08 janeiro, 2013

A crise não dá para disfarçar. Os números não mentem.



"A austeridade não é uma invenção ou escolha, é a realidade, é a vidinha que temos pela frente. O debate está apenas na fórmula dessa austeridade. Porque os números que se seguem são isso mesmo: números, factos, e não estados de alma.

(a). Portugal tem cerca de 10,5 milhões de pessoas, mas só tem 4,8 milhões de trabalhadores no activo. E o rácio vai continuar a diminuir, ou seja, os cortes nas reformas são e serão mais ou menos inevitáveis. Só havia um caminho para evitar esses cortes: emissão de dívida para armazenar dinheiro no sistema antigo, libertando os mais novos para um sistema diferente. Os polacos fizeram isto. Mas, agora, Portugal não tem a folga necessária para fazer essa mudança. Eis, talvez, a maior das lições desta crise: a dívida deve ser usada em mudanças de fundo, e não na gestão corrente do Estado.

(b). Em 2004, a dívida pública portuguesa era de 90 mil milhões; em 2011, já estava nos 174 mil milhões. Em seis anos, um primeiro-ministro quase duplicou a dívida soberana do país. 93% de aumento em apenas seis anos. Isto gerou crescimento? Não. Gerou emprego? Não. Gerou a terceira bancarrota do Estado desde 1977. Mas não faz mal: os ministros e restante canalha deste primeiro-ministro continuam na palminha da mão dos média. A culpa é da Merkel, do protestantismo, dos "neoliberais", do Bush e quiçá do degelo.


(c). E as PPP? Devido à gentileza socialista, as famosas PPP representam um encargo de 26 mil milhões entre 2012 e 2050 (mas cheira-me que este sub-buraco será maior). Isto faz disparar a dívida do Estado para 200 mil milhões.
(d) E, agora, temos a parte divertida: relacionar este buraco financeiro com o buraco demográfico. Em 2004, o Estado devia 8,500 euros por cada português; em 2011, devia 19.032 euros. Isto seria sempre mau, mas torna-se pornográfico quando sabemos que esta política económica, perdoem-me o eufemismo, não gerou crescimento.


(e). Se acha que o cenário é péssimo, o meu caro leitor deve esperar mais um pouco. As contas têm de ser feitas não com o número de cidadãos, mas com o número de trabalhadores no activo. Portanto, a nossa vidinha é assim:
por cada trabalhador, o Estado devia em 2004 cerca de 18 mil euros; em 2011, devia 41 mil euros.
(f). Em 2012, o país ainda não quer olhar para a dimensão deste buraco, ainda quer pensar que a realidade é só a representação da nossa vontade." FONTE

10 comentários :

  1. Excelente artigo, a comunicação social, é cada vez menos livre, só nos informam o que lhes interessa e por mais. Nunca ouvi em nenhuma rádio ou debate televisivo "por cada trabalhador, o Estado devia em 2004 cerca de 18 mil euros; em 2011, devia 41 mil euros."
    Realmente mais vale a leitura diária deste blog, que simplesmente um debate televisivo.

    Mas este governo não está à altura de ultrapassar a crise, quantos mais dias nos governa, mais estamos a ir para o abismo, temos um mr. bean nas finanças, um relvinhas que toda a gente sabe que é um corrupto, o coelho que não vale uma cenoura que come (é sem dúvida o pior primeiro ministo há 38 anos) é um medroso. O Portinhas que lesou o estado em milhões com os submarinos em 2004. Mas neste País não se passa nada. Como um canalha desta espécie rouba o País a descarada toda a gente sabe e vai novamente para o governo, mas será que os Portugueses são burros, só pode. A maioria dos que votam só podem andar a brincar com isto, eleger escumalha, agora todos os portugueses pagam por tabela.

    Estamos tramados, com esta merda do governo estes políticos da treta, mas julgo que não vai passar deste semestre, mal de nós se o governo continua. No sábado, ouvi na rádio que se o tribunal constitucional, considerar inconstitucional algumas medias o orçamento de estado podia não ser aprovado, era o fim de Portugal, ficava sem dinheiro. Mas qual fim? O problema de Portugal é apenas a despesa, para fazer face a despesa, quer aumentar impostos, não querem é reduzir, ou seja, manter os luxos e mordomias. Caso não houvesse esse financiamento do exterior, estas mordomias acabavam eram todas e isso eles (políticos parasitas), não querem.
    Ainda agora foi injectado mil milhões no banif. Não há dinheiro para as pequenas e médias empresas mas há milhões e mais milhões para os mesmos de sempre.

    Fernando

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    1. Na verdade eu apenas pesquiso dados, compilo e coloco-os de forma que as pessoas os entendam claramente e encontrem o mais importante. Sem que se percam no imenso e complexo texto de muitos jornais e debates. Ainda me lembro quando comecei a escrever este blog, a imprensa falava do BPN com paninhos quentes, como se o BPN fosse apenas um acontecimento normal e um procedimento normal do sector bancário. Ninguém usava a palavra, roubo, saque, corrupção, mesmo que tudo isso estivesse chapado no caso BPN... quem diz o BPN diz outros casos. Agora as coisas já estão a mudar.
      No entanto como eu não possuo um regimento de advogados a proteger-me dos politicos que denuncio, tenho que me limitar a publicar o que já foi escrito, mas com uma exposição muito pessoal. Mas obrigada, mais uma vez, pelo seu apoio e elogios.

      O caso BPN que publiquei em 2011 mas que foi sofrendo actualizações e publicava-o de novo com nova data.
      Não sei se já conhece.
      http://apodrecetuga.blogspot.com/2011/10/sln-o-buraco-negro-que-tudo-absorve-em.html

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    2. Mas isto, é inacreditável. A Islândia recusou-se a pagar os prejuízos dos bancos. E assim, a Islândia saiu da bancarrota e já começa a crescer. Em Portugal temos o caso do BPN agora o Banif e pouco ou nada se sabe acerca do BPP, mas o mais certo o estado deve ter injectado alguns milhões de mão beijada. Mas isto é criminoso quando os bancos dão milhões de lucro é para os administradores e seus donos, quando a coisa corre mal, o palerma do estado toca a injectar dinheiro realmente isto é um ciclo vicioso. Assim é fácil gerir um banco. E depois temos alguns palermas que estão à frente dos bancos só dizem asneiras como aquele do bpi , antes mais valia estar calado. Mas como os bancos podem funcionar bem, quando a entidade que os regule o banco de portugal estava à frente daquele organismo o vitinho Constâncio. Fez um mau trabalho acerca do Bpn e é promovido pelo bce para ser das pessoas mais influentes. Realmente não lembra o diabo.

      Fernando

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    3. # - O estado deu garantias a quem investisse num fundo para salvar o BPP, e agora vamos ter que as pagar, e custarão entre 142 milhões e 248 milhões aos cofres do estado! De mestre!?
      # - Uma dessas empresas, que investiu no BPP, era uma empresa pública de tratamento de lixo, investiu mais de 15 milhões. A IGF estranha que uma empresa pública arrisque dinheiro neste tipo de negócios de risco.
      #- O estado para além de dar a garantia aos clientes (250 mil euros por cada cliente) também deu uma garantia aos credores, aqueles que emprestaram dinheiro ao BPP... no valor de 450 milhões. Como o BPP não pagou, o estado teve que pagar.

      É neste o regabofe que gerem os nossos impostos... tudo isto foi realizado no governo de Sócrates, mas como são todos amigos, Passos Coelho fez questão de prosseguir o saque aos portugueses!


      ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2013/01/mais-um-banco-protegido-pelo-estado-e.html#ixzz2HOCu1w9x

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  2. "Antigamente, os cartazes nas ruas, com rostos de criminosos, ofereciam recompensas; hoje em dia, pedem que votem neles"

    Autor desconhecido.

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  3. De facto o aumento da dívida pública, de 60 para 120% durante os governos do José Sócrates Pinto de Sousa(o nome todo é importante para se perceber as relações familiares desse cavalheiro...), designadamente do seu pai, amigo íntimo de António Campos, pai do Paulo Campos - o secretário de estado dos negócios das PPPs - mas que agora recorre à ajuda do papá para educar os filhos...(incrível o desplante, não é?) e, também amigo não menos íntimo, do industrial têxtil Pássaro, da Covilhã, pai sa sua ministra do ambiente, Dulce Pássaro.

    Este trio, os pais Campos, Pinto de Sousa e Pássaro fomentaram a sua amizade quando contemporâneos em Oliveira do Hospital.

    Esta apenas uma abordagem, que escapa ao cidadão comum, mas que trás à tona de água a famosa "competência" pela qual são escolhidos ministros e secretários de estado: amigos, compadres e afins - compadrio na sua forma mais intensa e descarada mas, permitida por lei, sob a capa da "competência" e confiança (no caso, absoluta) dum primeiro-ministro.

    Mas, voltando ao aumento colossal da dívida pública - cuja limitação constitucional a 60%, Sócrates Pinto de Sousa não queria ver na Constituição, ela tem especialmente a ver com as PPPs, BPN, BPP e afins.
    Também é interessante ver que o secretário de estado que assinou a maioria das PPP (estradas e comunicações) foi Paulo Campos, o pobre.

    Percebem? A "festa" da dívida continuou com Sócrates Pinto de Sousa a dirigir a orquestra e Paulo Campos, o pobre, a tocar o tambor...


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    1. "Paulo Campos distribui tachos e dinheiro público.
      E mais uma vez vem à tona o nome de Paulo Campos envolvido em mais um caso que evidência a falta de respeito que exibe pelos portugueses e a sua Pátria."
      ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2011/10/paulo-campos-distribui-tachos-e.html#ixzz2HOlniW7k

      Sócrates e Paulo Campos pisam a lei e os portugueses. Juiz demite-se.
      Uma carta anónima encontrada pela comissão parlamentar de Inquérito (CPI) às Parcerias Público-Privadas tendo uma declaração de voto de um juiz conselheiro do Tribunal de Contas (TC) revelou que:

      O governo de José Sócrates, escondeu do tribunal, em 2010, cinco contratos de PPP rodoviárias no valor de 10 mil milhões de euros.
      ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2012/05/socrates-e-paulo-campos-pisam-lei-e-os.html#ixzz2HOm8XYaE

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  4. A solução seria emigrarem mais dois ou três milhões e daqui a alguns anos fazerem austeridade aos LADROES dos nossos governantes. À custa do sacrifício do POVO enriquecem estes senhores.

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  5. BASTAVA O POVO SABER COMO SE VOTA CONTRA OS PARTIDOS CORRUPTOS E PORTUGAL SERIA LIMPO DA CORRUPÇÃO. VOTEM EM PARTIDOS SEM ASSENTO PARLAMENTAR SÓ ISSO TEM VALOR E PUNE OS PARTIDOS CORRUPTOS. Nos paises menos corruptos do mundo a democracia funciona porque as pessoas sabem votar e usam o voto, 90% votam... aqui só temos eleitores ignorantes por isso quem não funciona são os eleitores e não a democracia.
    A abstenção afinal obtém um resultado contrário, ao que pretendem os abstencionistas
    Por isso, o que me chateia na vossa abstenção é a falta de colaboração num trabalho importante. Não é uma questão de direitos ou deveres cívicos em abstracto. O problema é concreto. Temos uma tarefa difícil, da qual depende o nosso futuro, e vocês ficam encostados sem fazer nada.
    Isto tem consequências graves para a democracia. Quando a maioria não quer saber das propostas dos partidos, está-se nas tintas para o desempenho dos candidatos e nem se importa se cumprem os programas ou não, o melhor que os partidos podem fazer para conquistar votos é dar espectáculo. Insultarem-se para aparecerem mais tempo na televisão mentirem para agradar. Vocês dizem que se abstêm porque a política é uma palhaçada mas a política é uma palhaçada porque vocês não votam. Vocês não exercem o vosso dever de votar contra quem faz mal ao país. O vosso de dever e direito de punir os que lesam o país nas urnas.
    A culpa é vossa porque não é preciso muita gente votar em palhaços para os palhaços ganharem. Basta que a maioria não vote.. Basta abanar o pano da cor certa e, se mais ninguém vota, eles ficam na maioria. Mas se vocês colaborassem e se dessem ao trabalho de avaliar as propostas, julgar e punir os partidos que há 40 anos destroem o teu país, se os responsabilizassem pelas promessas que fazem e votassem contra os que mentiram, deixava de haver palhaços, interesseiros e imbecis na política.
    MAIS ARTIGOS SOBRE CIDADANIA E EDUCAÇÃO CIVICA, NESTE LINK, APRENDA A VIVER EM DEMOCRACIA SE QUER QUE ELA FUNCIONE::.. INFORME-SE VEJA ESTE LINK

    http://apodrecetuga.blogspot.pt/2015/10/percebam-que-abstencao-afinal-obtem-um.html#.WM_ogfmLTIU

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