19 janeiro, 2012

3 razões para os boys da EDP. Qual delas a pior?





Por vezes levantamos suspeitas infundadas.
Como foi o badalado caso das nomeações da EDP. Na nossa boa fé e ingenuidade acreditávamos que o  governo, apenas seguia o percurso do costume, ao colocar os seus boys em bons tachos como os da EDP!
Pois ... subestimamos a estratégia, não de trata afinal de um mero acto de tráfico de influências, nem de um simples pagamentos de favores, nem das insignificantes nomeações partidárias...  muito menos nos deve preocupar o desrespeito pela democracia e igualdade de direitos, nem tão pouco os salários que julgamos escandalosos.
Afinal os interesses ocultos, na nomeação desta poderosa equipa, para a EDP, terá um peso muito mais considerável nas nossas vidas. As coisas são muita mais complexas, muito menos democráticas e menos éticas ainda do que aquilo que suspeitávamos. E os interesses que ocultam, vão-nos sair muito mais caros, que míseros salários que nos exaltaram.

Segundo Paulo Morais, o saque que representam as nomeações para a EDP, será apenas o inicio de muitos outros saques e de maiores dimensões. 
Boys EDPAquilo que tanto nos exaltou e ofendeu foi apenas o colocar das peças no tabuleiro para dar inicio ao jogo. O jogo, esse desenrolar-se-á, muitas vezes longe da nossa percepção mas bem junto das nossas carteiras. 

Paulo Morais
"Resta então admitir que foram os accionistas que, de moto-próprio, decidiram convidar alguns dos principais apoiantes de Passos Coelho e de Portas para obterem influência num sector completamente regulamentado e dependente do estado. 
É aliás na capacidade de obtenção de favores do estado que se tem baseado a actividade dos accionistas portugueses de referência na EDP, como a família Mello ou o grupo Espírito Santo." 
Quando dermos por ela estamos a pagar mais impostos em facturas da EDP, estamos a ir ao Continente sem saber bem porquê, estamos a trocar os hospitais privados pelos públicos, sem opção, estamos falidos e  eles dirão que, por culpa nossa.
Os accionistas escolheram esta equipa de senhores para que possa existir pressão politica no governo. Para que os interesses da EDP e do governo sejam os mesmos, mesmo quando vão contra os interesses do contribuinte e do país.
Agora se compreende esta afirmação de Catroga:
"O gestor diz que a controvérsia apenas existe porque as pessoas estavam habituadas a que o anterior Governo interferisse neste tipo de assuntos e "ainda não estão habituadas que com este Governo não é assim".  aqui
Em suma... o outro era um mau governo que abusava das nomeações e colocava amigos em cargos estratégicos para exercer pressões e zelar por interesses privados. Mas este é um governo mais integro, permite que os seus amigos sejam bajulados por cargos de luxo estratégicos para depois exercer pressões e zelar por interesses privados. Mais uma vez o Catroga e as suas incoerências...

ARTIGO DE PAULO MORAIS, completo. 
"A nomeação de alguns elementos do núcleo duro do primeiro-ministro para o conselho geral da EDP não foi certamente uma opção de Passos Coelho. Pelo contrário, estas escolhas são a forma que os grupos económicos dominantes encontraram de o tentar condicionar. Ou cercar.
Só três razões poderiam explicar estas nomeações. 
A primeira seria a de que o primeiro-ministro pretendia influenciar a gestão da EDP através de pessoas de sua confiança. Não sendo hoje a EDP uma entidade pública, esta constituiria uma forma de dar continuidade à tradição de José Sócrates de intromissão no sector privado, a ponto de indicar nomes tão pouco recomendáveis como Rui Pedro Soares para a PT ou Armando Vara para o BCP. Não quero crer neste cenário.
A segunda hipótese seria a de que Passos Coelho queria proteger os seus amigos e teria metido umas "cunhas" aos accionistas da EDP, e em particular aos chineses. Hipótese também a descartar. Seria mau demais!
Resta então admitir que foram os accionistas que, de moto-próprio, decidiram convidar alguns dos principais apoiantes de Passos Coelho e de Portas para obterem influência num sector completamente regulamentado e dependente do estado. 
É aliás na capacidade de obtenção de favores do estado que se tem baseado a actividade dos accionistas portugueses de referência na EDP, como a família Mello ou o grupo Espírito Santo. Que contam agora com a cumplicidade dos membros do partido comunista chinês, também eles especialistas em promiscuidade entre estado e negócios.
Influenciar o poder será pois a missão que os chineses destinaram aos amigos de Passos Coelho e Paulo Portas, a troco de uns milhares. 
A Eduardo Catroga, coordenador do programa económico do PSD, a Paulo Teixeira Pinto, que liderou o projecto de revisão constitucional, passando por Celeste Cardona ou Rui Pena, com enorme ascendente junto de Portas.
Aceitando os convites, esta gente descredibiliza-se ao permitir que os coloquem na posição de traficantes da influência que têm sobre Passos Coelho e Portas. E – pior! – colocam estes na situação de políticos permeáveis" Paulo Morais 

Sete ex-governantes, do PSD, PS e CDS, ganharam, em 2013, mais de 812 mil euros como membros do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, órgão de aconselhamento da elétrica liderada por António Mexia, também ele ex-ministro. Eduardo Catroga, ex-ministro das Finanças e presidente daquele órgão, obteve a remuneração anual mais elevada: 490 500 euros. Do PSD, são, além de Catroga, os ex-ministros Jorge Braga de Macedo (Finanças, 1991-1993) e Luís Filipe Pereira (Saúde, 2002-2005). Do PS, são os ex-ministros Rui Pena (Defesa, em 2001 e 2002) e Augusto Mateus (Economia, 1996-1997). Do CDS-PP, Celeste Cardona (Justiça, de 2002 a 2004). Paulo Teixeira Pinto é o ex-secretário de Estado. Correio da Manhã.

2 comentários :

  1. Cara Zita,

    Houve um aumento no custo da electricidade há cerca de um ano que passou completamente despercebido por ter sido ocultado pelo conluio jornaleiro. O aumento não foi nas tarifas, mas na sua aplicação. Os inícios das tarifas mais baixas, tanto no ciclo semanal como no diário, no verão e no inverno, foram avançados. Ao ciclo diário que tinha dois períodos, foi acrescentado um terceiro período intermédio. Vale a pena dizer como o resultado passou para as facturas?

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    1. Aí está um exemplo de como o compadrio funciona na perfeição para eles.
      E nós, tolos estávamos preocupados com o salário exorbitante, com a falta de ética do Passos Coelho... No entanto os golpes conseguem ser mais baixos e mais sujos ainda do que aquilo que pensamos.
      ~Quantos milhões de euros não serão extorquidos aos contribuintes todos os dias, sorrateiramente? Deveria dar para sustentar muitos salários de Catrogas.
      Obrigada pelo contributo e pelo esclarecimento... e parabéns pelo seu blog. Todos unidos talvez consigamos mostrar a verdade a muitos mais. A verdade faz falta.

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