04 novembro, 2014

"Economia de Portugal, entre 2000/12, perdeu mais que os EUA na Grande Depressão e o Japão na Década Perdida

lennon citações beatles
História de Portugal e desta crise 
A «perspetiva histórica» que tanto surpreendeu é a única maneira de perceber seja o que for. Quem se predispõe a ler a História de Portugal com olhos de ler, tem de dar dois estalos na própria cara para confirmar que está bem acordado e não num pesadelo.

Parece pesadelo, por exemplo, ver a procuradora Cândida Almeida a ir para o Supremo Tribunal quando a História inclui factos como estes: foi responsável por dossiers como Freeport e Submarinos e teve-os em mãos durante anos sem que nada acontecesse.
Portugal teve um primeiro-ministro (José Sócrates) que tresanda a corrupção por todos os lados e nem sequer foi arguido. Primeiro-ministro esse que em 2004, na oposição ao governo de Santana Lopes, conseguiu que o seu partido chumbasse a lei anti corrupção. Isto no dia em que Santana Lopes (que também é dado aos abusos de poder) o apelidou de «reencarnador do guterrismo já vestido de um novo-riquismo sofisticado», e o acusou de estar vendido aos interesses económicos. Altura esta mesma em que o Presidente da República Jorge Sampaio (camarada de Sócrates no partido socialista) dissolve o governo de Santana, e Sócrates é eleito primeiro-ministro em 2005.
Cândida Almeida a tal que garante que não há corrupção em Portugal.

Em 2006 Sócrates manda João Cravinho preparar um pacote anti corrupção. Cravinho prepara, mas eis que o Parlamento o chumba, da esquerda à direita. «Foi dos maiores choques da minha vida (…) apesar de algumas dificuldades que antevia, não contava com uma atitude de absoluta incompreensão para a natureza real do fenómeno da corrupção» (Cravinho à Visão em 2007). Entretanto lá se aprova qualquer coisita mas eis que em 2008, Cravinho dá de caras com a "sua" própria lei e… Nas suas costas alguém mexeu certas "vírgulas".

«Alguém convenceu o legislador que o problema estava nos imóveis e o legislador aceitou essa interpretação sem ver que, ao mesmo tempo que fixava os imóveis, abria trinta portas onde a corrupção podia continuar a fazer tranquilamente a sua vida.» (programa Diga Lá Excelência Renascença, RTP2 e Público, «Há "factos anómalos" na lei contra a corrupção, denuncia Cravinho» - Público 27.07.2008) video A farsa da luta contra a corrupção.

Agora a ministra da Justiça (Paula Teixeira da Cruz) veio então insistir para que o enriquecimento ilícito seja tornado crime, mas a lei foi chumbada, pois diz que é inconstitucional.
Categoria de História, não é? Depois afasta-se finalmente Pinto Monteiro da Procuradoria-Geral (um ex-Alto Comissário Adjunto na Alta Autoridade Contra a Corrupção e ex-Supremo, redactor do código resultante da 1ª Conferência de Ética Ibero-Americana, tendo colaborado na redacção do respectivo Código, e condecorado com a Cruz de Cristo este ano, em Fevereiro). Vem a impoluta Joana Vidal. Afasta Cândida Almeida da direcção do DCIAP. Dá-nos esperanças. Mas logo a seguir, zás: Supremo com ela!

Cunha Rodrigues (o ante-predecessor de Pinto Monteiro na Procuradoria-Geral) teve a cara escarrapachada n’ O Independente acusado de corrupção pelo então director-financeiro dos Estaleiros de Viana (artigo “Cunha Rodrigues e deputado socialista acusados: Tudo no Estaleiro”, de 24 de fevereiro de 1995). Resultado: o tal director-financeiro foi despedido e os Estaleiros continuam como vemos, falidos, a sugar fundos à UE e aos cofres nacionais, sem cumprir sequer com as encomendas e com trabalhadores a serem despedidos em barda engrossando a fileiras do fundo de desemprego cujas despesas carregam o défice de dia apara dia, e logo, a austeridade.

Cunha Rodrigues foi acusado por Freitas do Amaral de obstrução à Justiça em plena RTP, no ano 2000, num debate sobre o assassinato do primeiro-ministro Sá Carneiro em Camarate. Contou que lhe pediu: «Não tome a responsabilidade de meter o assunto na gaveta. Ponha-o aberto perante o país inteiro numa sala de tribunal e deixe ser o tribunal a decidir». Recebeu esta resposta: «Eu não farei isso e peço que não se junte às famílias das vítimas, que são pessoas pouco recomendáveis e eu não gostava que o senhor ficasse junto». Freitas do Amaral disse então na RTP: «A partir daí é que eu fiquei realmente a detestar a figura pública do procurador Cunha Rodrigues». Cunha Rodrigues é agora membro do grupo de controlo financeiro da UEFA.

Entretanto claro que as denúncias de Cravinho ou Freitas do Amaral não tiveram consequências nenhumas. Lavam as suas consciências denunciando na TV, mas não espetam um processo judicial em cima de ninguém porque ambos estão entre os mais de 110 agraciados com a Cruz da Ordem Militar de Cristo.

Pelo meio Portugal vai falindo e os contribuintes vão vendo as parcas remunerações do seu trabalho seguirem direitinha para os cofres públicos, ou seja: para todos estes sociopatas do governo, da Justiça e da banca de investimento internacional. Banca esta que é agora a salvadora da pátria. “Salvadora” de uma dívida que Sócrates, logo no primeiro ano de governo, em 2005, fez rebentar os 60% do PIB máximos permitidos por Bruxelas (entretanto acima de uns genocidas 120%).
Depois em 2008, Sócrates teve a sorte de haver a bolha do subprime dos Estados Unidos. Teve alibi para «suspender a democracia» com o argumento de era preciso dinamizar a Economia. Acaba então com os concursos públicos e, por ajuste-directo, entrega centenas de obras em escolas, alegadamente, para garantir emprego nas «pequenas e médias empresas» da construção civil. O "incentivo" foi, afinal, para as gigantes do costume, nomeadamente a Mota-Engil do seu amigo Jorge Coelho, acusada na Operação Furação, com crimes do mais grave calibre, mas salvo por um encontrozito de contas mediado por Cândida Almeida.

A tal "dinamização da Economia" acabou com a derrapagem dos 450% da Parque Escolar. Derrapagem essa que desviou directamente dos impostos dos trabalhadores a módica quantia de 4 mil milhões de euros. É o correspondente a dois «desvios colossais», sendo que só um «desvio colossal» bastou para Passos Coelho sacasse meio subsídio de Natal a todos os trabalhadores em 2011. Corresponde também a mais de meio défice deste agora que, neste momento, está nos 6 mil milhões.

A «perspetiva histórica» de Portugal inclui também, por exemplo, o facto de só a dívida da Refer ser superior a 7 mil milhões de euros, que é mais do que o nosso défice actual, e que está a ser “coberta” com as poupanças estatais na saúde e na educação. Em 2012 estavam a desistir da Universidade 100 estudantes por dia, pois o Estado acabou com 30% das bolsas e os pais não conseguem suportar os impostos e educação dos filhos em simultâneo. No país com mais analfabetos da Europa e o menos escolarizado do mundo dito desenvolvido (OCDE), só frente à Turquia.

Refer, recordo: a tal empresa pública onde a actual ministra “Lady Swap”, comprovadamente mentirosa, foi directora financeira e a empresa no epicentro da Face Oculta onde sucateiro Manuel Godinho, amigo do socialista Armando Vara, até opinava sobre as equipas de gestão a nomear.
A «perspetiva» de Portugal inclui também o buraco do BPN, igualmente de 7 mil milhões (outro que vale mais que o défice deste momento). Milhões esses que foram directos para os bolsos do grupo de amigos do actual Presidente da República Cavaco Silva e recém-empossado ministro dos negócios estrangeiros Rui Machete. Buraco esse denunciado em 2001 na revista Exame através de fontes do próprio Banco de Portugal cujo governador (Vítor Constâncio) omitiu. Em vez de ser preso ou internado no Júlio de Matos, foi promovido a vice-presidente do Banco Central Europeu, numa Europa presidida por Durão Barroso que foi o anfitrião da “Cimeira das Lajes”. A tal que lançou a guerra às tais bombas de destruição massiva do Iraque que nunca ninguém, afinal, encontrou.

A «perspetiva» inclui os despesistas contratos de parcerias público-privadas… «Se as pessoas tivessem ideia da forma como estão em permanência a ser roubadas não só ia ter manchetes todos os dias como íamos ter revoluções todos os dias. O chumbo de quatro normas do Orçamento pelo Tribunal Constitucional terá representado um buraco de mil milhões de euros. Isso foi só o que o Estado português pagou a mais pelas PPP rodoviárias num ano. Nem foi o que pagou, foi o que pagou a mais» (Paulo Morais, vice-presidente da Associação Transparência e Integridade ao jornal i.

A História de Portugal inclui também, claro, a história de um ministro da defesa do governo Durão Barroso (Paulo Portas) que, em 2004, comprou dois submarinos num processo de corrupção ao mais alto nível ao fabricante alemão Ferrostaal. Mas enquanto os gestores alemães que lhe pagaram a luva receberam pena de prisão (suspensa) e o seu homólogo grego está atrás das grades há um ano… Cá Portas nem sequer foi julgado. Tornou-se em 2011 ministro dos negócios estrangeiros, promovido agora a "vice" na remodelação governamental na sequência da tal birra da demissão «irrevogável» encenada para enfiar no gang mais um amigo: o homem das Américas Rui Machete, ligado às negociações luso-americanas das Lajes desde 1985 e membro parlamentar autor de váriosperdões a fraudes, em parceria, com o presidente do BPN Oliveira e Costa (preso, libertado e depois absolvido) quando este era secretário de Estado de Cavaco Silva. Mais: Remodelação governamental esta na qual se livraram do ministro independente Álvaro que afrontou a EDP com as «rendas excessivas».

E de maneiras que é esta a «perspectiva histórica» que explica como é que um pequeno país como Portugal, em apenas 12 anos (2000-2012), viu a Economia perder mais do que perderam os Estados Unidos na Grande Depressão e o Japão na Década Perdida - Financial Times, em Maio.
É por todo este saque, por exemplo, que o IVA da restauração está nos 23% (até na Grécia já voltou para os 13%). Falamos do sector que mais emprego dá neste país. Os restaurantes estão a falir que nem tordos e a malta a engrossar, não só as fileiras do fundo de desemprego como as das urgências de psiquiatria que aumentam 3,5% enquanto as “normais” caem 10% (pois que passar de uma taxa moderadora de 9,60 euros para 20 euros, desde Janeiro de 2012, não é para qualquer bolso).
E de maneiras que nos enfiámos num novo poço secular por alturas de 2001 que foi o ano em que tínhamos acabado de pagar os 99 anos de dívida da bancarrota de 1892 escavada sobretudo pelo megalómano clínico Fontes Pereira de Melo que dizia «o povo quer estradas. O povo está feliz». Tão clinicamente narcisista e irrealista afirmava isto num país em revoltas como a da Janeirinha .

A malta não estuda e os que estudam, de uma maneira ou outra, pertencem ao gang.
Portanto a malta paga e cala, e nem sabe que está a ser tão escravizada. Aliás, a malta, por não estudar, usa essas palavras estúpidas para referir seres humanos-humanos, mas dirige-se aos saqueadores como “senhor doutor”. E não estudando, a malta acredita, por exemplo, que os amorosos reis D. Pedro V e mano D. Luís que aboliram a escravatura foram uns queridos. Não sabe que andámos a pagar do nosso bolsinho até 2001 as “trocas por baixo da mesa” entre Fontes Pereira de Melo e companhia com estes monarcas amorosos cujos “ordenados” lhes eram adiantados pela corja megalómana de modo a que na hora de formarem novo governo se “lembrassem” de certas “benfeitorias” de uns e outros. Não lendo umas coisitas, a malta aplaudia o TGV e o aeroporto do novo “Fontes” cá do sítio quando ele já nos tinha posto a acorda ao pescoço há anos.

Quaisquer seis páginas como as deste post bastam para sintetizar os 598 últimos anos da História de Portugal (1415- 2013: Ceuta/Troika). Uma rica História, não é? Mas já agora pode seguir o resto desde a fundação de Portugal há uns 874 anos. Cá vai: Nasceu de uns violentos saqueadores chamados Cruzados, que eram os Templários, supostos donos da Verdade que pilharam e mataram por cada metro quadrado que pisaram, alegadamente, para levar ao mundo a palavra de Deus.

Afonso Henriques conquistou Lisboa com a ajuda de alguns deles que iam a caminho da Terra Santa (onde ainda alimentam o conflito israelo-árabe) e vieram aqui dar uma mãozinha. Até já andavam às turras uns com os outros porque o rei tinha certa estratégia, mas eles só queriam mesmo era despachar-se e receber o direito à pilhagem que lhe cabia e siga para bingo (boa expressão para isto, pois é a mesma mentalidade de casino – clinicamente patológica – das apostas swap de hoje em dia.)
Quem trabalhava neste país eram os mouros e os judeus. Foram trancados em bairros exíguos e extorquidos de impostos ao ponto de terem de trabalhar noite e dia (trabalhar como mouros) para encher as medidas aos extortores. E ainda nos cantam nos livros a cantiga de que os portugueses até eram bastante tolerantes… pudera! Iam matar a vaca, não!?

Afonso Henriques remunerava também estes “santos católicos" com terras sacadas a quem trabalhava. Estes bandidos tornaram-se então nos primeiros grandes proprietários deste país que ainda hoje é dos mais desiguais da Europa, e sempre a piorar.

Falamos dos cristãos Templários, esses “mensageiros de deus” que estão na origem da Maçonaria e que em França foram extintos todos presos nas masmorras, pelo rei Filipe IV, em 1307. Em Portugal continuaram imparáveis até hoje graças ao rei D. Dinis. Afastou tais moscas, como mandou França, mas criou a Ordem De Cristo – essa mesma que depois, sob o signo de Avis, continuaria o saque pelos cinco continentes naquilo que ficou para a História como as grandiosas e admiráveis Descobertas Portuguesas, precursoras da globalização.

Ironias do destino: chamo-me Marisa Moura e “tweeto” esta «perspetiva histórica» em pleno coração da Mouraria, em Lisboa. Isto numa altura em que todos os portugueses (incluindo os mais católicos) têm de alancar seis meses inteirinhos só para pagar impostos. O chamado “dia da Libertações de impostos”, em 2000, foi dia 8 de Maio. Agora em 2013 já só foi a 4 de Junho. Mais um mês extra inteirinho a alancar para alimentar este contínuo saque feito pelos tais “Grandes Portugueses” em quem ainda ninguém meteu mão. Ainda. Há por esse Norte da Europa fora muito True Finn mortinho para acabar com o regabofe de uma vez por todas.

E posto isto, se este blogue ou o meu mural do Facebook for ao ar por questões técnicas, ou eu for atropelada sem querer por aí, ou apanhar um avião que, por avaria técnica, se despenhe em Camarate… ou se no próximo inverno cair para dentro de uma lareira, sem querer, estilo Galileu… Já sabem porque foi.

Abraço, e deixo aqui este repto da ministra da Justiça no chumbo do Tribunal Constitucional (TC) à lei da criminalização do enriquecimento. Pediu-nos «envolvimento cívico» pela defesa desta lei e avisou os “templários”: «Desiludam-se aqueles que com a arguição de inconstitucionalidade pensam que nos farão desistir (…) Iremos lá [ao TC] as vezes que forem precisas».

Deixo também esta frase da carta de demissão de Vítor Gaspar que não vi em nenhuma das milhentas de peças que observei: «Os grandes custos de ajustamento são, em larga medida, incontornáveis, dada a profundidade e persistência dos desequilíbrios, estruturais e institucionais, que determinam a crise orçamental e financeira (…) Requerem uma resposta efectiva e urgente a nível europeu e nacional». Sublinho: «desequilíbrios estruturais e institucionais» e «resposta efectiva e urgente a nível europeu e nacional.» Um desesperado SOS. Save Our Souls.

Andamos nisto desde o século 12. Aproveitemos este agora-ou-nunca enquanto ainda estamos, oficialmente, em Democracia. Que algum Garcia Pereira prepare a queixa. Eu ajudarei no que puder. Que o Tribunal de Haia, da ONU, julgue e acuse quem tiver de acusar, que mande internar os psicopatas que tiver de internar, que atire para as masmorras os filhos da mãe que tiver de atirar, que ilibe que tiver de ilibar. Mas que o faça rapidamente antes que os Estados Unidos percebam e lhe corte os fundos como cortaram à Unesco (educação) quando a ONU aprovou a Palestina como Estado independente. Uma decisão que afrontou Israel e que aconteceu numa votação em que Portugal se absteve , pois jamais afrontaria quem viva do negócio da Guerra, essa que mata pessoas como você e eu todos os dias, assim… a saírem de casa de manhã para o trabalho ou para a escola e… BUM! Fonte

Portugal foi também o país que em apenas 10 anos mais agravou a corrupção em todo o mundo. Veja aqui o artigo com video

A farsa da luta contra a corrupção e abuso politico 




2 comentários :

  1. Amiga escreva mais posts que estou a gostar, este aliás devia ser mais lento(tenho costela arabes) para ser melhor saboreado e dava pelo menos para mais cinco bem suculentos e melhor absorvidos e entendidos. Sabe que o que realmente precisamos é de maior intervenção civica cinsistente e que não fique pela rama mas investigue as miudezas mais escondidas(quem gosta de cabeças de peixe sabe como são mais saborosas que os lombos) e que nos mostram o que devia ser visivel sem oculos. Sabe um assunto que tem resmas de assunto = as ONG sanguessugas que não são mais que asquerosa corrupção -dizem que a CPPC do coelhinho podrá ser uma_ e que enganam os "bons" corações com a sua generosidade. Escreva sempre - se possivel mais devagar que o seu escrever tem peso.

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  2. por isso à 12 anos atras tínhamos um Miguel Relvas muito mais pobre e agora 12 anos depois já temos um Miguel Relvas muito mais rico

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