05 março, 2012

A Islândia foi saqueada, tal como Portugal, mas lá o crime não compensa e a impunidade não venceu.


O que contribuiu para o sucesso Islandês, não foi apenas a manifestação que depôs o governo, pois se voltassem para o poleiro políticos corruptos, tudo voltaria ao mesmo. O que fez toda a diferença, foi a sorte de encontrarem um presidente com braço de ferro e coração de ouro... Resgatou as pessoas e não os bancos.

À semelhança de Portugal também a Islândia teve um caso ao estilo BPN. Créditos ao desbarato para os amigos. Empréstimos sem garantias. Todos os envolvidos estavam ricos. O governo não cumpria o seu papel, permitindo que a situação atingisse o ponto de ruptura. Tal como em Portugal, era o regabofe.
Contudo ao contrário de Portugal estes senhores, julgando-se intocáveis e crendo que o estado iria assumir todas as suas asneiras, depararam-se com um presidente justo e integro, que os obrigou a "pagar" pelo que fizeram.

Vejamos nos vários pontos, em baixo, as diferenças entre a postura do governo e povo Português e do Islandês, e percebemos que a profundidade da injustiça e corrupção, em Portugal, tem uma dimensão maior que a que julgávamos.
Pior ainda, percebemos que oferecer as dividas de um banco saqueado por políticos, a um povo inocente, não era a única opção mas sim a mais conveniente aos saqueadores.

1- A Islândia deixou cair os seus bancos e persegue os banqueiros.
Vê aí um modelo islandês de saída da crise?
(Ólafur Ragnar Grímsson, Presidente da Islândia) -Talvez não tivesse havido outra opção além dessa: os bancos eram tão grandes que não havia maneira de os resgatar. Mas não interessa se havia ou não opções. A Islândia não aceita a noção de o cidadão comum ter de pagar toda a factura das loucuras dos bancos, como aconteceu com essas nacionalizações feitas noutros lugares pela porta do cavalo.

2 - Ex-primeiro-ministro islandês julgado por negligência governativa.
Em Setembro de 2010, o parlamento islandês decidiu processar por "negligência" o antigo chefe do Governo, que liderava o país na altura em que o sistema financeiro islandês entrou em colapso, em Outubro de 2008.
Para julgar Haarde, foi criado um tribunal especial, o Tribunal Superior de Justiça (Landsdomur). JN

3 - Procura-se. Homem, 48 anos, 1,80 m, Calvo, olhos azuis. A Interpol acompanha esta descrição de uma foto na qual aparece um tipo bem barbeado enfiado num desses fatos escuros de 2000 euros. A delinquência mudou muito com a globalização financeira. Isto é a Islândia, o lugar onde os bancos vão à ruína e os seus dirigentes podem ir para a cadeia sem que o céu se abata sobre as nossas cabeças; a ilha onde apenas meio milhar de pessoas armadas com perigosos tachos podem derrubar um governo.
Isto é a Islândia, onde agora os taxistas lançam os mesmos olhares furibundos que em todas as partes quando se lhes pergunta se estão mais chateados com os banqueiros ou com os políticos.

Sigurdur Einarsson. Era o presidente executivo dum dos grandes bancos da Islândia e o mais temerário de todos, Kaupthing "a praça do mercado" Foi detido há uns dias na sua mansão de Londres. E é um dos protagonistas do livro mais lido na Islândia: nove volumes e 2400 páginas para uma espécie de saga delirante sobre os desmandes que a indústria financeira pode chegar a perpetrar quando está totalmente fora de controlo.

4 - A Islândia foi saqueada por cerca de 20 ou 30 pessoas. Uma dezena de banqueiros, uns poucos empresários e um punhado de políticos formaram um grupo selvagem que levou o país inteiro à ruína: 10 dos 63 parlamentares islandeses, incluindo os dois líderes do partido que governou quase ininterruptamente desde 1944, tinham empréstimos pessoais concedidos por um valor de quase 10 milhões de euros por cabeça. Está por demonstrar que isso seja delito (embora pareça que parte desse dinheiro servia para comprar acções dos próprios bancos: para fazer inchar as cotações), mas pelo menos é um escândalo enorme.

5 - O presidente do país dá com um mandatário - Ólagur Grímsson, que considera "uma loucura" que os seus concidadãos "tenham de pagar a factura da banca sem serem consultados".
O cúmulo deu-se com o novo século: o Estado privatizou a banca e os banqueiros iniciaram uma corrida desaforada pela expansão dentro e fora do país, ajudados pelas mãos deixadas livres com a falta de regulamentação e com taxas de juro à volta de 15% que atraíam as poupanças dos dentistas austríacos, dos reformados alemães e dos comerciantes holandeses.

6 - Mas voltemos a Arnar e ao seu relato: "a banca começou a desbaratar dinheiro em farras com champanhe e estrelas de rock; comprou ou ajudou a comprar meia Oxford Street, vários clubes de futebol da liga inglesa, bancos na Dinamarca, empresas por toda a Escandinávia: tudo o que estivesse à venda e tudo a crédito". Os executivos concediam créditos milionários a si mesmos, a familiares, a amigos e aos políticos próximos, frequentemente sem garantias. A Bolsa multiplicou o seu valor por nove entre 2003 e 2007. Os preços dos andares triplicaram. "Os bancos levantaram um obsceno castelo de cartas que levou tudo à frente", conta Arnar, que conserva o seu emprego, mas com metade do ordenado.
A magnitude da catástrofe foi espectacular. A inflação descontrolou-se, a coroa veio por ali abaixo, o desemprego cresceu a toda a velocidade, o PIB caiu 15%, os bancos perderam uns 100 mil milhões de dólares (há-de passar muito tempo até haver números definitivos) e os islandeses continuaram a ser ricos, mais ou menos: metade do que eram antes. De quem foi a culpa? Dos bancos e dos banqueiros, naturalmente. Dos seus excessos, daquele forrobodó de crédito, da sua desmedida cobiça. Os bancos são o monstro, a culpa é deles e, de toda a forma, dos políticos que lhes permitiram tudo isso. Também do povo que permitiu.

7 - O país inteiro viu-se apanhado numa bolha. A banca sentiu um desenvolvimento repentino, coisa que agora vemos como algo estúpido e irresponsável. Mas as pessoas fizeram algo parecido. As regras normais das finanças permaneceram suspensas e entramos na era do vale tudo: duas casas, três casas por família, um Range Rover, uma moto de neve. Os salários subiam, a riqueza parecia sair do nada, os cartões de crédito deitavam fumo", explica Ásgeir Jonsson, ex-economista chefe da Kaupthing. "Nós islandeses contribuímos para que se passasse o que passou, por permitirmos que o governo e a banca fizessem o que fizeram, mas também participamos dessa combinação de cobiça e estupidez. Os bancos merecem ficar afastados do jogo e nós merecemos uma parte do castigo: mas só uma parte"

8 - Tudo isso elevou a dívida pública acima de 100% do PIB e para controlar o défice os islandeses nem sequer se livraram da maré de austeridade que percorre a Europa desde o Estreito de Gibraltar até à costa da Gronelândia: mais impostos e menos gastos públicos. No final a Islândia teve que pedir um resgate ao FMI e o Fundo aplicou as receitas habituais: elevaram o IRS e o IVA islandeses e criaram novos impostos, e pelo lado dos gastos baixaram os salários e benefícios sociais e estão a fechar escolas; reduziu-se o Estado social. Que é o que costuma suceder quando de repente um país é menos rico do que pensava.

9 - a imensa maioria dos executivos da banca estão na rua e alguns aguardam julgamento. O nosso Sigurdur Einarsson, o banqueiro mais procurado, tratou de comprar uma mansão em Chelsea, um dos bairros mais exclusivos de Londres, por 12 milhões de euros. A maioria dos banqueiros que tem problemas com a justiça fizeram o mesmo durante os anos do boom, e menos mal que o fizeram: as pessoas apupavam-nos no teatro, atiravam-lhes bolas de neve em plena rua, lançavam bocas nos restaurantes ou deixavam espirituosas pinturas nas casas. Saíram a correr da Islândia. A hipoteca não era problema: Einarsson decidiu alugá-la ao banco enquanto vivia na casa; ao fim e ao cabo, um presidente é um presidente e esse é o tipo de demonstrações de talento financeiro que só trazem surpresas, no improvável caso, de que a justiça se meta no meio.

10 - "Deixar falir os bancos e dizer aos credores que não vão cobrar tudo o que se lhes deve ajudou a mitigar algumas das consequências das loucuras dos seus banqueiros", a Islândia deixa várias lições fundamentais.
Uma: não está claro se deixar cair um banco é um acto reaccionário ou libertário, mas o custo, ao menos para Islândia, é surpreendentemente baixo; o PIB da Irlanda (cujo governo garantiu toda a dívida bancária) caiu o mesmo e as suas perspectivas de recuperação são piores.
Dois: ter moeda própria não é um mau negócio. Em caso de aflição desvaloriza-se e vitória, vitória que se acabou a história; isso permite sair da crise com exportações, algo que nem a Grécia nem a Irlanda (nem a Espanha) podem fazer.

11 - Os directores de bancos islandeses que arrastaram o país para a bancarrota em finais de 2009 foram presos por ordem das autoridades, sob a acusação de conduta bancária criminosa e cumplicidade na bancarrota da Islândia.
Os dois arriscam-se a uma pena de pelo menos oito anos de cadeia, bem como à confiscação de todos os bens a favor do Estado e ao pagamento de grandes indemnizações. tsf

12 - (Actualização 2/12/2011)
Na Islândia o crescimento económico triplica em relação à UE em 2012.
De acordo com estimativas do Fundo Monetário Internacional (FMI), a Islândia vai fechar 2011 com um crescimento do PIB de 2,5%, prevendo-se novo crescimento de 2,5% para 2012 – números que representam quase o triplo do crescimento económico de todos os Estados-membros da UE que em 2011 ficarão pelos 1,6% e que descerão para os 1,1% em 2012. A taxa de desemprego no país vai ainda descer para os 6%, contra os actuais 9,9% da zona euro.
Contra factos não há argumentos e nem as agências de rating conseguem ignorar os efeitos positivos das decisões políticas. "A economia da Islândia está a recuperar das falhas sistemáticas dos seus três maiores bancos e voltou a um crescimento positivo depois de dois anos de contracção severa".
Das consecutivas decisões que o país foi tomando – e que continua a tomar – desde 2008 que não há vítimas a registar, a não ser os banqueiros e políticos que levaram à crise da dívida pública.
O crescimento económico, potenciado ainda por medidas como a criação de uma comissão constituinte de cidadãos sem filiação partidária que agora é consultada em quase todas as decisões políticas e pela contínua busca e julgamento dos responsáveis pelo estalar da crise. Resultado: para além dos números já avançados, está previsto um crescimento de 2,7% do PIB islandês em 2013. ionline

13 - (Actualização 5/3/12) Ex-primeiro-ministro islandês já começou a ser julgado.
Geir H. Haarde arrisca-se a uma pena de dois anos de prisão, por responsabilidade no colapso financeiro da Islândia, em 2008, é acusado de ignorar os alertas da supervisão em relação à crise iminente, que atingia os principais bancos islandeses.
A investigação considerou Haarde e outros três políticos responsáveis pela falência do país, mas o parlamento decidiu que só o ex-primeiro ministro devia ir ao tribunal. fonte

14 - (Actualização 21/10/12) "Os islandeses estão hoje a votar um referendo sobre questões relacionadas com a elaboração da nova Constituição do país, considerada a primeira do mundo que poderá ser redigida pelos próprios cidadãos.
O referendo inclui seis questões sobre temas como o papel dos recursos naturais do país, da igreja nacional ou o futuro sistema democrático da ilha. As perguntas, que devem ser respondidas com "sim" ou "não" , foram elaboradas por uma comissão de 25 cidadãos, eleitos em 2010, que ficou encarregue de rever a constituição. Por sua vez, estas 25 pessoas, de diferentes contextos sociais, pediram sugestões aos islandeses através da internet.
O islandeses estão ainda a ser questionados sobre o modo de elaboração desta Constituição e se estão de acordo que esta seja redigida através das contribuições dos cidadãos.
"Para mim, a escolha não é difícil. Penso que é o povo quem tem de decidir o que consta na constituição", disse à AFP Magret Einarsdottir, uma islandesa reformada. fonte

15 - "A Islândia reduziu a taxa de desemprego dos 12%, em maio de 2010, para os 5%, sem setembro deste ano, segundo dados do Gabinete de Estatística islandês, hoje citados pelo site do jornal espanhol 'ABC'." fonte
(contém ainda resumos de alguns artigos do site, Esquerda net)

22 comentários :

  1. O QUE FOI FEITO NA ISLANDIA E ADMIRAVEL !
    EM PORTUGAL -- E MUITOS OUTROS PAISES -- SERIA IMPOSSIVEL FAZER O MESMO POIS PORTUGAL HA MUITO QUE NAO E UM PAIS A SERIO.
    E UM FEUDO ONDE ALGUNS CONTINUAM A ROUBAR IMPUNEMENTE UM POVO DE CARNEIROS DE BRANDOAS COSTUMES QUE ACEITAM APERTAR O CINTO SEM REFILAR.
    QUEM ACTUA COMO OS PORTUGUESES FAZEM ESTA A PEDIR QUE O MONTEM MAIS VEZES. MERECEM !

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    1. O ESTADO PORTUGUES É CORRUPTO,

      POR ISSO QUE NADA FUNCIONA, NAO CONVEM QUE FUNCIONE, PARA UE A CRISE E O ESFORÇO NAO SEJA APRA TODOS.

      FUNCIOANRIOS PUBLICOS DEVERIA TODOS TER SALARIO INDEXADOS A REALIDADE, ACABAR COM SAUDE PRICADA, VAO AOS HOSPITAIS PUBLICOS, E OUTRAS MORDOMIAS.

      REFORMAS NA SEG SOCILA ANDA DE MORDOMIAS E ESQUEMAS NA CAIXA...

      ACABAR COM OS APRASITAS DO POVO PORTUGUES,

      E RESOLVER DE VEZ O PROBLEMA DO PAÍS.

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  2. ora nem mais...
    Cinismos de uma democracia doente...
    Neste país onde arruinar um país inteiro é crime mas não dá prisão nem pena...
    Gerir danosamente erário público, é crime mas não dá prisão nem pena
    Usar um banco e um grupo financeiro, para enriquecer a elite politica e depois de arruinado oferece-lo ao povo é crime mas não dá prisão.
    Comprar acções de forma ilícita e que valorizam estranhamente 140% a um banco que era todo ele uma fraude e um roubo, é crime mas não dá prisão. Dá presidência...
    Ter políticos a criar buracos orçamentais e dividas colossais é crime mas não dá prisão.
    Ser politico em Portugal é crime e não dá prisão.
    Manipular a lei para favorecer elites é crime mas não dá prisão.
    Vender património do estado para enriquecer os intermediários e lesar o estado é crime mas não dá prisão.
    Oferecer a gestão de empresas públicas a gestores com carreiras pautadas pela incompetência e ilegalidades é crime mas não dá prisão.
    Fazer adjudicações directas e por preços muito superiores a outros concorrentes é crime e não dá prisão.
    Fazer contratos de serviços muito mais caros que o que existe no mercado é crime e não dá prisão.

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  3. A corrupção e a promiscuidade continua, mas é bom que se saiba distinguir e não pôr todos no mesmo saco, penso que está tudo bem de ver, mas é preciso querer ver, são tantos os exemplos, mas como são todos das mesmas famílias políticas nunca é possível ser visto!

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    1. Se quiser ser mais especifico talvez se perceba o que pretende alertar, ou apenas dizer.. Se quis dizer que há políticos que não alinham na corrupção, sim acredito... mas que adianta? Não tem poder para denunciar o que sabem nem para enfrentar os que corrompem?
      Acabam por desistir ou apenas ser uma sombra...

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    2. BASTAVA O POVO SABER COMO SE VOTA CONTRA OS PARTIDOS CORRUPTOS E PORTUGAL SERIA LIMPO DA CORRUPÇÃO. VOTEM EM PARTIDOS SEM ASSENTO PARLAMENTAR SÓ ISSO TEM VALOR E PUNE OS PARTIDOS CORRUPTOS. Nos paises menos corruptos do mundo a democracia funciona porque as pessoas sabem votar e usam o voto, 90% votam... aqui só temos eleitores ignorantes por isso quem não funciona são os eleitores e não a democracia.
      A abstenção afinal obtém um resultado contrário, ao que pretendem os abstencionistas
      Por isso, o que me chateia na vossa abstenção é a falta de colaboração num trabalho importante. Não é uma questão de direitos ou deveres cívicos em abstracto. O problema é concreto. Temos uma tarefa difícil, da qual depende o nosso futuro, e vocês ficam encostados sem fazer nada.
      Isto tem consequências graves para a democracia. Quando a maioria não quer saber das propostas dos partidos, está-se nas tintas para o desempenho dos candidatos e nem se importa se cumprem os programas ou não, o melhor que os partidos podem fazer para conquistar votos é dar espectáculo. Insultarem-se para aparecerem mais tempo na televisão mentirem para agradar. Vocês dizem que se abstêm porque a política é uma palhaçada mas a política é uma palhaçada porque vocês não votam. Vocês não exercem o vosso dever de votar contra quem faz mal ao país. O vosso de dever e direito de punir os que lesam o país nas urnas.
      A culpa é vossa porque não é preciso muita gente votar em palhaços para os palhaços ganharem. Basta que a maioria não vote.. Basta abanar o pano da cor certa e, se mais ninguém vota, eles ficam na maioria. Mas se vocês colaborassem e se dessem ao trabalho de avaliar as propostas, julgar e punir os partidos que há 40 anos destroem o teu país, se os responsabilizassem pelas promessas que fazem e votassem contra os que mentiram, deixava de haver palhaços, interesseiros e imbecis na política.
      MAIS ARTIGOS SOBRE CIDADANIA E EDUCAÇÃO CIVICA, NESTE LINK, APRENDA A VIVER EM DEMOCRACIA SE QUER QUE ELA FUNCIONE::.. INFORME-SE VEJA ESTE LINK http://apodrecetuga.blogspot.pt/2015/10/percebam-que-abstencao-afinal-obtem-um.html#.WM_ogfmLTIU

      ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/03/aristocratas-arrogantes-e-petulantes.html#ixzz4cBcYCbtr

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  4. "Não é novidade que um terceiro tire vantagem da guerra entre dois países. É bem sabido que “quando duas pessoas disputam entre si, uma terceira se alegra”. Coloquemos esse ditado para um país ou para um planeta inteiro e veremos o conformismo."(...)" Será que são verdadeiramente os motivos ideológicos próprios de certos grupos que causaram essa guerra ou será preciso encontrar quem está por detrás disso?
    Quem poderia assumir a parte do terceiro?" - Jan Van Helsig
    Aqui está, igualmente, um apartidário. Os partidos são os veículos das marionetas dos banqueiros! Parabéns pelo fantástico site, pelo fantástico esforço e pela fantástica retórica esgrimida, quando a obtusidade de alguns, por vezes, o exige!

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    1. Ui... Muito obrigada pelos elogios.
      E principalmente pela citação com que brindou o meu site. Visto deste prisma muitas coisa ficam mais claras.
      Eu tento manter os meus textos sem grandes devaneios filosóficos para que o cerne da questão passe leve e certeiro.
      Mas este seu texto fez-me recordar como, por vezes, os devaneios mais filosóficos, são tão reveladores de verdades.
      Creio que é isso que se tem passado no mundo, na Europa e em Portugal. Há sempre e haverá, terceiros a querer manipular os que tem o poder.
      Esta questão, levanta outra... os apartidários no poder poderão ceder aos terceiros? Não são os partidos que corrompem os militantes, mas o poder que os torna apetecíveis por esses tais terceiros?
      Para mim tem que existir um regime onde o poder tem que ser totalmente repartido por pessoas com interesses opostos, como nas empresas, e onde o objectivo comum será o lucro.
      Isto é apenas uma ideia minha, que por vezes me assalta. Poupo-o aos detalhes, pois sou demasiado naif nestas áreas para me oferecer assim em sacrifício, fingindo saber algo sobre o assunto.
      Muito obrigado mais uma vez pelo seu contributo e pelas suas palavras de alento e força.

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  5. Quando aparece alguém, apartidário ou não, que não se subjugue aos interesses dos Rothschilds e seus, actualmente, incontáveis e inúmeros derivados, acaba morto! Veja-se o caso de Kennedy, Sá Carneiro, Luther King, Gue Vara, etc..."Para mim tem que existir um regime onde o poder tem que ser totalmente repartido por pessoas com interesses opostos, como nas empresas, e onde o objectivo comum será o lucro." - Isso é o que acontece actualmente. Pessoas com interesses opostos(partidos), têm como objectivo comum o lucro(mas para si mesmos e não para o bem comum).Isto, claro está, é a minha opinião. Não creio que seja naif, nem eu sou alguém que se julgue no direito de sacrificar ou julgar alguém, ainda por cima, alguém com tal verticalidade e coragem.

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    1. Eu não queria entrar em detalhes sobre a minha teoria para não me meter por caminhos perigosos, mas parece que acabei por o fazer, mesmo sem iniciar a caminhada.
      Eu referia-me a uma gestão de onde cada um geria o seu sector sem ter que ser afectado pelos outros, e os interesses opostos no sentido que teriam que conviver em ambiente de concorrência.
      Ora isto significaria que as empresas publicas teriam de ser geridas de forma lucrativa e evitava-se o efeito dominó que temos agora, quando um ministério se afunda retira-se dinheiro dos outros para acudir ao carente. Os interesses opostos no contexto de existir um ambiente salutar de competitividade e não de compadrio e piedade.
      O lucro seria obtido se estas empresas monopolistas fossem bem geridas.
      Não vejo onde é que pode achar que é o que temos hoje.
      Hoje temos empresas que visam não o lucro mas os limites de endividamento.
      Temos empresas que visam albergar amigos e políticos incompetentes.
      Temos empresas que vivem em promiscuo compadrio e ocultação de falcatruas onde todas se protegem, se aliam para tramar o estado e favorecer os privados e a eles próprios.
      Temos ministérios onde já ninguém se entende gigantescos, pesados, quase inertes, sem reacção e sem utilidade.
      Temos dos mais caros gestores do mundo e os que piores resultados apresentam por onde passam e persistem em continuar por lá... rodando e deixando um rasto de prejuízos.
      Os portugueses deveriam ter o direito de contratar os verdadeiros bons gestores escolhidos por mérito e confiança, com provas dadas para gerir cada um dos seus ministérios e empresas.
      Os portugueses deveriam ter o direito de saber os resultados e os passos e despedir os que mostrassem estar a falhar.
      Os portugueses deveriam ter o direito de ter o seu futuro e o seu dinheiro entregue nas mãos de gente decente e nunca num bando unido de saqueadores.

      Para rematar convido-o a ler um exemplo dos critérios de escolha de gestores/administradores para liderar uma das mais ruinosas histórias de Portugal.

      Email de Oliveira e Costa - a escolha dos chefes tem uns critérios muito estranhos??? Como não haveria de ir à falência???
      http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/03/o-bpn-albergava-boys-de-varios-partidos.html

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  6. Eu sublinhei que o que acontece hoje, através do endividamento, como referiu, é a procura do lucro mas para quem as gere e sus muchachos. Então uma empresa pública deve visar o lucro? Na minha opinião, se uma empresa pública é constituída para suprir uma necessidade colectiva, já de si suportada pelo pagamento de impostos, não deve visar o lucro mas sim a sua auto-sustentabilidade e cumprir o seu papel de serviço público." Temos empresas que visam albergar amigos e políticos incompetentes.
    Temos empresas que vivem em promiscuo compadrio e ocultação de falcatruas onde todas se protegem, se aliam para tramar o estado e favorecer os privados e a eles próprios." Exactamente. Visam o lucro e o favorecimento imediato ou futuro de quem as gere e, de alguma forma, beneficiou interesses de privados de forma fraudulenta. Defendo, tal como você, a escolha de gestores com provas dadas para esses sectores e não a nomeação, ou o concurso público já decidido a priori. Também concordo com a total transparência da coisa pública. Todavia, o problema está na regulação e, consequentemente na redistribuição dos dinheiros públicos, claro está. Alguém que tenha a sua fortuna numa off-shore não a vê tributada e, consequentemente, como sorvem o dinheiro quer através de meios lícitos ou ilícitos e o colocam em paraísos fiscais, cada vez há menos meios de financiamento estadual. A única coisa com a qual discordo consigo é que, no meu entender, sectores como a educação, a segurança, a saúde não deveriam visar o lucro, unicamente a sua auto-sustentabilidade. Ou acha correcto que, por exemplo, o valor das coimas esteja previamente previsto no Orçamento de Estado, mal se inicia o ano? Daí a denominada caça à multa. Aceito o convite...

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    1. Lá está... expliquei-me mal, o que eu queria dizer e ficou mal explicado é que não se devem pautar por metas pela negativa. As empresas publicas estão sempre a afirmar que "ainda não atingiram o limite de endividamento"- grande feito. Ou seja não há metas positivas, não há esforço de sustentabilidade. A ideia deveria ser apontar para o lucro ou a sustentabilidade, nunca o endividamento.
      E repare que quando falo de lucro, me refiro ás muitas que o obtém como era o caso da EDP, onde o lucro era quase inevitável, mas esse lucro é suposto ser usado em serviços sociais ( escolas, hospitais) ou seja era somado aos nossos impostos para a sustentabilidade do todo.
      Sou uma mera cidadã, que pouco entende de finanças ou economia, isto é apenas o que vejo em oposição ao que existe... que decididamente não funciona a favor do povo e do país.

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    2. Eu também sou um mero cidadão que pouco conhece de finanças e economia mas que gostaria de saber muito mais. Não obstante, é um conhecimento propositadamente difícil de adquirir e desde que aprendi o que é a historiografia (o estudo de quem faz a história) que consigo interpretar melhor tudo o que leio. Empresas que gerem bens essenciais como a energia, a água, etc, não devem nunca ser privadas ou essa ambiguidade que são as parcerias público privadas. Acredite que aprendi muito com o seu blog e a minha intenção é, tão-só, discutir as minhas ideias, ainda que incorrectas ou incompletas, porque este modelo de estado está a falir e, quando o tento fazer com alguém, passo por lunático, conspirador entre outros adjectivos, consoante quem faz a crítica. Não passo de um mero estudante que, segundo alguns, pensa demais...embora não saiba o que isso possa ser...

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    3. Mas quando me refiro a privadas falo de gestão privada. Ou seja, eu sei que privatizar bens e serviços essenciais seria grave para quem precisa deles. Refiro-me a gestão privada, onde o povo/estado, como tinha dito antes, tinha direito a escolher a equipa de gestão, e as regras etc.
      Mas competitivas na medida em que existiria um termo de comparação com gestões anteriores e os gestores teriam a sua reputação em jogo.
      Talvez com um exemplo me faça entender melhor...
      O governo dos municípios na Finlândia encontra-se nas mãos de "gestores da cidade", ou seja, funcionários públicos com experiência na administração de tais entidades. Assim, o público pode distinguir claramente o responsável e que até podem ser despedidos ou substituídos, pela Câmara Municipal ( órgão eleito nas urnas pelo povo e que possui a representatividade da soberania popular)


      Tudo seria gerido no espírito empresarial, onde o poder politico/partidário não decide nada.

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  7. Parabéns pelo blog e para mim a Islândia é um exemplo que devíamos de seguir, mas já não tenho esperanças e com certeza em poucos anos deixará de haver este País e por nossa culpa, bem no fundo das nossas entranhas existe um salazarinho que nos acompanhará até a cova.

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  8. Assim é que é, gatunos para a cadeia, aqui em Portugal é só desviar e o zê povinho a pagar, maldição!

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  9. Quando será que em Portugal, o povo resolve correr unanimemente com todos estes governantes corruptos e elege pessoas sérias para a governação dos nossos destinos futuros? Gostaria muito de ver o exemplo da Islândia no nosso país. Acho que o povo merecia ter um pouco de sossego, com pessoas honestas a gerir os seus destinos!!!

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  10. Antes de mais, parabens pelo blog. Peco desculpa mas estou a redigir isto num teclado estrangeiro e nao possui alguns caracteres!

    Acerca do topico, tenho apenas 3 palavras que, so por si, dizem muito: o poder corrompe.

    Sou de opiniao que o pais precisa de uma revolucao novamente, mas desta vez seria o povo a correr com o governo, e nao os militares. No entanto, duvido que tao cedo algo parecido aconteca. Penso que, nos dia que correm, o Portugues mediano e covarde de mais para sair a rua com punho formado.

    Cumprimentos,
    Luis Vale

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  11. Louren Junior (Lourenço Rendesi Junior)
    Os barsileiros copiam tantas coisas de fora. Copiem também o que é bom.
    Alguém com braço de ferro. Urgente.
    O problema do Brasil é diferente dos exemplos citados. O que impera no Brasil é o "privilégio". Onde alguns pode e outros nada podem.
    Ciaram esse "abismo" na sociedade. Um bôa parcela dos corruptos corraborando com o que "os maldosos se unem equantos os bondosos se omitem". Essa união consegue se manter no poder e os desmandos continuam com o beneplácito de um povo que colocaram nas suas cabeças de um povo "generoso e bondoso". E oferecem mil e uma oportunidades do "pão e circo". Aí os crimes, a violência, a formação de quadrilhas daqueles menos aquinhoados pela má educação que os responsaveis oferecem. Os PCC da vida. Como se tudo é normal.
    E sabem o que justificam. São os pais, e a escola que não educam.
    Onde se pode imaginar que um cidadão representante do povo. Depois de julgado, condenado pelo roubo de milhares de cidadãos continue a representa-los no Coongresso Nacional. Só no Brasil. Mentiras sobre mentiras. É o ditado "dá com uma mão tira com a outra.
    " o mal só prolifera pela omissão dos bons.
    Abs.
    Louren Junior

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    1. No Brasil ainda os condenam, em Portugal até a justiça está comprada, nenhum foi condenado até hoje, mesmo os do BPN que todos sabem o que fizeram e foram os que mais contribuíram para falir Portugal.
      Em Portugal os criminosos são os mais respeitados pela justiça e pelo povo.

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  12. Agora que já passaram alguns anos sobre a crise islandesa, talvez seja altura para fazer uma actualização ao caso islandês. Certamente haverá muito para contar: o governo que "libertou" a islandia mantem-se no poder? Que políticos e banqueiros foram condenados? Como ficou a evolução economia? Qual é a taxa de desemprego actual?

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