras Públicas do Norte (último quadro em baixo, com milhões de euros em contratos com o estado), empresa de tratamento de resíduos de biomassa, com vista aos projectos das cinco centrais de biomassa que estava previsto construir nos anos subsequentes. Até ser adquirida pela Nutroton Energias, a Floponor não tinha qualquer contrato por ajuste directo registado no portal Base. Ora, desde que foi adquirida pela Nutroton Energias, em Janeiro de 2010, até à venda da participação na Nutroton Energias pela Sociedade Nutroton (no dia 1 de Março de 2012), a Floponor celebrou 18 contratos por ajuste directo com entidades públicas, num valor total que ascende a 11.966.572,73 euros. Entre as entidades adjudicantes contam-se a Autoridade Florestal Nacional ou os municípios de Lamego, Mangualde, Viseu, Moimenta da Beira, entre outros.
Em Janeiro de 2012, cerca de dois meses antes da venda da posição da Nutroton na Nutroton Energias, o grupo Fomentinvest, liderado por Angelo Correia, outro ex-dirigente do PSD, adquiriu 25% do capital da Floponor. O actual primeiro-ministro Pedro Passos Coelho foi administrador executivo da Fomentinvest entre 2007 e 2009.
Fonte: LIVRO: «Os Privilegiados» de Gustavo Sampaio

Para visitar os seguintes quadros no site do governo basta clicar na frase/link "Objeto do Contrato", logo na primeira coluna das tabelas.
Para ver as especificações de cada contrato, clicar no sinal +, na última coluna.

NUTROTON
Adjudicante
Adjudicatário
Ajuste Directo nº 25/SRLF/2010, do Comando Territorial do Porto, da...
4.465,25 €
19-11-2010
Guarda Nacional Republicana
NUTROTON ENERGIAS, SA
+
Auditoria energética a edifícios Centros de Saúde de Cantanhede e...
12.300,00 €
30-04-2009
Administração Regional do Centro, IP
Nutroton Energias,SA
+


ARBOGEST

09 novembro, 2015

Novabase recebe 74 milhões de euros do estado.Deputado do CDS, como consultor. Mais uma empresa protegida por todos os governos.

Conflitos de interesse privado versus público, nas Tecnologias de informação aplicadas à Defesa Nacional.
Quanto ganham as empresas privadas por albergarem tachos de políticos e ex políticos? E quanto perdem os contribuintes por terem os seus representantes, a representar os privados?
João Rebelo, deputado do CDS-PP, é vice-presidente da comissão da defesa nacional (CDN), tal como nas duas legislaturas anteriores, enquanto desempenha as funções paralelas de consultor da Novabase desde 2004. Aliás, é membro da CDN desde que foi eleito deputado pela primeira vez, em 1999, e integra a delegação portuguesa na APNATO desde 2002.
A Novabase é uma empresa privada portuguesa de tecnologias de informação que tem 932 contratos por ajuste directo com o Estado registados no portal Base
num valor total de 74.901.489,40 euros.

A Novabase é uma das tais empresas que tem sempre negócios garantidos com o estado. Esse mãos largas que ninguém protege.
Entre as dezenas de entidades públicas adjudicantes, (que contratam a Novabase), figuram o Ministério da Defesa Nacional - MDN (oito contratos, perfazendo um valor total de 1.460.901,94 euros), o Estado-Maior General das Forças Armadas - EMGFA (oito contratos, 158.082,95 euros), o Estado-Maior do Exército (nove contratos, 159.561,50 euros), o Estado-Maior da Força Aérea (dois contratos, 256.965,51 euros) e a Marinha (nove contratos, 203.114,72 euros). No total, 36 contratos, num valor de 2.238.626,62 euros, acordados entre a Novabase e o MDN, o EMGFA e os três ramos das Forças Armadas.

Dois dos contratos mais avultados focam publicados no portal Base nos dias 8 e 15 de Janeiro de 2009, adjudicados pelo MDN à Novabase, com o mesmo valor (650 mil euros cada) e o mesmo objectivo: “Apoio externo ao Sistema Integrado de Gestão da Defesa Nacional (SIG/DN).” Em despacho assinado no dia 19 de Novembro de 2009, o então ministro da Defesa Nacional, Augusto Santos Silva (do Governo de José Sócrates), autorizou “a renovação do contrato de prestação de serviços de apoio externo para a manutenção operacional do sistema integrado de gestão”, acordado entre o Estado e a Novabase, “pelo prazo de um ano”. Nesse sentido, desbloqueou “a realização da despesa emergente da renovação do contrato” no valor de 1.575.000,00 euros.
Mais, a 19 de Agosto de 2010, Santos Silva determinou a adjudicação à Novabase da aquisição de um sistema de informação integrado de suporte para a gestão de recursos humanos do Ministério da Defesa Nacional, pelo preço global de 650.000,01 euros (sem IVA).

A implementação do SIG/DN começou por ser adjudicada à SAP Portugal (sucursal de uma empresa multinacional fundada na Alemanha e especializada em software empresarial) pelo Governo de Durão Barroso, a 28 de Setembro de 2004, com o objectivo de modernizar o sistema informático do MDN. No dia 29 de Dezembro de 2006, porém, o contrato com a SAP foi revogado pelo Governo de José Sócrates.
O MDN alegou “incumprimento contratual” por parte da SAP e, em Julho de 2007, contratou a Novabase por ajuste directo, invocando razões de “urgência imperiosa” para fornecer o mesmo serviço. Por sua vez, o Tribunal de Contas (TC) chumbou o contrato por ajuste directo no dia 12 de Fevereiro de 2008, sublinhando a obrigatoriedade de um concurso público. “Estamos em presença de uma ilegalidade geradora de nulidade do acto de adjudicação”, lê-se no Acórdão n.° 4/2008 do TC. Não obstante, o jornal Sol noticiou na edição de 10 de Setembro de 2010 que “o MDN teve que pagar 995 mil euros pelos serviços prestados”.

No mesmo artigo é revelado que “enquanto Severiano Teixeira, ex-ministro da Defesa, não autorizava o avanço definitivo para o concurso a que foi obrigado pelo TC, a Novabase foi novamente contratada a 30 de Maio de 2008, “pelo período que durasse o procedimento concursal” – confirmou ao Sol fonte oficial da Defesa. [...] No mesmo dia em que contratou a Novabase, Severiano Teixeira abriu o concurso público reclamado. Mas a 18 de Novembro foi autorizado um novo ajuste directo à Novabase por 650 mil euros, já que o concurso se tinha prolongado no tempo”.

A Novabase foi também uma das empresas beneficiárias do Programa de Contrapartidas resultante da aquisição de 12 aeronaves pelo Estado português à EADS CASA, empresa espanhola da Divisão de Aeronaves de Transporte Militar da “European Aeronautic Defence and Space Company” (EADS), contratualizada no dia 17 de Fevereiro de 2006. “De acordo com o contrato assinado, a Novabase beneficiará de uma contratação de serviços num valor de 10 milhões de euros num horizonte temporal máximo de 10 anos”, informa o Relatório e Contas da empresa relativo a 2006.

Outra ligação entre a Novabase e o sector da Defesa passa por João Quadros Saldanha, vogal da Comissão de Vencimentos da empresa. Entre 2002 e 2004, João Quadros Saldanha foi membro do Conselho de Administração da EMPORDEF (Empresa Portuguesa de Defesa, a holding das indústrias de defesa portuguesas, cuja actividade consiste na gestão de participações sociais detidas pelo Estado em sociedades ligadas directa ou indirectamente às actividades de Defesa, como forma indirecta de exercício de actividades económicas), com os pelouros financeiro, de controlo de gestão e auditoria interna; vogal do Conselho de Administração da OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal; consultor do MDN para a negociação de contrapartidas; e membro do Conselho Fiscal da Novabase (cargo que ocupou entre 1991 e 2004).

Mais recentemente, a Novabase passou a integrar o consórcio Compass (liderado pela Empresa de Engenharia Aeronáutica, participada por organizações da indústria aeronáutica nacional e pelo Estado português, e do qual fazem parte empresas como a Criticai Software, Novabase, Edisoft, Empordef TI, Tekever e GMV), que concorre ao fornecimento dos sistemas de software para o KC-390, avião de carga militar fabricado pela empresa brasileira Embraer. A decisão da Embraer deveria ter sido tomada até Abril de 2013. O Despacho n.° 15136/2011, publicado em Diário da República no dia 9 de Novembro de 2011, determinou a participação financeira do Estado português no programa de desenvolvimento e produção da aeronave KC-390 num valor máximo de 30 milhões de euros, em complemento ao financiamento a ser prioritariamente assegurado através de meios financeiros a disponibilizar pelo Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN).

Nos registos da actividade parlamentar de João Rebelo, desde que se tornou consultor da Novabase em 2004, identificam-se várias situações em que os interesses da empresa privada e os interesses do Estado parecem entrecruzar-se.
Desde logo as audições e audiências em que participaram os sucessivos ministros da Defesa Nacional e as chefias do EMGFA e dos três ramos das Forças Armadas. Ou iniciativas como, por exemplo, a inquirição ao ministro da Defesa Nacional, datada de 26 de Novembro de 2010. “Confirma que terá sido pedida informação aos diversos ramos, para a libertação de verba, sobre a justificação para todas as aquisições?”, questionou Rebelo.

Mais, numa altura em que a Novabase concorre a um contrato de fornecimento de software para a aeronave KC-390 da Embraer (com apoio financeiro do Estado português e diversas entidades públicas envolvidas) e aposta fortemente no sector da aeronáutica, João Rebelo, no âmbito da actividade na CDN, emitiu um parecer sobre a Proposta de Lei 118/XII que “define as competências, a estrutura e o funcionamento da Autoridade Aeronáutica de Defesa Nacional“, tendo participado activamente no processo de discussão e votação do projecto (aprovado na generalidade na Reunião Plenária n.° 37, a 4 de Janeiro de 2013).

Novabase
A aposta da Novabase no sector da aeronáutica não se limita à vertente militar, abrangendo também a aviação civil. “Com projectos desenvolvidos na área da Defesa, Aeronáutica, Aeroespacial, Controlo de Tráfego Aéreo, em vários países europeus, a Novabase tem na sua base de clientes instituições internacionais, agências europeias, companhias aéreas, fabricantes de aeronaves, aeroportos, entre outros.” Um desses clientes, aliás, é a NAV Portugal, empresa pública que garante a prestação dos serviços de tráfego aéreo – serviço de controlo de tráfego aéreo, serviço de informação de voo e serviço de alerta.
Como tal, não deixa de ser relevante a nomeação, por parte do actual Governo (através de despacho assinado a 22 de Novembro de 2011), de uma nova administração do Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), o qual tem como principal missão regular e fiscalizar o sector da aviação civil e supervisionar e regulamentar as actividades nesse sector. O Conselho Directivo do INAC passou a ser composto por três elementos: um presidente e dois vogais.

Um dos vogais nomeados é Paulo Soares, militante do CDS-PP e dirigente do Núcleo de Freguesia de Canidelo, integrado na Concelhia do CDS-PP de Vila Nova de Gaia. Também integrou uma lista de candidatos do CDS-PP às eleições legislativas de 2009 pelo círculo eleitoral de Viseu, como membro suplente. Foi comandante de avião na TAP e tem pelo menos uma ligação ao sector da Defesa: concluiu um “curso de gestão civil de crises” no Instituto de Defesa Nacional. O outro vogal é Paulo de Andrade, que já foi membro da Assembleia Municipal de Cascais, eleito nas listas do PSD, e preside ao Conselho de Administração da ArCascais, entidade empresarial gestora do Aeródromo de Cascais.

No dia 13 de Julho de 2012, o INAC celebrou um contrato com a Novabase, na sequência de um concurso público, para a “aquisição de licenciamento de software Microsoft”, no valor total de 143.443.94 euros. Ou seja, já com a nova administração do INAC em funções, enquanto o deputado João Rebelo continua a prestar serviços de consultoria à Novabase.
O espectro de potenciais conflitos de interesses abrange também a intenção manifestada pela Novabase de adquirir empresas de tecnologias de informação ligadas ao sector da Defesa, nomeadamente a Edisoft e a Empordef TI, participadas pela EMPORDEF em 30 e 100% do capital, respectivamente. Aliás, o Governo também já manifestou interesse em vender essas duas empresas. O presidente do Conselho de Administração da EMPORDEF, Vicente Ferreira, apontou no mesmo sentido e colocou outra empresa do grupo na lista de possíveis vendas: a EID - Empresa de Investigação e Desenvolvimento de Electrónica.
“É uma área que nos interessa e estamos interessados em estudar” a eventual venda da Edisoft, admitiu por sua vez Luís Paulo Salvado, administrador da Novabase. Quanto à privatização da Empordef TI, Salvado afirmou que “essa empresa também é interessante”. Estas declarações foram prestadas em Fevereiro de 2012.

Ora, entre Janeiro e Março de 2012, no âmbito da CDN, João Rebelo participou em três audições, precisamente, com o presidente da EMPORDEF, Vicente Ferreira. Na lista de clientes da Novabase incluem-se também a OGMA - Indústria Aeronáutica de Portugal (tema de diversas iniciativas parlamentares de Rebelo) e o  Arsenal de Alfeite, participadas da EMPORDEF - em 35 e 100%, respectivamente.
Na perspectiva de Rebelo não há um conflito de interesses resultante das funções que exerce, em simultâneo, no Parlamento e na Novabase. “O meu trabalho concentra-se somente na internacionalização da empresa, na análise de novos mercados e novas oportunidades de negócios nesses mesmos mercados”, assegurou.

Relativamente aos contratos públicos, com ou sem concurso, disse serem “resultado do mérito e muito trabalho feito pela empresa”. “Não tenho nem tive nenhuma intervenção na relação da Novabase com a administração pública”, sublinhou. “O mérito do sucesso da Novabase deve-se exclusivamente aos seus colaboradores, dirigentes e administradores. Fizeram de uma empresa feita por capital português e por Portugueses na maior empresa de tecnologias de informação do País, competindo com os gigantes mundiais desta área. Isso é de facto notável, e por isso motivo de muita inveja.”
Em 2012, apesar da conjuntura económica negativa, os resultados financeiros da Novabase destacaram-se pela positiva. “O resultado líquido da tecnológica atingiu os 7,9 milhões de euros, o que revela um crescimento de 198,2% face aos 2,7 milhões registados em 2011.”
Fonte: LIVRO: «Os Privilegiados» de Gustavo Sampaio

A Novabase é mais uma das tais empresas de sucesso que tal  como a Mota Engil sempre foram bafejadas com generosos contratos com o estado.
Manuel Monteiro, o ex politico que saiu da politica porque não suportava conviver com a corrupção, explica neste video que os grandes empresários portugueses, não passam de parasitas do estado.
Manuel Monteiro tal como Marinho Pinto criou um partido para lutar contra a corrupção em Portugal e tal como Marinho não obteve apoio do povo. Desistiu como fazem todos os homens de bem que lutam por um povo que apoia os seus carrascos e persegue quem os quer ajudar a libertar-se dos carrascos. Portugal não está preparado para ter governos honestos.

Grandes Empresários são parasitas do estado, sem ele, não existiam. Video




LISTA DOS CONTRATOS DO ESTADO COM A NOVABASE, CONTINUA... 
Adjudicante
Adjudicatário
Manutenção e assistência ao equipamento de rede de suporte às...
14.564,09 €
29-10-2015
Direção-Geral de Proteção Social aos Trabalhadores em Funções Públicas (ADSE)
Novabase I.M.S. Infrastructures & Managed Services, SA.
+
Aquisição de servidores do tipo FileServer/NAS.
62.105,27 €
20-10-2015
Instituto Superior Técnico
NOVABASE IMS – Infrastructures & Managed Services S.A.
+
APM-Aquisição de agentes dynatrace - DSACL070415ADR
9.899,28 €
19-10-2015
Banco de Portugal
Novabase Business Solutions - Soluções de Consultoria,
+
Prestação de serviços de Execução / Implementação de Projecto –...
74.496,00 €
17-10-2015
Serviços Municipalizados de Água e Saneamento da Câmara Municipal de Sintra
NOVABASE BUSINESS SOLUTIONS – SOLUÇÕES DE CONSULTORIA,
+
Aquisição de serviços de manutenção de equipamentos de videoconferência
19.944,77 €
15-10-2015
Autoridade Nacional de Protecção Civil
NOVABASE
+
Fornecimento da ampliação do licenciamento software WhatsUp Gold com o...
19.290,47 €
15-10-2015
Agência para a Modernização Administrativa, I. P.
Novabase IMS - Infrastructures & Managed Services, SA
+
Serviços de desenvolvimento de sistemas de Business Intelligence-2015 - DSACL051515ADC
656.504,07 €
12-10-2015
Banco de Portugal
Novabase Business Solutions - Soluções de Consultoria,
+
Aquisição de servidores para reforço de infraestrutura GOPI e "Na...
18.682,77 €
08-10-2015
Município de Lisboa
Novabase IMS - Infraestructures & Managed Services, S.A.
+
Aquisição da Prestação de Serviços para apoio da solução da...
150.000,00 €
05-10-2015
Instituto dos Registos e do Notariado, I. P.
Novabase Busines Solutuins SA
+
15AS00001616 - Aquisição de serviços de administração em Backups
63.000,00 €
28-09-2015
Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, I. P.
NOVABASE IMS – INFRAESTRUCTURES & MANAGED SERVICES, S.A.
+
Aquisição de software de 'Sistema Integrado de Gestão de Bibliotecas...
21.839,00 €
28-09-2015
Município de Ílhavo
Novabase Business Solutions - Soluções de Consultoria,
+
Reforço da Capacidade do VNX5200 - DSACL065015ADR
59.136,13 €
25-09-2015
Banco de Portugal
NOVABASE IMS Infrastructures & Managed Services, S.A.
+
15I00260 - Aquisição de equipamento de comutação e pontos de...
23.499,58 €
24-09-2015
Universidade de Coimbra
NOVABASE IMS - INFRASTRUCTURES & MASERVICES.SA
+
Contrato para aquisição de manutenção e suporte técnico dos balanceadores...
31.573,04 €
24-09-2015
Universidade do Minho
NOVABASE IMS, SA
+
Prestação de serviços de Upgrade Vmware
9.900,00 €
24-09-2015
Centro de Gestão da Rede Informática do Governo - CEGER
Novabase IMS - Infrastructures & Managed Services, S.A.
+
15I00229 - Contratação de serviços de formação e consultoria, acompanhamento...
45.050,00 €
22-09-2015
Universidade de Coimbra
Novabase, SA
+
Prestação de serviços de Assistência Técnica ao Sistema de Bilhética
101.400,00 €
17-09-2015
Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra
Novabase Business Solutions - Soluções de Consultadoria,
+
2014_Aquisição de serviços TI e equipamentos para reestruturação e integração...
2.000.000,01 €
16-09-2015
Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Novabase Business Solutions - Soluções de Consultoria, Desenvolvimento, Integração, 
+
Aquisição de equipamento storage
15.999,99 €
15-09-2015
Município do Cartaxo
Novabase IMS - Infrastructures & Managed Services, S.A.
+
Aquisição de serviços de Suporte/Apoio Externo ao Sistema Integrado de...
195.000,00 €
14-09-2015
Secretaria-Geral do Ministério da Defesa Nacional
NovaBase Business Solutions - Soluções de Consultoria, 
+
Renovação do licenciamento do software BlackBoard Learn para 2015 (Ajuste...
74.340,00 €
14-09-2015
Universidade do Minho
NOVABASE BS, SA
+
15AS00001604 - Aquisição de serviços de manutenção de serviços SAP
187.868,00 €
04-09-2015
Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça, I. P.
Novabase Business Solutions – Soluções de Consultoria, Desenvolvimento, Integração,
+
Aquisição de equipamento para infraestrutura wireless em escolas básicas da...
47.424,12 €
01-09-2015
Município de Lisboa
NOVABASE IMS – INFRASTRUCTURES & MANAGED SERVICES, S.A.
+
Aquisição de serviços de “Consultoria para a implementação do Balcão...
29.890,00 €
01-09-2015
Universidade de Aveiro
Novabase IMS - Infrastructures and Managed Services, S.A.
+
Aquisição de serviço especializado em Moving de infraestrutura IT
17.580,00 €
27-08-2015
Município de Lisboa
Novabase IMS - Infrastructures & Managed Services
+


Neste link pode continuar e encontrar os 1310 contratos da Novabase com o estado português. A tabela em cima é apenas a primeira página, o inicio da longa lista. 
Ao clicar no sinal mais (+) na última coluna da tabela, pode ver os detalhes de cada contrato. 

Paulo Morais nomeia alguns dos deputados que estão no parlamento a exercer funções duplas com interesses no público e no privado.