24 abril, 2014

PORTUGAL ENTRE OS QUE TRABALHA MAIS HORAS, MAS PRODUZ E ESTUDA MENOS.


Manuel Pinho apresentou, recentemente no Expresso, um estudo, muito útil para quem gosta de constatar o estado em que estamos, mas omisso, para quem quer saber porque lá chegamos.
Pois esqueceu-se de referir a raiz de todos os males - A corrupção! O nepotismo!
Aliás, esta é uma palavra que qualquer corrupto se recusa a pronunciar, seja em que circunstancia for.
No artigo, Manuel Pinho refere que os portugueses trabalham mais horas, mas produzem menos (ver gráficos), porque possuímos más condições de trabalho (máquinas, ferramentas, infraestruturas, etc.), baixas qualificações dos funcionários, assim como gestores incompetentes.
Explica que a culpa é também das empresas e do Estado, por terem investido tão pouco e tão mal.
Expõe os dados que nos envergonham, apenas 35% dos portugueses com mais de 25 anos terminaram o 2.º ciclo de escolaridade, o que compara com 86% na Alemanha, 84% na Finlândia e 72% em França.  
Espantosamente nunca aborda um dos dramas, que está na base de todos estes embaraçosos resultados, ou seja, a corrupção/nepotismo de que somos vitimas.
Portugal é um caso raro de improdutividade e os especialistas, afirmam que uma das maiores causas é a cunha/nepotismo. A valorização do mérito é a forma mais eficaz de potenciar a produtividade. Segundo um artigo no Expresso, em que se questionava porque razão os estrangeiros não investem em Portugal já que temos mão de obra das mais baratas da Europa. E a resposta foi dolorosa. Ele afirmou que mesmo sendo das mais barata, ainda está cara, porque também somos os que produzimos menos. E terminou referindo que a cunha é a maior causa desse problema português, onde se insiste na desvalorização do mérito.
Como é possível que lhe tenha passado despercebido algo tão visível que até fere a vista?
Os países que ele refere como exemplares, são os países onde a corrupção não ocupa um lugar de honra... São países onde os corruptos não se atrevem a fazer carreira, roubando impostos e primando pela incompetência.
Porque não explicou ele, que os países flagelados pela corrupção são, geralmente os países onde há menos educação, menos justiça, menos produtividade, menos desenvolvimento, menos igualdade, etc? Há dados e estudos mundiais que o comprovam.
Porque não explicou ele que a corrupção/nepotismo desmotiva a força de trabalho, que sente que trabalha não para ser valorizado ou recompensado mas pagar BPN´s, Valentins Loureiros, Isaltinos Morais, PPP´s, SWAP`s, mordomias de políticos que se julgam marajás, etc, etc.
Porque não explicou ele, que a corrupção destrói os sistemas de ensino, ao desviar fundos que deveriam servir para educar as gerações, que ele chama de "embaraçosamente"desqualificadas?
Porque não explicou que a corrupção/nepotismo é que permite que o estado e as empresas públicas tenham gestores incompetentes, que investem mal o dinheiro e desmotivam as suas equeipas?
Porque não explicou que a economia paralela, dos ricos. corruptos e poderosos, inibe o investimento e a economia, e atrofia o estado?
Deixo-os com o artigo, que é sempre de valorizar:

• Manuel Pinho, Uma questão de aritmética. 

«Em 2013, o PIB estava ao nível de 2001 e 7% abaixo do de 2007, pelo que a primeira prioridade é criar um consenso sobre a melhor forma de assegurar uma dinâmica de crescimento que permita uma melhoria sustentada dos padrões de vida da generalidade dos portugueses, sobretudo dos mais desfavorecidos, cuja situação piora de dia para dia.

O pior é inventar falsos álibis. Por exemplo, é mentira que o PIB tenha recuado para o nível de 2000 por os portugueses serem preguiçosos ou por o Estado ter uma presença excessiva na economia. O quadro ao lado mostra que os trabalhadores portugueses trabalham, em média, 20% mais horas/ano do que alemães, holandeses e franceses. O peso da despesa pública no PIB é igual à média da EU, por exemplo, semelhante ao da Holanda e da Áustria, mas muito inferior ao da Bélgica, Finlândia e França. Só faltava a OCDE vir dizer, no Relatório sobre Reformas Económicas — 2014, que de acordo com o indicador PRM (product market regulation) Portugal está no top 10 mundial dos países em que há menos barreiras à concorrência, estando mais bem colocado do que, por exemplo, o Canadá, Luxemburgo, Espanha, França e Suécia. As causas de quase 15 anos de estagnação são outras.

união europeia horas trabalho Por definição, o crescimento do PIB é igual à soma do crescimento da produtividade (produto por trabalhador) e do crescimento do número de trabalhadores.
É uma questão de aritmética, não de economia. O nível de vida em Portugal é baixo porque, como mostra a figura ao lado, a produtividade do trabalho é perto de metade da registada na Holanda, Alemanha, Bélgica e França. Melhorar a produtividade tem que ser o tema central de qualquer discussão séria sobre os consensos a criar na sociedade portuguesa. A produtividade é tão baixa porquê?

Porque o stock de capital por trabalhador (máquina, ferramentas, infraestruturas, etc.) e o nível de qualificações da força de trabalho são embaraçosamente baixos.
Evidentemente, um trabalhador português que emigre para a Alemanha passa a ter uma produtividade muito superior à que tinha em Portugal, porque tem ao seu dispor um stock de capital mais de três vezes superior, colegas de trabalho com melhor formação e gestores mais competentes. Não há mistério.

Há duas questões a considerar: como estamos e para onde vamos em termos de stock de capital por trabalhador?
Como estamos? Muito mal. De acordo com as estimativas de Paul De Grauwe (ver quadro),Portugal tem o stock de capital por trabalhador mais baixo entre os países da zona euro, quase 1/3 do da Alemanha e da Holanda. A causa desta situação desoladora é as empresas e o Estado terem investido tão pouco e, nalguns casos, tão mal.

Para onde vamos? De mal a pior. O stock de capital é o resultado de anos e anos de investimento, que devia estar a aumentar, mas tem vindo a cair a pique. Em 2013, a FBCF (formação bruta de capital fixo) foi, a preços constantes, a menor dos últimos 15 anos e pouco mais de metade de quando Portugal aderiu ao euro. Uma catástrofe!


A queda do investimento não é uma inevitabilidade. Não há, por isso, qualquer razão plausível que explique não haver mais projetos de investimento privado no sector dos bens transacionáveis.
Casos como a refinaria da Galp em Sines, a unidade da Dow Chemical em Estarreja, a fábrica de papel da Portucel em Setúbal, o projeto da Embraer em Évora, a fábrica de mobiliário da IKEA em Paços de Ferreira, a fábrica de turbinas eólicas da Enercom em Viana do Castelo, etc. Porquê?

estudo educação UE portugal corrupçãoHá, igualmente, duas questões relativas ao nível de qualificação da força de trabalho que urge responder: como estamos e para onde vamos?
Como estamos? Muito mal. A nova geração tem um nível de educação relativamente próximo da média dos países mais desenvolvidos, o que explica a sua relativa facilidade em emigrar.
Porém, as gerações mais velhas têm qualificações muito baixas.
Apenas 35% dos portugueses com mais de 25 anos terminaram o 2.º ciclo de escolaridade, o que compara com 86% na Alemanha, 84% na Finlândia e 72% em França. Na realidade, de acordo com os dados da OCDE, em Portugal o nível médio de qualificações dos adultos é bastante inferior ao de países que são mais pobres, por exemplo Chile, México e Argentina.

Para onde vamos? De mal a pior por duas razões. Primeiro, foram interrompidas as políticas de qualificação dos adultos com um baixo nível de escolaridade, por exemplo, o programa Novas Oportunidades. Porquê? Segundo, muitos portugueses com idade entre os 25 e os 35 anos estão a emigrar para o estrangeiro. (…)»  [No Expresso/Economia]:
Como diria Paulo Morais, "Talvez por cá, como no Mundo, a melhor forma de combater a crise seja começar por travar um combate, sem tréguas, à corrupção."



1 comentário :

  1. BASTAVA O POVO SABER COMO SE VOTA CONTRA OS PARTIDOS CORRUPTOS E PORTUGAL SERIA LIMPO DA CORRUPÇÃO. VOTEM EM PARTIDOS SEM ASSENTO PARLAMENTAR SÓ ISSO TEM VALOR E PUNE OS PARTIDOS CORRUPTOS. Nos paises menos corruptos do mundo a democracia funciona porque as pessoas sabem votar e usam o voto, 90% votam... aqui só temos eleitores ignorantes por isso quem não funciona são os eleitores
    A abstenção afinal obtém um resultado contrário, ao que pretendem os abstencionistas
    Por isso, o que me chateia na vossa abstenção é a falta de colaboração num trabalho importante. Não é uma questão de direitos ou deveres cívicos em abstracto. O problema é concreto. Temos uma tarefa difícil, da qual depende o nosso futuro, e vocês ficam encostados sem fazer nada.
    Isto tem consequências graves para a democracia. Quando a maioria não quer saber das propostas dos partidos, está-se nas tintas para o desempenho dos candidatos e nem se importa se cumprem os programas ou não, o melhor que os partidos podem fazer para conquistar votos é dar espectáculo. Insultarem-se para aparecerem mais tempo na televisão ou porem o Marinho Pinto como cabeça de lista, por exemplo. Vocês dizem que se abstêm porque a política é uma palhaçada mas a política é uma palhaçada porque vocês não votam.
    A culpa é vossa porque não é preciso muita gente votar em palhaços para os palhaços ganharem. Basta que a maioria não vote. Também é por vossa culpa que os extremistas estão a ganhar terreno, e pela mesma razão. É fácil pôr os fanáticos a votar. Basta abanar o pano da cor certa e, se mais ninguém vota, eles ficam na maioria. Mas se vocês colaborassem e se dessem ao trabalho de avaliar as propostas dos partidos, se os responsabilizassem pelas promessas que fazem e votassem de acordo com o que acham ser a melhor solução, deixava de haver palhaços, interesseiros e imbecis na política.

    ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2015/10/percebam-que-abstencao-afinal-obtem-um.html#ixzz4b1OdNPET

    ResponderEliminar