04 Março, 2012

As diferenças radicais entre Passos Coelho e Sócrates.

partidos politicos a roubar à decadasOs portugueses tardam em perceber que a democracia está "doente" ou demente. Que a mudança de partidos ou de rostos no poleiro não muda nada, pelo menos para melhor... 
Neste blog tenho tentado passar esta ideia que teima em não entrar na cabeça dos portugueses e impedi-los de ir, com regularidade, votar nos mesmos de sempre. Elegem os dinossauros sabidos da politica convidando-os a abusarem do nosso dinheiro e poder.  
Ricardo Araújo Pereira, aparentemente partilha da mesma visão, e decidi por isso partilhar este artigo da sua autoria, numa tentativa de transmitir o que tento há muito apregoar, mas ao estilo do humor genial de Ricardo Araújo Pereira, na esperança de acender mais luzes em cabecinhas adormecidas... 

"Ufa! Que sorte. Portugal livrou-se de um primeiro-ministro que dava o dito por não dito, faltava às promessas e impunha sucessivas medidas de austeridade, cada uma mais dura que a anterior. É bom olhar para trás, recordar esses tempos longínquos e suspirar de alívio. Para o substituir, os portugueses escolheram um primeiro-ministro que dá o dito por não dito, falta às promessas e impõe sucessivas medidas de austeridade, cada uma mais dura que a anterior. Trata-se de um conceito de governação tão diferente que, por vezes, parece que estamos a viver num país novo.

Quem vive em democracia tem de estar preparado para estas mudanças radicais. Sócrates usava, normalmente, gravatas de tom azul, enquanto Passos Coelho prefere os verdes e os ocres. No entanto, depois de um período de adaptação, os portugueses habituaram-se rapidamente à principal mudança política das duas legislaturas. Em abono da verdade, deve dizer-se que o povo português, embora seja dado a escolhas muito diferentes, de eleição para eleição, tem uma notável capacidade de se adaptar à nova conjuntura política.

Repare-se, a título de exemplo, no que acontece com o estilo de Vítor Gaspar, e no modo como os portugueses o aceitaram sem pestanejar - até porque se torna bem difícil pestanejar quando se ouve o ministro das Finanças. Vítor Gaspar tem, como é óbvio, aptidões em várias áreas do saber, embora nenhuma delas seja, ao que parece, a economia ou as finanças. Trata-se de um homem evidentemente versado em hipnotismo e encantamento de serpentes. Cinco minutos a ouvir Vítor Gaspar e o contribuinte começa a sentir-se com sono, muito sono. É nessa altura que percebe que a carteira começa a sair-lhe do bolso, ao som da voz encantatória do ministro. Seduzida pelo magnetismo animal de Gaspar, a carteira abandona o nosso bolso e dança até ao Ministério das Finanças, onde deposita os subsídios de férias e de Natal. Depois, regressa à nossa algibeira, para reabastecer. Gaspar, o encantador de carteiras, já demonstrou ter capacidade para fazer este truque todos os anos. Mas o povo, sempre pérfido, prepara-lhe uma partida cruel: a tendência maldosa do trabalhador português para o desemprego e o trabalho precário levará a que, em breve, não sobre quase ninguém a beneficiar de 13º mês. Lá terá o governo de nos levar o décimo segundo. 
Fonte
Ricardo Araújo Pereira

4 DESABAFOS DE PORTUGUESES TRAÍDOS.:

  1. Eu penso que um pobre povo secularmente habituado à injustiça, à esmolinha, ao favorzinho e por fraca defesa, a desenvolver a "esperteza saloia", dificilmente se irá habituar à CIDADANIA e aos direitos e deveres que isso acarreta, acabando por se abandonar à apatia e religiosamente aceitar "toda a merda que lhe dão para comer".
    No início do século do humanismo apareceram filósofos que defendiam o "despotismo esclarecido" para substituir o "absolutismo monárquico" que se demonstrava totalmente caduco, baseando que o povo não estava preparado para outro sistema de governação. Eu até sou capaz de acreditar nas boas intenções dos filósofos até porque os princípios eram fundamentalmente diferentes. Hoje temos como factos um Portugal que sai de uma "idade média" para um sistema dito de "democrático", só que os déspotas sendo os mesmos ou tendo os mesmos vícios conseguiram subverter o sistema e instalar na prática um "absolutismo" só que agora em vez do monárquico é-lhes dado por voto em grupos que "eles" à partida aceitam ou não segundo as regras já viciadas. Na prática só podem recorrer a processos que só o banditismo utiliza e deparamos com um sistema pérfido sem princípios em que a "justiça" faz parte integrante dos seus meios e aquele que pretender exercer a CIDADANIA é perseguido até o conseguirem anular utilizando formas diversas em que o isolamento ou vazio em volta é o mais vulgar, isto quando não o conseguem anular com a sua "jurisprudência".
    POBRE POVO, TRISTE NAÇÃO...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. a "justiça" faz parte integrante dos seus meios e aquele que pretender exercer a CIDADANIA é perseguido até o conseguirem anular utilizando formas diversas em que o isolamento ou vazio em volta é o mais vulgar, isto quando não o conseguem anular com a sua "jurisprudência".
      POBRE POVO, TRISTE NAÇÃO...

      Obrigado por contribuir para o enriquecimento do meu blog e simultaneamente para o enriquecimento do conhecimento dos que o lêem... Divulgar, informar urge... já se faz tarde!
      É indubitavelmente o problema base de todo o regime, é a falta de justiça que corrói tudo.

      Mais eficaz que a revolta cega, é a revolta dirigida com justiça e ao alvo correcto - a origem de todo o mal - retirar a capacidade de criar e aprovar leis aos criminosos que usufruem delas.
      Ambicionar que um dia a democracia terá a legislar os seus fundamentos, não os que nos saqueiam, e gerem com incompetência, mas sim os seus patrões e interessados num bom desempenho - o povo.
      Questionem-se...
      Será que algum destes senhores que desesperadamente lutam pelo poleiro, debatendo-se contra tudo e contra todos, em campanhas ferozes, desonestas e desprovidas de verdade, estariam dispostos a empreender esta mesma luta feroz, se o poleiro tivesse leis?
      Será que estes "bandidos" famintos por fama dinheiro e poder fácil, lutavam, ou mesmo, aceitavam um cargo politico se os cofres tivessem vigilância? Se as portas tivessem segurança? Se as paredes fossem transparentes? Se os seus negócios fossem desvendados ou gravados? Se os incompetentes fossem despedidos, e os criminosos punidos com crimes contra a nação?
      Certamente que iriamos assistir a um fenómeno raro e inesperado. Afastaríamos, sem recurso à violência, todos os criminosos, manipuladores, demagogos e incompetentes da politica.
      E em simultâneo tornaríamos o famoso poleiro, apenas apetecível a profissionais com ética, competência e dispostos a governar para fazer de Portugal uma "empresa" de sucesso.


      Acesse o Artigo Original: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/02/emidio-rangel-com-reforma-de-27-mil.html#ixzz1oF2KGeho

      Eliminar
  2. Ultimamente tenho seguido este blogue que é o único que tenho visitado todos os dias e surpreende-me a coragem e a tenacidade com que diariamente é actualizado e sinto-me culpado por não colaborar mais assiduamente na medida que é um exemplo de CIDADANIA e preocupação com o nosso inquinado quotidiano em que o futuro não existe com a actual situação política, ou seja com a actual "corja de mandantes".
    Para mim é um blogue que tem de ser apoiado para que a pequena chama de CIDADANIA não se extinga. Eu é que tenho de agradecer-lhe a sua iniciativa, coragem e tenacidade.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Acabou de descrever aquilo que realmente pretendo, de uma forma certeira e impactante... impedir que a chama de cidadania se apague.
      Mais uma vez obrigado. Pelo elogio e por me ajudar a transmitir as minhas intenções.

      Eliminar