03 novembro, 2012

Portugal ao contrário - Um poema que chora Portugal devastado pela corrupção.

Incrível! Grande máfia dos governos rouba património nacional e o país. 


(veja no youtube o artigo sobre este video)


Este poema foi-me enviado pelo autor. Gostei e decidi partilhar. 
Como se pode começar
Aquilo que já acabou
Como se pode acabar
Aquilo que não começou
Triste fado o fado nosso
O fado de um povo triste
Que nem a rezar pai-nosso
Evita este alegre despiste
O de ser ex-povo poeta
Porque virou nobre pateta
escravizar povos divida
Ó meu querido Portugal
Que me dás o dia inteiro
A possibilidade de funeral
E todos os dias de nevoeiro
De afonsos sem qualquer dom
Sem segundos nem penúltimos
Porque agora sobes o tom
De sermos os primeiros dos últimos
Como cantar então a tua glória
Se só na derrota cantas vitória

Deste destino não me livro
De tanto bruxedo e feitiçaria
Narro-te em trovas de um livro
Porque é negra a tua magia
Desfeito dos teus feitos heróicos
Que te dilataram a fé e o império
Agora um punhado de paranóicos
Armados em heróis a sério
Cambada de panascos importantes
Que além do mais são praticantes

Já não acredito em querer
Que um dia vá acreditar
Na fé desse grande crer
Que me possas salvar
E me faças outra vez de novo
Filho de gente que sente
Gente de gente, gente do povo
Do povo de nação valente
E agora vai pior que mal
Numa estupidez imortal

Onde raio estão nossos irmãos
Para onde fugiram nossos amores
A quem dar as nossas mãos
Num país de desertores
Viraram-se todos ao contrário
Fugindo apressados à realidade
Montados neste triste cenário
Sem esperança na saudade
E do amigo ficou o esboço
Do inimigo a apertar o pescoço

Ó Portugal da mensagem
Já sem rosto de Pessoa
De Camões sem linhagem
Sem Porto e sem Lisboa
Virou fantasma o Viriato
Sebastião um morto-vivo
O teu povo no estrelato
Tua pátria um nado-vivo
E já nem o velho do restelo
Te idolatra como camelo

Foste castelos de tantas quinas
De reis e governantes além-mar
E agora hipotecas as salinas
Porque te esquivas ao teu mar
Foste o senhor de tanta guerra
Em busca do além-mundo
E agora enterras a tua terra
Enterrando o machado bem fundo
Que será de ti ó Portugal
Que só de besta se faz bestial

Reina e impera a estupidez
Governa a avidez e a ganância
E de olhos fechados tu não vês
Que a tua prol é ignorância
Que a votar não vota bem
Que a não votar vota mal
Porque o voto vota alguém
Que não te vota Portugal
São votos brancos, votos de chulos
São tudo votos, votos nulos

Canto-te assim o fim do império
Numa poesia de raiva e dor
Que te prova muito a sério
O tanto de tão pouco amor
E que te vê a desmaiar
Em queda tornada coma
Num hospício a tratar
E à venda na vandôma
A Europa desfigura-te o rosto
E o teu vinho sabe a mosto

Ó Portugal moribundo
A afogar-se à beira-mar
Destes mundos ao mundo
Sem o mundo nada te dar
Vais agora de vento em popa
Rumo à morte com certeza
Das migalhas fazes a sopa
Restos cozidos-à-portuguesa
Eis Portugal ao inverso
Lagutrop do meu verso
JSL

14 comentários :

  1. Há um condicionalismo geográfico que inclui, fisicamente, Portugal na Europa.
    Mas a Europa quer cidadãos de 2 níveis: ricos a norte e pobres a sul...

    É legítimo que portugueses, espanhóis, italianos e gregos não queiram ser eternamente os operários, empregados de mesa e "femmes de menage" dos senhores a norte.

    Cada país é livre de escolher o seu destino.

    Mas porque é que Portugal não negoceia com o Brasil, EUA ou China a sua integração num novo bloco económico de dimensão mundial e abandona a UE que, visivelmente, não nos quer como seus iguais?



    ResponderEliminar
    Respostas
    1. É uma perspectiva INTERESSANTE... e sempre possível de ser real.
      Mas parece-me que a maior causa de estarmos nesta situação é a corrupção, comum e muito difundida nos países do sul, agora arruinados, e não uma intenção consertada dos países nórdicos.

      Eliminar
    2. Não concordo inteiramente consigo anónimo,

      Não é só a Europa que quer cidadãos de 2 níveis, convenhamos que os cidadãos dos países que referiu se põem muito a jeito para que isso aconteça. Em Portugal sofremos os efeitos de corrupção política há décadas e o que fazemos para mudar isso?

      Temos o voto, e pegando no exemplo do voto vou indicar-lhe os pensamentos de vários modelos de portugueses:

      O ILUDIDO: o que pensa que votar realmente é um dever cívico que vai mudar o mundo.

      O SEGUIDOR: o que vai votar no partido como se votasse no clube de futebol.

      O PREGUIÇOSO: o que não vota porque sabe melhor ir à praia.

      O INTELIGENTE: o que não vota, mas porque não acredita no sistema político.

      O INTELIGENTE V2: o que anula o voto na esperança de se alcançar uma percentagem superior a 90% de votos brancos e nulos.

      E o que mais temos em Portugal? Iludidos, seguidores e preguiçosos. Com uma base destas é difícil mudar algo.

      Continuando. E que moral é que muitos têm para condenar o governo? Desde baixas fraudulentas, empregos com factor c em detrimento de competência, juventudes partidárias destinadas a promover a corrupção do sistema político por gerações, pessoas que são subornadas com electrodomésticos para votar em "x" ou em "y".

      Não querendo sacudir a água do capote da corrupção mais que comprovada dos nossos políticos, não posso deixar de referir a falta de verdadeira cidadania e espinha dorsal do nosso Povo.

      Quanto à UE não nos querer como seus iguais. É normal que não nos queira, tal como outros países, somos um Povo que anda a viver do dinheiro de quem produz e sem expectativa de o poder pagar, e como usamos esse dinheiro? Para pagar a corruptos. Você quereria associar-se a corruptos?

      Portugal só muda com uma lavagem de cima a baixo. Com pessoas competentes a governar-nos em vez de meninos da mamã das juventudes, que nas universidades são mais conhecidos pelas paródias e pela conversa do que propriamente pelas notas e pelo trabalho realizado. Só com um espírito rico, competente e trabalhador superaremos a miséria intelectual que Portugal vive hoje em dia...

      Eliminar
    3. Li com muita atenção o comentário do Pedro que muito gostei. Curto e simples mas fantástico. Eu não acrescentaria mais uma palavra porque o suficiente foi dito.Para bons entendedores, meia palavra basta.

      Espero que a sua visão ajude muita gente a ponderar com inteligência o que pretendem nas suas vidas. Obrigado Pedro.
      Jorge

      Eliminar
  2. Apesar de tudo, pessoalmente, julgo ser preferível negociar com os países do centro e norte da Europa.As regras negociais são rígidas, cruéis e por vezes incompreensíveis mas também mais abertas e transparentes.Ali saberemos com o que poderemos contar, no bom ou no mau sentido.
    A China e Brasil não me inspiram, para já, muita confiança. Nunca nos devemos envolver com países (potências) que por serem demasiado corruptas desrespeitam total ou parcialmente os valores e direitos humanos.Esse é o mal que também nós sofremos, infelizmente.
    Isto não significa que seja pro-europeu mas temos de ponderar sobre todos os fatores em causa....e são muitos e muito importantes.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. De qualquer forma e como sabe grande parte dos nossos negócios estão a envolver a China e países bem corruptos, como a Angola.

      Eliminar
  3. Claro que sei Zita. Não esqueço o incidente envolvendo do britânico Bob Geldorf (que muito admiro) quando esteve em Lisboa há já alguns anos atrás, criticando aberta e corajosamente a corrupção naquela ex-colónia portuguesa. Portugal, em igualdade de circunstâncias, no que se refere a esse funesto fenómeno, fez ouvidos moucos...o que se esperava mais?!
    Compreende agora porque é que, apesar de tudo, tenho uma tendência para os países do norte e centro da Europa, exceptuando para já, obviamente, os do Leste? Jorge.

    ResponderEliminar
  4. Já aqui afirmei em comentários anteriores que este é um momento em que Portugal deve repensar a sua posição no seio da UE e as suas relações externas.

    Concertar posições com os outros PIIGS´s. Desta forma, representam uma área e uma percentagem da população europeia significativa. Creio que definindo plataformas de interesses comuns com outros países da UE descontentes/desconfiados com a liderança alemã.

    Devemos estar preparados para cenários não desejáveis mas possíveis. Lembrem-se que há um ano atrás a UE parecia disposta a "expulsar" a Grécia. O agravamento/manutenção da crise na Europa vai acentuar essa vontade "segregacionista" no centro e norte da Europa. Devemos ter planos de contingência e antecipar todos os cenários possíveis.

    Quanto às relações com outros blocos económicos (NAFTA, Mercosur) e potências asiáticas, entendo que devemos adoptar alguns cuidados. A fase da globalização que vivemos foi concebida há 40 anos num contexto económico e geopolítico completamente diferente (as rondas de Tóquio e do Uruguai sobre o Acordo Geral de Tarifas Aduaneiras - GATT).

    A etapa actual desta globalização feita à medida dos grandes interesses económico-financeiros de cariz multinacional e supra-estados contém os elementos potenciais da destruição política e económica da Europa.

    O "Velho Continente" arrisca tornar-se num "protectorado" americano ou chinês. Se os americanos o podem conseguir por via da dependência europeia em matéria de defesa, a China ensaia em Portugal os primeiros passos para a criação de uma eventual dependência económica e financeira da Europa face aos capitais e investimentos chineses. Não é apenas a compra de dívida pública de estados europeus, é também a aquisição de posições dominantes no capital social de empresas que controlam sectores estratégicos (ex. EDP), ou a dependência de empresas/estados do financiamento ou aval do estado/banca chineses (ex. o recente empréstimo de 800 Milhões de Euros que a EDP contraiu junto da banca chinesa).

    O futuro do país (e da UE) não é risonho.
    Assusta-me a mediocridade e tacanhez das lideranças europeias. Impressiona-me a crescimento de movimentos nacionalistas susceptíveis de fazer resvalar a Europa para um cenário de "balcanização" de uma boa parte do continente. Preocupa-me a "esquizofrenia política" que habita as mentes dos decisores políticos nacionais. Desespera-me a passividade, a anuência tácita,a resignação da maior parte dos portugueses.

    Um estadista irlandês do início do séc. XX afirmou qualquer coisa como isto: "Os outros são grandes porque estamos sentados!".

    Creio que se aproxima o momento de TODOS nos levantarmos, de assumirmos a nossa quota parte da responsabilidade política e histórica pelo destino colectivo.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Não estou a apelar à revolta, à desordem mas a que cada um, individualmente, reflicta e questione o que pretende fazer por si, pela sua família, pelo país.

      J. F. Kennedy afirmou :"Não perguntem o que o vosso país pode fazer por vós, mas o que vocês podem fazer pelo vosso país.".

      Cumps.,
      Falso Vate

      Eliminar
    2. Está na hora de nos erguermos e mostrar o poder que temos... é essa a verdade.
      Continuamos a desconhecer o poder que temos e a permitir que façam de nós o que querem, sem medo, sem vergonha, sem temerem ninguém, continuam a abusar do povo ... até que ele se erga... está na hora.

      Eliminar
    3. Como sempre, Falso Vate, certeiro e abrangente. Um poço de informação para todos que gostam de ir mais fundo nestes assuntos. Grata pela sua colaboração e pelo seu acto de cidadania e altruísmo. Os portugueses agradecem aqueles que possuírem a capacidade de perceber o seu valor.

      Eliminar
  5. Muito bem visto Falso Vate.

    Ademais, parece que nesta altura o SIS deve estar muito ocupado com a segurança e protecção deste governo e qualquer apelo à revolta teria de ser bem pensada.

    A desordem, mesmo por desespero, seria o melhor pretexto para as forças de segurança atuarem sem pudor e denegrirem a imagem de uma minoria ativa, consciente e bem intencionada sobre o que realmente se está a passar neste país.... e não só.

    O nosso pensamento e palavra, para já, ainda são livres e temos de aproveitar essa pequena liberdade para poder lutar antes que essa possa correr o risco de ser extinguida. Está muito em causa!!

    Não nos esqueçamos das terríveis consequencias que crises idênticas trouxeram para a humanidade, num passado ainda bem recente e o timing acelerado em que isso tudo aconteceu.

    Não quero soar a paranóico... mas muita atenção!!

    ResponderEliminar
  6. O incidente com o jornalista grego é um precedente perigoso e um mau presságio para a Europa.
    O mesmo poderá vir a acontecer muito em breve em Portugal e mais tarde noutros países.
    Vivemos maioritáriamente, numa sociedade muito corrupta, com acentuadas tendências antisociais e cada vez mais covarde, que prolifera e se expande dia a dia como se de um cancro se tratasse.
    Cabe às pessoas de bem e a bem de todos, ter a coragem de travar o andamento desta perniciosa tendência.
    Eu, farei a minha parte, nesta luta...só ou acompanhado.
    Jorge




    ResponderEliminar
  7. Portugal ao contrário espera que quem esteja sentado se levante para que os outros saibam que parecem maiores porque estão de pé.

    Gostei de ler os diversos comentários, apesar do poema ser um comentário antecipado.

    ResponderEliminar