23 novembro, 2018

TEMOS OS POLITICOS QUE MERECEMOS SOMOS NÓS QUE OS MOLDAMOS UM POVO QUE NÃO VOTA NEM SABE USAR O VOTO JAMAIS SERÁ REPRESENTADO

As virtudes da democracia  

Portugal é hoje um país doente, governado por impulsos de curto prazo, em que a grande preocupação é a conquista e a preservação do poder, afastados da realidade política e económica, nacional e internacional, ou de uma estratégia de desenvolvimento, que, aliás, verdadeiramente nunca existiu

Nestes textos semanais, os subscritores do “Manifesto: Por Uma Democracia de Qualidade” têm defendido a democratização do regime político e a reforma das leis eleitorais, mas escrito menos acerca das consequências negativas, quer políticas quer económicas, resultantes da inexistência de verdadeiros órgãos democráticos de fiscalização dos governos, o que permitiu a governamentalização do regime – o que resulta do seguidismo partidário e da falta de qualidade e de independência dos deputados escolhidos para a Assembleia da República, qualidade que tem piorado com o tempo e por força do crescente sentimento de impunidade da classe política.

Ou seja, a vitória da fidelidade ao chefe e do conformismo à custa da competência e do mérito tornou-se uma forte característica do regime político português, consequência que se esperaria do critério usado na escolha dos representantes do povo por meios autocráticos das direções partidárias, em que os objetivos de poder dos partidos se sobrepõem ao interesse nacional. Já aqui escrevi que se trata de um modelo em que os chefes escolhem os índios de maior confiança e os índios, agradecidos, “elegem” o chefe, sem que os eleitores tenham qualquer poder na escolha dos deputados.

Também, como seria de esperar, centralizar todo o poder político no topo dos partidos, à custa da liberdade e do poder de intervenção política e social dos cidadãos e das instituições da sociedade, é o resultado da falta de competência e de seriedade, ética e política, dos escolhidos pelos partidos para governar Portugal, com a consequência lógica do crescimento da corrupção. Há, naturalmente, exceções, mas que não alteram a realidade do atraso crescente de Portugal relativamente à generalidade dos outros países da União Europeia, com sistemas eleitorais democráticos.

Assim, apesar de todas as promessas feitas e das bem-aventuranças prometidas pelos partidos políticos, Portugal é hoje um país doente, governado por impulsos de curto prazo, em que a grande preocupação é a conquista e a preservação do poder, afastados da realidade política e económica, nacional e internacional, ou de uma estratégia de desen-volvimento, que, aliás, verdadeiramente nunca existiu. O que existe é a incapacidade dos governos de prever e de antever o futuro, para centrar toda a sua atenção e recursos na conjuntura.

Não surpreende, portanto, que Portugal continue a afastar-se dos restantes países da União Europeia. Sobre isso, cito o prof. Nuno Garoupa: “Se os números não estiverem completamente errados, Portugal terá sido ultrapassado em 2018 pelos países do Alargamento. República Checa, Eslovénia, Eslováquia, repúblicas bálticas. Têm agora um rendimento per capita superior ao português . Não tinham há 15 anos. E eram países significativamente mais atrasados que Portugal há 30 anos. Mas as más notícias não param. Portugal desceu de 84% em 1999 para 78% do rendimento per capita europeu em 2018. Portugal está hoje mais distante da média europeia do que em 1999. E ainda há mais. Olhando os países que ainda estão atrás de Portugal em 2018, se as trajetórias de crescimento não forem significativamente alteradas, Croácia, Hungria e Polónia ultrapassarão Portugal na próxima década. Quer isso dizer que, dentro de dez anos, com enorme probabilidade, apenas a Bulgária e a Roménia serão mais pobres que Portugal. E veremos o caso grego.”

Não se trata de um acaso e, para compreender melhor algumas causas económicas do nosso atraso, bastará atentar em alguns dos erros que os governos portugueses cometeram ao longo dos anos e comparar com o que fizeram os outros países que previram a evolução futura da Europa e do mundo. Por exemplo:

– Desperdiçámos a oportunidade de ter uma estratégia euro-atlântica, de acordo com a nossa posição geográfica, a nossa história e a nossa experiência universalista;

– Privilegiámos os produtos e bens não transacionáveis à custa dos transacionáveis. Ler a este respeito o que escreveu em livro o economista Vítor Bento;

– Os governos desenvolveram uma logística interna – autoestradas – e privilegiaram o mercado interno à custa da logística externa – marítima e ferroviária – e das exportações;

– Quando toda a Europa apostou na ferrovia e no uso de energias renováveis nos transportes, os governos portugueses apostaram na rodovia e nas energias de origem fóssil;

– Sucessivos governos privilegiaram o transporte individual e desleixaram o transporte coletivo;

– Na educação, em vez de exigência, os governos escolheram o facilitismo, em detrimento de uma sólida formação de base – creches e pré-escolar –; privilegiaram o topo – ensino universitário – e, infelizmente, sem quaisquer critérios de empregabilidade. Como resultado, formámos jovens para o desemprego e para a emigração.

02 outubro, 2018

SEM CIDADANIA NÃO EXISTE DEMOCRACIA, SÊ CIDADÃO

Dou comigo, inúmeras vezes a tentar entender as razões de tantos países
funcionarem de forma tão desajustada e injusta. E percebo que sem pensamento critico e sem coragem para fazer uso dele, seremos sempre menores e o que nos rodeia, reflecte essa menoridade.
E a fraca democracia que nos rodeia, é esse mesmo reflexo, de um eleitorado incapaz de fazer uso do seu entendimento.
Sobre um conceito de Kant e sobre a democracia, urge educar para a democracia funcionar. Estamos a perder a noção de cidadania e morre, assim, a democracia.
Não deveríamos permitir que as opiniões dos outros passem a ser as nossas, acriticamente, que as orientações dos outros nos orientem, que os "opinion makers" (marcelos rebelos de sousa, miguel sousa tavares, jorges coelhos, Sócrates, etc) nos manipulem apenas porque possuem acesso privilegiado aos meios de comunicação, isso não deveria ser, só por si, um sinal de credibilidade, nem deles nem do meio de comunicação que eles usam. Mas em sociedades acríticas parece que é.
No texto em baixo, Kant explica como, por preguiça e/ou cobardia, as pessoas se auto impedem de fazer funcionar a democracia e alcançar a maioridade, pois não insistem ou desistem da autonomia na criação do pensamento individual/ pessoal. Só as ovelhas seguem pastores. Mas a maioria das pessoas opta por essa postura, alguém.

"A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a sua causa não residir na carência de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem. Sapere aude!" ("atreva-se a conhecer")"
Em Portugal, os media em geral, inundam os portugueses com comentadores tendenciosos e servis partidários, a debitar subjectividades e a moldar opiniões, e milhões de portugueses são incapazes de perceber que se trata de meras "opiniões" com intuitos e alvos bem definidos, não factos.
E na incapacidade de pensar e discernir, os portugueses aceitam a opinião sem questionar, para muitos, as opiniões são factos. Ficam fãs ou fanáticos do emissor e a partir daí nada questionam. Foi assim que o Marcelo Rebelo de Sousa, o mais popular comentador de actualidade politica, ganhou milhões de fãs. Um
comentador politico, que num país minado de corrupção nunca referiu a corrupção ou a denunciou, mas é amado por quase todo o país, apesar de ter sido sempre um ilusionista e branqueador da verdade suja em que nos afundamos. Mantendo as vítimas do sistema, essencialmente os eleitores, anestesiados ao "apagar" dos seus comentários políticos, o caos corrupto que destrói todas as infraestruturas do país.
Por isso temos o país que temos, pejado de rebanhos acríticos, incapazes de saber exercer cidadania pois a cidadania é o julgamento que exige discernimento e critica, censura e avaliação pública, do desempenho dos partidos. E se as pessoas não sabem pensar por elas, pensam através das dicas dos manipuladores ao serviço dos partidos mais corruptos de Portugal, e que por isso dominam os media.
Em baixo cito um artigo interessante sobre a urgência de educar as pessoas visando uma democracia que funcione. Porque a democracia é o povo, se o povo é pouco funcional, ela também o será. Se o povo não sabe ser exigente e mostrar o que não quer e o que quer, através da democracia/ voto, ele não terá qualidade nem representação dos seus direitos mais básicos. Se não é crítico aceita como verdade o que lhe colocam à frente. Se não vota, não exerce justiça.
É preciso um eleitor de qualidade para se obter uma democracia de qualidade. Um eleitor exigente para que os que o representem se sintam impulsionados a corresponder às exigências.
""Um texto fundamental para compreender a democracia moderna.
Resposta à pergunta: que é o iluminismo? O opúsculo de Immanuel Kant datado de 1784, é um dos textos mais importantes para quem queira pensar sobre a complexa relação entre a democracia e a educação.
De facto, Artur Morão, o tradutor que li, mesmo apontando algumas críticas que a passagem do tempo autoriza, reconhece que se trata de
"um dos mais contundentes apelos ao exercício autónomo da razão, à liberdade de pensamento (...) constitui ainda uma expressão sintomática de um momento fundamental na estruturação da consciência moderna (...) Propõe, de certo modo, um ideal imperativo e inatingível – precisamente a consecução da genuína e plena ilustração intelectual."
Se alguma finalidade a educação deve perseguir, com destaque para a educação escolar, é a formação do "entendimento", da "razão", que permite a escolha autónoma e responsável, o exercício do livre-arbítrio e cria as condições para o exercício da liberdade e da dignidade.
Logo ao princípio diz Kant nesse texto:
"A menoridade é a incapacidade de se servir do entendimento sem a orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria, se a sua causa não residir na carência de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem em se servir de si mesmo, sem a guia de outrem. Sapere aude! Tem a coragem de te servires do teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminismo.
A preguiça e a cobardia são as causas de os homens em tão grande parte, após a natureza os ter há muito libertado do controlo alheio (naturaliter maiorennes) continuarem, todavia, de bom grado menores durante toda a vida; e também de a outros se tornar tão fácil assumir-se como seus tutores. É tão cómodo ser menor. Se eu tiver um livro que tem entendimento por mim, um director espiritual que em vez de mim tem consciência moral, um médico que por mim decide da dieta, etc., então não preciso de eu próprio me esforçar. Não me é forçoso pensar, quando posso simplesmente pagar; outros empreenderão por mim essa tarefa aborrecida. Porque a imensa maioria dos homens (...) considera a passagem à maioridade difícil e também muito perigosa é que os tutores de bom grado tomaram a seu cargo a superintendência deles. Depois de terem, primeiro, embrutecido os seus animais domésticos e evitado cuidadosamente que estas criaturas pacíficas ousassem dar um passo para fora da carroça em que as encerraram, mostram-lhes em seguida o perigo que as ameaça, se tentarem andar sozinhas. ""

Por isso os portugueses se embriagam e devoram as ideias dos opinion makers, que debitam informação manipulada na tv e afins ... É difícil raciocinar, usar o entendimento autónomo, para compilar informação, organiza-la, e criar a nossa própria opinião e saber expô-la, ter também a coragem para o fazer. Não é para todos. É muito mais fácil ouvir outros, despejar o produto acabado, engoli-lo e já está, já sei o que pensar... Mais fácil do que procurar informação e desenhar a nossa opinião.
Apesar de tudo, ainda existem alguns, poucos que recusam engolir comida mastigada por outros, que procuram ser maiores. Apesar de saberem que é um esforço inglório e por vezes até ridicularizado, porque parece estranho, à vista da maioria, mas é um orgulho para o próprio pq só ele sabe o valor que isso tem, a conquista que isso foi e a lucidez que isso lhe dá quando o caos nos tenta engolir... E acima de tudo só as pessoas que atingem esta maioridade, podem alcançar a moralidade, porque só a maioridade nos permite ser conscientes e nós próprios e só assim podemos discernir entre o moral e imoral. Entre o admissível e o inadmissível.
Sem cidadania não pode existir democracia, estamos presos a este ciclo viciado de corrupção, graças a um eleitorado incapaz de fazer uso do seu entendimento autónomo. E a cidadania é a intervenção séria, activa e consciente, dos cidadãos. Saberem em quem e no que devem acreditar, e saberem quais as regras da democracia. Mais de 70% dos eleitores, por exemplo, não sabem o valor nem o significado do voto válido, do voto nulo ou branco, e muito menos da abstenção. Pois se o soubessem, não existiriam estatísticas a mostrar que apenas 30% vota
válido, que é o único voto que conta e muda alguma coisa.
Não existiriam eleitores fanáticos por partidos, em vez de leais seguidores da verdade, do bem comum e da qualidade. E seria finalmente quebrada esta ditadura dos partidos, pois as pessoas saberiam criticar/avaliar os maus executantes pelo seu passado, pelo seu cadastro e pelo seu desempenho e votariam em conformidade. E essa é uma falha que nos custa, há décadas, muitos milhões de impostos, muitos postos de trabalho, muita degradação das infraestruturas do país, empobrecimento, atraso, corrupção… etc

07 setembro, 2018

ELEITORES NÃO ENTENDEM QUE TÊM QUE IR ÁS URNAS PARA EXPULSAR OS MAIS CORRUPTOS DO PODER


Má notícia: corrupção não conta na hora do voto. Eleitores não avaliam entre os mais e menos corruptos. Saiba por quê

diante de candidatos corruptos, os eleitores se sentiam menos motivados para comparecer às urnasPesquisas apontam que a corrupção pode impactar negativamente o comparecimento às urnas, mas costuma não ser considerada na decisão do voto ou seja o eleitor não sabe o que deve fazer para votar contra a corrupção e então deixa de votar ou anula o voto, portanto não vota contra os mais corruptos e não pune a corrupção.

PROTESTO CONTRA A CORRUPÇÃO: 29% dos eleitores apontaram o fato de todos os candidatos serem corruptos como razão para anular o voto

O problema é que, diferentemente do que se poderia imaginar, a corrupção não leva os eleitores às urnas para mudar o quadro de políticos eleitos ou tirar os corruptos do poder —estudos apontam que, na verdade, a corrupção não é nem
CORRUPÇÃO , ABSTENÇÃO, VOTOS BRANCOS NULOS
levada em conta na hora de votar.

Impacto no comparecimento

Dois pesquisadores das universidades da Califórnia e de Pittsburgh, nos Estados Unidos, se uniram para mostrar que a indignação com a corrupção impacta negativamente o comparecimento às urnas. Miguel Carreras e Sofia Vera incluíram uma pergunta experimental em uma pesquisa de opinião nacional na Colômbia, conduzida entre agosto e outubro de 2016, para avaliar o impacto da corrupção na participação eleitoral. Eles decidiram realizar o experimento na Colômbia por ser um país com níveis altos de corrupção —segundo o AmericasBarometer, 80% dos colombianos afirmaram, em 2012, que a corrupção era “muito generalizada” em seu país.