16 fevereiro, 2015

A ascensão da Alemanha à custa da riqueza produzida em Portugal e na Grécia.


O BEM-ESTAR DOS ALEMÃES É CONSEGUIDO, TAMBÉM, À CUSTA DA RIQUEZA CRIADA EM OUTROS PAÍSES E QUE É TRANSFERIDA PARA A ALEMANHA.
O quadro 1, construído com dados oficiais da Comissão Europeia, mostra de uma forma clara e sintética os resultados para três países – Alemanha, Grécia e Portugal – da criação da União Europeia e, nomeadamente, da Zona do Euro em 2002.
Para que os dados do quadro sejam mais claros interessa ter presente o significado dos conceitos que são utilizados nele: (1) PIB, ou seja, o Produto Interno Bruto, corresponde ao valor da riqueza criada em cada país em cada ano pelos que residem nesse país; (2) PNB, ou seja, Produto Nacional Bruto, corresponde à riqueza que os habitantes de cada país dispõem em cada ano que pode ser maior do que a produzida no país (no caso da transferência de riqueza do exterior ser superior à riqueza produzida no país em cada ano transferida para o exterior) ou então pode ser menor que a produzida no país (no caso de uma parte da riqueza produzida no país ser transferida para o exterior e não ser compensada pela que recebe do exterior).
E como os próprios dados divulgados pela Comissão Europeia mostram, antes da entrar para a União Europeia, o PIB alemão era superior ao PNB, o que significava que uma parte da riqueza criada na Alemanha era transferida para o exterior beneficiando os habitantes de outros países. No entanto, após a entrada para a União Europeia, o PNB alemão passou a ser superior ao PIB alemão.
Isto significa que a riqueza que os alemães passaram a dispor após a criação da União Europeia, e nomeadamente da Zona Euro passou a ser muito superior ao valor da riqueza produzida no próprio país, o que é só possível por meio da transferência da riqueza criada pelos trabalhadores dos outros países para a Alemanha. Na Grécia e em Portugal aconteceu precisamente o contrário. 
Mas observem-se os dados do quadro que são extremamente claros.
Quadro 1 – Transferência de riqueza criada em outros países para a Alemanha, e transferência de riqueza criada na Grécia e em Portugal para o exterior a preços de mercado – 1995/2015



Observem-se com atenção os dados do quadro 1, mas recorde-se mais uma vez o seguinte: PIB é o valor da riqueza criada anualmente no país; o PNB é o valor da riqueza que o país tem ao seu dispor em cada ano.São duas coisas diferentes E quais as conclusões que se tiram dos dados da Comissão Europeia constantes do quadro 1?
Comecemos pela Alemanha. Até 2002, o PNB alemão era inferior ao PIB alemão, o que significava que uma parcela da riqueza criada na Alemanha ia beneficiar os habitantes de outros países. A partir da criação da Zona Euro em 2002, a situação inverte-se rapidamente: o PNB alemão passa a ser superior ao PIB alemão, ou seja, superior ao valor da riqueza criada na Alemanha. Isto significa que uma parcela da riqueza criada em outros países é transferida para a Alemanha indo beneficiar os habitantes deste país. Só no período 2003-2015 estima-se que a riqueza criada em outros países que foi transferida para Alemanha, indo beneficiar os seus habitantes, atingiu 677.945 milhões €, ou seja, o correspondente a 3,8 vezes o PIB português.
Na Grécia e em Portugal aconteceu precisamente o contrário como mostram os dados da Comissão Europeia. Na Grécia até 2001, o PNB grego (a riqueza que o país dispunha anualmente) era superior ao PIB (o que era produzido no pais). No entanto, a partir de 2002, com a criação da Zona Euro, começa a verificar-se precisamente o contrário. Uma parcela da riqueza criada na Grécia é transferida para o exterior indo beneficiar os habitantes dos outros países. Em Portugal aconteceu o mesmo mas logo após a entrada para a União Europeia em 1996.
Como revelam os dados da Comissão Europeia constantes do quadro 1, se consideramos o período que vai desde a criação da Zona do Euro (2002-2015) a riqueza criada na Grécia que foi transferida para o exterior, indo beneficiar os habitantes de outros países, já atinge 48.760 milhões €.
Em Portugal tal situação começou poucos anos depois de entrar para a União Europeia.
Em 1995, o PNB português, ou seja, a riqueza que o país dispôs nesse ano ainda era superior ao PIB, ou seja, à riqueza criada nesse ano em Portugal, em 353 milhões €. 
A partir de 1996, o PIB passou a ser superior ao PNB, ou seja, uma parte crescente da riqueza criada em Portugal começou a ser transferida para o exterior indo beneficiar os habitantes de outros países. No período 1996-2015, o valor do PIB deste período (20 anos) é superior ao valor do PNB deste período em 70.751 milhões €. 
Tal é o montante de riqueza liquida criada em Portugal que foi transferida para o exterior indo beneficiar os habitantes de outros países, incluindo os da Alemanha. E como mostram também os dados do quadro 1, após a entrada de Portugal na Zona Euro em 2002, a transferência da riqueza criada em Portugal para outros países aumentou ainda mais (só no período da “troika” e do governo PSD/CDS a transferência liquida de riqueza para o exterior que foi beneficiar os habitantes de outros países atingiu 20.807 milhões €).
Portanto, afirmar como fazem os defensores em Portugal da sr. Merkel e dos burocratas de Bruxelas que é a Alemanha que financia tudo é não compreender os mecanismos de funcionamento atual da economia mundial; é no fundo mostrar ignorância ou mentir. 
Mas não é apenas neste campo que se verifica esta transferência de riqueza. Existem outros campos e outros mecanismos que abordaremos em estudos futuros.

MAIS DE DOIS MILHÕES DE PORTUGUESES NO LIMIAR DA POBREZA SEGUNDO O INE
Esta transferência maciça de riqueza criada em Portugal para outros países, associada à destruição nomeadamente da agricultura, das pesca e da indústria e, consequentemente, também do emprego, tem causado o aumento rápida da miséria como revelam os dados divulgados pelo INE em 30.1.2015 e constantes do quadro 2.

Como revelam os dados do INE, em 2010, ano anterior à entrada da “troika” e do governo PSD/CDS, 42,5% dos portugueses, ou seja, 4.431.603 estariam no “limiar da pobreza” se não existissem prestações sociais; em 2013, essa percentagem já tinha aumentado para 47,8% dos portugueses, ou seja, para 4.984.250 (+552.647).
Mas mais grave é o aumento verificado após o pagamento das prestações sociais(pensões, Rendimento Social de Inserção, Complemento Solidário de Idoso, abono de família, etc.). Como consequência da politica da “troika” e do governo PSD/CDS de cortes na área das prestações sociais aos mais desfavorecidos, o numero de portugueses na pobreza aumentou, entre 2010 e 2013, de 1.876.914 (18% da população portuguesa) para 2.033.324 (19,5% da população portuguesa). Em Dezembro de 2014, 35% dos jovens portugueses estavam desempregados, e o desemprego oficial atingia 695 mil portugueses. E segundo o INE o desemprego é a maior causa da miséria em Portugal (40,5% dos desempregados viviam no limiar da pobreza já em 2013 segundo o INE). Passos Coelho, procurando desmentir os dados do INE afirmou em Fátima, em 31.1.2015, que os dados do INE “são um eco do que o país passou, mas não a situação atual” pois referem-se a 2013, como a mentira pudesse alterar a realidade. A confirmar está o facto de ter sido incapaz de apresentar quaisquer outros dados
As desigualdades entre ricos e pobres aumentou muito nestes últimos anos em Portugal, como consequência da politica de austeridade recessiva, que agrava as desigualdades imposta pela “troika” e pelo governo PSD/CDS aos portugueses. Como revelam também os dados do INE constantes do quadro anterior, entre 2010 e 2013, o número de vezes que o rendimento dos 10% da população mais ricos é superior ao dos 10% mais pobres aumentou de 9,4 vezes para 11,1 vezes. O Coeficiente de Gini, um indicador das desigualdades atingiu, em 2013, 34,5%, muito superior à média da União Europeia, que é 30,5%, sendo mesmo o mais elevado em toda a Zona Euro.
Dizer neste contexto, como fazem Passos Coelho e Paulo Portas, e o PSD e o CDS, que estamos agora melhor que antes da entrada da “troika” e deste governo, é procurar enganar a opinião pública, é mentir descaradamente, pois as finanças e a economia devem servir as pessoas, e estas não devem ser sacrificadas no altar das finanças. Eugénio Rosa, 31.1.2015

Video que explica como a destruição da agricultura, das pesca e da indústria contribuiram para destruir a estabilidade de Portugal







7 comentários :

  1. Porque será que a "solidariedade " é tão apregoada pelos políticos do sul ? será coincidencia ou ... no dia a dia interno os desempregados continuam a ter uma "solidariedade" que se quiserem emprego decente fazem bem em emigrar e esquecer os papagaios de serviço aqui.
    Lembro as palavras do sr Drahgi quando anunciou o QE -disponibilidade de mais dinheiro para a economia(a critica dos papagaios de serviço antes do QE):
    o mais importante é o uso eficiente do dinheiro; só por si o dinheiro gasta-se e se mal aplicado os problemas agravam-se; recordem esta frase para que na próxima banca rota repararem onde fica a Alemanha e países bem governados.
    Lembrem-se bancas rotas já foram tres e se os papagaios dos outros que paguem a crise talvez não seja esta a ultima. Mas claro concordo com o post - a culpa é da Merkl.!!!

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  2. VC´S ESTÃO NA MERDA POR QUE QUEREM; VC´S AINDA TEM UM GOVERNO PROPRIO, POSSUEM CARTEL AUDIOVISUAL, ETC ETC..MUITO PIOR SÃO AS ZONAS GOLPEADAS DA AMERICA PORTUGUESA DO TAMANHO DE PAÍSES DO G20 QUE SÃO DESTRUIDAS HA QUASE 2 SECULOS SEGUIDOS E PIOR AINDA HA DECADAS SEM TER UM CARTEL DO AUDIOVISUAL NEM NADA; QUE ATÉ EM AUTO-IMAGEM SÃO DESTRUIDOS POR ALOGENOS NO PROPRIO MAINLAND; VC´S AO MENOS PODEM FORJAR UMA PROPRIA AUTO-IMAGEM; NÃO É BERLIM QUEM IMPÕE A VC´S UMA IMAGEM DE BRAÇAIS DO DOURO ETC ETC COMENDO CAPIM OU SEI LA O QUE

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  3. Contrariando a 'germanização'... uma das primeiras medidas do novo governo grego foi a (re) contratação das 595 (!?!?!?!?!?!!!) empregadas de limpeza do ministério das finanças.
    {http://31daarmada.blogs.sapo.pt/}
    .
    As pessoas interrogam-se:
    - como é que uma 'chuva' de empregadas de limpeza... contribui para o aumento da produtividade e para uma economia mais sustentável?...

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    1. eheheh é a continuação da desgraça... vamos aguardar. Mas certamente encher a máquina pública de funcionários que não são necessários, apenas para dar emprego, nunca foi uma boa filosofia.

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  4. A disciplina económica e excelência tecnológica dos alemães são exemplos a seguir, é certo, mas, mesmo sem conhecer os números agora apresentados, particularmente quem lida mais de perto com a atividade industrial, percebe perfeitamente os mecanismos de transferência de riqueza dos países pobres para os ricos. O grande instrumento é a regulamentação europeia, que os nossos tecnocratas aplicam com excesso de zelo, sempre para bem de todos nós e da humanidade, que nos impõem, sucessiva "modernização" industrial, para a qual necessitamos...dos equipamentos alemães, dinamarqueses, holandeses..., rapidamente tornados obsoletos pela regulamentação crescentemente restritiva que sucessivamente debitam. É que, além de nos "imporem" os seus equipamentos - excelentes, sem dúvida -, impedem o crescimento das nossas empresas incapacitadas de acumular o capital necessário ao desenvolvimento dos seus negócios. Um dos processos em curso prende-se com a questão ambiental, que está prestes a provocar uma revolução na indústria alimentar em Portugal, cuja consequência inevitável se traduz no colapso de muitas empresas, com seu cortejo de trágicas consequências. Afinal, nada necessitamos produzir, pois eles, os nórdicos, tudo nos providenciarão...até o desprezo!, por mim, antes pobre e honrado que rico e enxovalhado.

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    1. Muito bem observado... obrigado pelo contributo. Portugal recebe subsidio para abater 10.000 mil vitelos? Continuam a pagar para não produzirmos?
      ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2013/04/portugal-recebe-subsidio-para-abater.html#ixzz3S1EtiS2R

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  5. Investiguem o doutoramento do Durão Barroso:

    Durão Barroso vai dar aulas na Universidade Católica e já tem uma reforma vitalícia de 11 mil euros mensais por 10 anos de ‘trabalho’

    Durão Barroso vai receber 132 mil euros por ano de reforma, até ao fim da sua vida, ou seja, 11 mil euros por mês, avança o “Daily Mail”

    Mas não só. O presidente cessante da Comissão Europeia vai também receber um subsídio de reintegração e transição durante 3 anos, que pode chegar aos 200 mil euros por ano (passa de 5 mil euros por mês).

    Além disso, vai ganhar um salário extra de 25 mil euros mensais, mais despesas de deslocação.

    Ao todo, vai receber mais de 41 mil euros por mês.

    Esta remuneração já foi alvo de críticas por parte dos britânicos.

    Os deputados conservadores britânicos foram os primeiros a manifestarem-se, referindo-se à “ganância e arrogância dos gatos gordos da UE”.

    O conservador britânico Stewart Jackson afirmou: “Isto não me surpreende. Os britânicos estão fartos da arrogância e ganância dos ‘gatos gordos’ da União Europeia, que nunca foram eleitos, como o Barroso. Está na hora do Reino Unido mostrar os músculos e de David Cameron assumir a liderança e colocá-los no lugar”.

    Ao fim de dez anos, Durão Barroso, agora com 58 anos, deixou a presidência da Comissão Europeia no passado dia 1 de Novembro de 2014 e vai começar a dar aulas na Universidade Católica no próximo dia 26 de Fevereiro de 2015.

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