De repente o país ficou histérico com o que se passa no SNS e com o caos nos hospitais, como se todos os portugueses tivessem aterrado agora em Portugal, recém chegados de Marte, e desconhecessem todo o passado do país. Nunca tinham percebido que o caos no SNS é uma realidade antiga e que se agrava de ano para ano. Não se lembram de nada...
E o agravamento do caos vai continuar, porque os portugueses teimam em não saber avaliar os governos, nem os políticos nem a saber julga-los politicamente, nas urnas. A memória é curta e a literacia politica, é fraca.
Para os portugueses, qualquer coisa serve para fazer da discussão cívica sobre politica, um circo, um disparar de insultos ocos, um achincalhar público e histérico. Não existe a preocupação de pesquisar, indagar ou questionar a veracidade do que se comenta e se alguém tenta remar contra a onda de insultos ou chamar à razão para factos, rapidamente passa a ser também alvo de insultos.
E enquanto os eleitores continuarem a fazer da politica um circo, continuaremos a ser governados por palhaços.
Enquanto os portugueses continuarem a não saber condenar os maus e a reconhecer e premiar os bons nas urnas, continuará a compensar o crime na politica e claro, continuaremos a ter criminosos na politica.
Enquanto os portugueses não se preocuparem em saber o que está por trás de cada frase descontextualizada e fizerem chacota de todos os políticos indiferenciadamente, em vez de se darem ao trabalho de fazer análises criticas, fundamentadas e justas, continuaremos a ter na politica, apenas os piores, porque pessoas de respeito com valor e competência, não se sujeitarão a julgamentos públicos de gente injusta e inculta.
Enquanto o insulto for a única arma que os portugueses sabem usar, para comentar e julgar actos dos políticos, continuaremos a ter políticos de muito pouca qualidade.
Tudo na vida é um processo de causa efeito... quem começou este ciclo de causa efeito, que parece inquebrável?
Foram os eleitores que começaram a mostrar que eram pouco exigentes, pouco justos, pouco lúcidos, e fáceis de enganar? Ou foram os políticos que começaram a aproveitar-se da ingenuidade, da falta de lucidez, da falta de justiça e da ausência de exigência dos eleitores?
O importante é perceber quem tem que começar a mudar... e isso é óbvio, nós somos certamente os mais interessados nessa mudança, porque eles, os políticos, apesar de insultados e humilhados por uns pobres coitados, continuam a viver à grande e à francesa, impunemente e a lesar os cidadãos...
Já os cidadãos, não ganham nada com esta situação portanto temos que ser nós, como eleitores e bons portugueses, a dar o primeiro passo para a mudança. Saber falar de politica, analisar a politica e os políticos, interessar-se, querer saber o que está por trás das famosas "bombas" jornalísticas, avaliar com espírito critico os dados, é uma urgência.
Neste artigo não se pretende discutir quem tratou melhor o SNS, se o Sócrates se o Coelho, porque se a discussão fosse essa, teria sido outra a pesquisa.
O que se pretende provar com este artigo é que a análise dos portugueses é quase sempre demasiado superficial e injusta. Porque como podem constar, já no tempo do Sócrates, existiam muitos problemas no SNS, em tudo semelhantes aos que agora tanto escandalizam os portugueses, como se nunca tivessem visto nada assim. E 2010, 2009, 2008, não foi assim há tanto tempo. Por isso reparem como os portugueses analisam a politica... este exemplo do SNS é flagrante e gritante. Esqueceram?
"O esquecimento é o adubo que nutre a impunidade."
(Wesley E. Hayas)
E fazem o mesmo com o caos na educação, na construção pública, no nepotismo, e no despesismo... esquecem tudo?
@ - 29.09.2010 - MORRE APÓS 13 HORAS NO S. JOSÉ.
José Gonçalves, de 43 anos, entrou às 20h21 do dia 25 de Agosto no Hospital de São José, em Lisboa, acabando por falecer às 10h30 do dia seguinte vítima de lesões traumáticas abdominais, resultado de um acidente de viação. A família acusa o hospital de não ter sido célere na detecção do real problema de José Gonçalves. "Estiveram das 20h30 até às 04h00 para perceber que o meu irmão tinha uma hemorragia interna. Como é possível?", questiona António Gonçalves, recordando que "às 22h30 o médico foi alertado para um hematoma no lado direito do abdómen". O Hospital de São José reconhece ter existido uma "degradação do estado clínico" e que, por isso, "foi submetido a intervenção cirúrgica" onde foram visíveis "lesões abdominais de extrema gravidade, tendo o doente falecido após
tentativa de as controlar".
@ - 13/10/2010 - Espera na urgência de Braga chegou às 12 horas
A urgência do Hospital de Braga esteve entupida na noite de segunda-feira. A impaciência apoderou-se de quem esperava por ser atendido e não conseguia. Registaram-se esperas de mais de doze horas. ...enquanto a sua filha esperava para ser atendida há seis horas, por causa
de uma dor de cabeça.
@ - Junho de 2009
Bebé morre na fila das urgências
Pais acusam Centro de Saúde de Monção de ter perdido tempo. Um bebé de dias morreu na fila das urgências do hospital de Viana do Castelo. Os pais de Simão acusam o Centro de Saúde de Monção de ter perdido tempo,
noticia o «Correio da Manhã».
@ - 29-12-2011
Hospital de S. João da Madeira.
Doente morre à espera de ser atendido
Um homem morreu, segunda-feira, dia 26, enquanto aguardava por uma consulta no Hospital de S. João da Madeira. A unidade de saúde chamou o INEM, mas este não chegou a tempo. Só o resultado da autópsia, realizada anteontem, poderá revelar
as causas da morte.