23 dezembro, 2013

Américo Amorim os tachos e os favores... ao pobre rico.


"Ceci n'est pas un riche
Quando se trata de taxar grandes fortunas os analistas tornam-se filosóficos: mas o que é um rico?, perguntam.
O recente debate sobre política fiscal é tão interessante quanto intrincado. Pergunta-se: quem tem mais deve contribuir mais?
Eis um daqueles dilemas de solução impossível. Tirando o sentido de justiça e o mais elementar bom senso, não há nada que nos ajude a tomar uma posição definitiva. 
Devem os ricos pagar mais impostos do que os outros? É uma questão complexa. Arrebanhar metade do 13.º mês acima do salário mínimo é incontroverso, mas quando se trata de taxar grandes fortunas os analistas tornam-se filosóficos: mas o que é um rico?, perguntam. 
Parece tratar-se de um conceito vago e populista, comentam, com admirável prudência intelectual. Fazia falta um destes analistas no versículo 24 do capítulo 19 do Evangelho segundo São Mateus. Quando Jesus dissesse que é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus, o analista havia de contrapor: "Mas, Senhor, o que raio é um rico? Abstende-vos de usar conceitos vagos e populistas." No entanto, Jesus Cristo, talvez por ser filho de quem é, pode dizer o que lhe apetece sem ser acusado de demagogia. Uma sorte que Jerónimo de Sousa não tem.
Na verdade, os analistas têm razão. A riqueza é um conceito vago. 
Tão vago que o homem mais rico de Portugal conseguiu dizer esta semana que não era rico. Ora, se o homem mais rico de Portugal não é rico, isso significa que em Portugal não há ricos, o que inviabiliza a criação de um imposto especial para eles. É impossível taxar quem não existe, como a direção-geral de impostos bem sabe - até porque já tentou.
Toda a gente conhece aquele poema do António Gedeão sobre Filipe II: o rei era riquíssimo (passe a imprecisão e o populismo) e tinha tudo. Ouro, prata, pedras preciosas. O que ele não tinha, diz o último verso, era um fecho éclair. Américo Amorim tem tudo, incluindo um fecho éclair. Talvez não tenha vergonha, mas também vem a calhar: nem criando um imposto sobre a vergonha o apanham.
Américo Amorim constitui, por isso, um mistério tanto para a fiscalidade como para a teologia. Sendo o homem mais rico de Portugal, talvez não entre no reino de Deus. No entanto, na qualidade de pobre de espírito, tem entrada garantida."
Recentemente foi notícia que Américo Amorim arranjou um "tacho" milionário na Galp, à sua filha!
Realmente, isto não é notícia! Andamos quase à dois séculos com este tipo de situações a ocorrerem em Portugal e o jornal Público considera esta normalidade uma notícia.
Andamos muitas vezes a gritar bem alto, os exemplos são quase diários, mas geralmente isso não incomoda. Eles repetem o velho ditado árabe,"os cães ladram e a caravana passa". E têm passado ao longo de todo este tempo.
Começou na Monarquia, passou pela Republica, prosseguiu com o Estado Novo e após um pequeno percalço, após o 25 de Abril, solidificou a sua posição na nossa pseudo-democracia. É curioso saber que mesmo no período a seguir à Revolução, alguns Donos de Portugal que rumaram ao exílio, deixaram para trás "capatazes" que se disfarçaram de acérrimos revolucionários, mas que na verdade, mal tiveram oportunidade, colocaram no terreno as condições propícias ao regresso triunfante dos seus patrões. Ainda por cima, vieram armados em vítimas espoliadas e foram indemnizados pelo Estado!
Os "fantoches" que foram ocupando a cadeira do poder em São Bento, sempre tiveram que prestar vassalagem a estas famílias e não tenhamos ilusões de que assim irá perdurar. Sempre manietados discretamente, através de uma rede de contactos bem posicionados no terreno, de forma a nunca estarem envolvidos em percalços, que ás vezes acontecem. Têm aversão a escândalos.

Governo prossegue a protecção aos mais ricos.




1 comentário :

  1. chamo a atenção que sem dúvida é necessario pensar e ter opinião valida provavelmente com ideias mais inovadoras e que tenham em conta o bolo todo e não só o que paraece: Vou dar dois exemplos como acho que tem que haver masi criatividade e estudo para não se cair quer no populista ou ocredulocheio de fé:
    -O B.Gates dá sozinho mais que a ONU toda junta, e as realizaçoes são bem geridas com retorno excelente e umracio de total investido/gasto comstrutura que daria para envergonhar a ONU AMI e muitas ONG/Org. Pergunto se o dinheiro(70%) que lhe damos a ganhar era mais bem usado se fosse imposto? eu acho que ficamos a ganhar mais assim.
    -A Brisa (eoutras) estão a substituir os funcionarios por maquinas e como seenetende dispensa os funcionarios com tudo o legal, mas ficam a receber do desemprego(nossos descontos).No entanto não vai haver aumento de taxa de impostos pagos pelas empresas para ajudarem a suportar os encargos extras do erario publico = a racionalização é importante e de saudar só que para uns (nós) ficam os ossos e para quem instala as maquinas fica o lucro maior (sim que os carros não deixam de passar e pagar- até com aumento. Oprogresso sé chega para alguns o que precisa obviamente duma reflexão e alteração de parametros.Pensem nas soluções e noutros exemplos que levam a que os ricos fiquem cada vez mais abastados, mas os cocidadãos mais pobres(desempregados já vão em 900 mil)

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