25 agosto, 2013

O voto é o nosso doce, a nossa sobremesa, o nosso osso...

clara ferreira banca bpn cayman

Os sacrifícios e os saques a que os portugueses se sujeitam, tudo em nome de um doce, um osso - o voto!!
O voto democrático poderia travar e punir os criminosos.
Vamos tomar o voto a nosso favor e votar contra os que corrompem o sistema. Vamos finalmente votar e deixar-nos de mentiras e crenças falsas de que o voto nulo, branco ou abstenção, possuem algum poder ou valor.
Os corruptos fazem tudo para levar os eleitores a acreditar que a abstenção e o voto nulo e branco, possuem um valor sentimental muito grande e poderoso... Pois mas esse valor, é apenas o que o eleitor vê, porque na realidade não possuem valor nenhum. Serve apenas para desviar e desperdiçar milhões de votos que poderiam ser usados contra eles, que são desviados para o vazio. Para a nulidade.
Está bem explicito na lei que apenas os votos válidos possuem valor e legitimam aquele que tiver mais votos válidos, independentemente dos brancos, dos nulos, da abstenção e dos que os eleitores rabiscam com piadinhas de ódio ou de descontentamento...
Para os políticos corruptos, enquanto o povo estiver entretido a manifestar o seu descontentamento de forma inócua, e inofensiva, eles estão tranquilos a ganhar eleições sem qualquer luta ou esforço, bastam os militantes e amigos votarem, que o poleiro está garantido... nada nem ninguém se opõe. Os eleitores continuam a brincar ás revoltinhas ilusórias pensando que estão a punir os políticos com votos nulos e com a abstenção...

"SOU DONA DE MAIS UM BANCO
NÃO AGUENTO MAIS BOAS NOTÍCIAS. É um arraso, como se diz na Quinta do Lago. Todos os dias sou dona de mais um banco. Todos os dias.
Fiquei com o BPN e parece que com um banco em Cabo Verde que tem o bonito nome de Insular, Banco Insular de Cabo Verde, fiquei com o Banif, que anuncia nas Amoreiras, na parede lateral de um prédio, com um imenso cartaz desbotado pelos ventos, um amoroso cartão de crédito Hello Kitty, um sinal de maturidade financeira, ter um cartão de crédito do gatinho Hello Kitty, e agora vou ficar com o BPP.
No problemo, como dizem os mexicanos emigrados e os gangsters, o Estado injeta mais uns milhões de euros, aí uns 400 e tal, quase 500, mais milhão menos mi­lhão, e ainda fica em casa porque o banco tem "disponibilidades".
Lendo por alto fiquei com a impressão de que também passei a ser dona de um banco nas ilhas Cayman, o BPP Cayman, e se já adorava a ideia de um banco cabo-verdiano, Cabo Verde tem umas praias lindas, a ideia de um banco nas ilhas Cayman adoro, positivamente adoro. As ilhas Cayman são o máximo. Digo Cay­man porque dizer ilhas Caimão tira-lhes um certo chique.
Há umas minúcias a propósito do BPP Cayman, essa maçada que agora se chamam imparidades e que são mais ou menos umas massas que não são para reaver, significando que quem ficou com elas fez muito bem, mas existem verbas que provêm da "reavaliação de ativos pela massa falida", verbas "depositadas em bancos nacionais", "verbas aplicadas em diversos ativos, parte da dívida pública", etc.
Demonstra-se o ótimo investimento que é comprar a dívida pública portuguesa porque todos ga­nham dinheiro, sobretudo os bancos. Os portugueses pagam sempre as suas contas, portanto a dívida pública é um garante, há money, há cheta. Há cheta para tudo que tenha banco no nome, com ou sem Comissão Liquidatária.
Claro que é um bocado seca sacar dinhei­rinho a reformados com pensões superio­res a 600 euros (600? para cima de uma fortuna), mas aquele dinheiro é certo, pode contar-se com ele, e isso é muito bom, chama-se ajustamento. Depois, se todos temos de pagar impostos, a verda­de é que somos todos também donos destes bancos exóticos e dos outros bancos que compram dívida pública e a revendem com lucro e que têm depósi­tos do BPP nos cofres. É tudo meu, nosso.
Tirando os 35 milhões que são da Zenith SGPS, fundada por João Rendeiro e uma das credoras do BPP, o banco falido do dito Rendeiro. Fica em casa. A dívida pública somos nós, houve aque­la cena dos swaps, que ninguém percebe e acho que quem não percebe não se deve meter no assunto e deixar isso com os profissionais que vestem bons fatos e passam férias nas ilhas Cayman. Pois se eles recebem comissões e bonificações para tratarem destes assuntos maçadorís­simos por nossa conta e por conta dos nossos políticos, que andam carregados de trabalho.

Os países não acabam, diz o povo, e enquanto nós pagarmos não acabam mesmo e podemos ajustar-nos à vontade. Além de eleitores passámos a banqueiros, caramba, se isto não é uma promoção... Passámos da banqueira do povo para o povo banqueiro.
Podem dizer, na Islândia isso não deu mau resultado? Deu, mas regressaram à pesca do bacalhau, uma coisa linda de se ver. Passaram da Bolsa para a pesca do arenque e demais peixes de águas frias, mas estão muito mais felizes e nós, quan­do se acabar a guita para os bancos também podemos regressar à condição natural de povo simples, honrado, um pouco manhoso, que descobre a cabeça quando passa um banqueiro ou um político e trata toda a gente com uma gravata por senhor doutor. Um povo de pescadores e agricultores com filhos emigrantes.
Foi assim que vivemos e vivemos muito bem. Chama-se ajustamen­to, justamente. É melhor que ir desmatar.

A grande diferença é esta: votamos. 
E o voto é o nosso doce, a nossa sobremesa, o nosso brinde, o nosso osso. Votamos, e como nos fartamos de votar, pelo menos de dois em dois anos, usamos o privilé­gio. É bom, é bonito. Está pago, e se está pago é para consumir.
Podem vir dizer que votamos sempre nos mesmos, os que só têm dois neurónios funcionais e compram swaps em nosso nome a tipos que depois de venderem swaps e engana­rem o Estado vão para um poleiro no Estado, mas é essa a beleza da democra­cia. 
Não são os swaps deles, são os nossos swaps, é tudo nosso.
É sacrifício reparti­do. Por isso venha o BPP, e venham outros, venha a Caixa, venham os que quiserem, nós pagamos, nós podemos pagar. Podemos pagar tudo, os bancos falidos e os políticos falidos, falhados e reformados, porque temos eleições para o mês que vem, e depois outras, as legislativas, e mais as presidenciais, tudo com amigos nossos a concorrer, e podemos ainda ter as europeias. Querem mais? Vão mas é para as ilhas Caimão, a verificar os débitos."
Clara Ferreira Alves (Pluma Caprichosa)

Deixem de fazer do voto o nosso doce, façamos dele um arma contra a corrupção. Votem contra, não deixem de participar e fazer justiça nas urnas. Só com o julgamento e a punição se eliminam os criminosos/ maus políticos e se apoiam os bons. Chegamos a um ponto em que os bons já nem se atrevem a disputar as eleições, porque perceberam que a injustiça e inércia do povo, não os compensa na luta, não os valia nem julga correctamente. 



4 comentários :

  1. Hoje, votamos.
    Durante 50 anos do século XX não votámos, porque o dr Salazar considerava desnecessário tal.
    E, durante a idade média, mais de mil anos, a ideia de votar era de lesa-majestade e até contra a igreja já que, segundo a cultura da época, o rei governava em nome de Deus...

    Hoje, tal como nas curtas janelas do passado recente em que nos foi permitido votar, os representantes eleitos do Povo trairam-no, igualando em incompetência e tirania os seus mais rudes ditadores.

    Mas apesar de tudo, votamos. Bem ou mal, somos ouvidos.
    Falta agora conseguir dirigir o voto no sentido certo.

    Para uma organização de gente decente, não para organizações de raiz decente, mas hoje governadas por ladrões.

    Numa organização onde o combate pela transparência dos actos públicos seja constante, conhecido e, em consequência, premiado pelo voto, ao invés de premiarem a mentira paga difundida nos media, por bandidos mascarados de gente honesta.



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  2. A cerca de mês e meio das eleições autárquicas de 2013 os media, pagos directamente pelo governo ou indirectamente, com protecção às suas receitas publicitárias pelo "numerus clausus" de estações de tv - em pleno desafio ao conceito mais elementar de livre concorrência - iniciaram a publicitação descarada de sondagens.

    Estas, neste momento, visam essencialmente, mostrar que os partidos do arco do poder (partidos ladrões), apesar dos roubos que nos têm feito, continuam a dominar a cena política.

    O eleitor, manobrado pelos media, ganha assim a percepção que a sua intenção natural de votar fora dos partidos ladrões é inútil, pois eles "já ganharam"...

    Caro amigo: Lembra-se da única vez que o sistema tremeu, quando o general Eanes promoveu o PRD (Partido Renovador Democrático)?
    TODAS as sondagens davam (convenientemente) este partido com margens residuais de intenção de voto, sempre abaixo dos 5%.

    Pois bem: O PRD teve 18% dos votos.

    Consigo vos transmitir a dimensão da vigarice das "sondagens"? Servem apenas para arrebanhar votos que tendam a tresmalhar-se.

    Os seus mentores, podem mentir mas, tal como os políticos-ladrões, são legalmente irresponsáveis.

    Não caiam nessa.
    Votem longe dos partidos ladrões.
    Um qualquer.
    Mas que (ainda) não nos tenha roubado.

    Há falta de melhor, se pregarmos a estes mafiosos um susto e aos seus patrões europeus, perceberão que a vaca portuguesa está a secar...



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    1. exacto Anonimo. Só acrescento um reparo. Como não temos cabeças de sobra para transplantar temos que aguentar (democracia danada)que os eleitores pensem e votem ao contrario (do meu claro). Mas tambem me penitencio de não ser mais eficiente a mostrar que tenho razão e mover os outros para votarem bem(bem só quem vota como eu, claro).Que há muitos basta ver a campanha do falabarato Menezes que apesar de um grande partido e massivas campanhas está em risco? de não ganhar.Se não ganhar acredito que teremos campo para outra esperança nos meus co-eleitores e ajudados por cabeças de cartaz sérios,vamos correr esta corja de pokers e jotinhas e grandes colheres à volta do tacho publico.

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