27 setembro, 2015

O perigo da abstenção eleitoral é a impunidade dos partidos e uma democracia doente.

voto branco eleições pdr O perigo da abstenção eleitoral
 Em 1976 a abstenção, foi de 35%, agora foi de 47%.
O que sucede quando a abstenção atinge estes patamares?
Haverá, sem dúvida, a consequente perda de qualidade democrática. Uma perda imputada à falta de competência dos governantes e que tenta justificar a negação do pilar cívico da democracia: o voto.
Trata-se de uma ampla perda, porque os políticos, menos pressionados pela exigência cidadã, entram
voto branco eleições gráfico
evolução da abstenção desde 1976
num processo governativo autocrático,
e porque os cidadãos, verdadeiros soberanos da democracia, já auto-desresponsabilizados, fragmentam-se em preocupações individuais e grupais, considerando todas as instâncias do Estado etéreas e até hostis.
É um processo perigoso para a democracia, uma vez que tende a evoluir em crescendo, assumindo a forma de uma espiral desvinculativa.
Não interessa depois estabelecer se é a fraca capacidade da governança que afasta os cidadãos ou se é o desinteresse dos cidadãos que fomenta a má prestação política.
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O que se sabe é que o cidadão tem o papel fundamental na realização da higiene mínima democrática, quer porque opina soberano no ato eleitoral, seja porque permanece vigilante durante o mandato.
Se os representantes autocentrados ampliam a desvinculação da generalidade das pessoas, também é certo acontecer o contrário, isto é, a omissão cívica conduzir a uma soberba política, por ausência de contrapoderes que lhe inibam as ações desviantes.
O termo desvinculação traduz eficazmente esta ideia. O vínculo é a capacidade psicológica e emocional de nutrirmos simpatia por outrem, para que sintamos alguma responsabilidade pelo que lhe acontece.
voto branco eleições democracia 2015O vínculo cria-se entre pais e filhos, amigos, colegas, profissionais e clientes, vizinhos, enfim, entre seres humanos. Quando se esboroa esse laço destrói-se também os travões emocionais que evitam a indiferença absoluta, a instrumentalização do outro, a desconfiança ou a violência.
(...)
Aquele abstém-se porque ignora ou odeia o político, considerando-o corrupto, incompetente, snobe; e, inversamente, o governante despreza-o, tomando-o por básico, emocional, ilógico, insignificante.
voto branco inútil voto válido hondtÉ o primeiro passo da desvinculação: a indiferença e, logo imediatamente, o desprezo.
Numa segunda fase, o político entrega-se ao aparelhismo partidário e denota falta de qualidades reais de liderança, contentando-se, por um lado, em vender slogans e ter uma imagem mediática aprazível e, por outro, em jogar nos bastidores com seu pessoal-de-mão dentro do aparelho partidário.

O cidadão ora embevece pelo lado promocional do produto, ora abespinha-se com a "banha da cobra".
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Globalmente, a política deixa de estar no seu horizonte vivencial e a abstenção sobe ainda mais.
A governação, exercida deste modo, sofrerá da erosão mediática típica de qualquer outro produto comercial.
O povo cansa-se da novela e anseia por tecnocratas, esquecendo-se que a complexidade humana exige sempre opções do foro social e cultural.
A ilusão tecnocrática, vendida pelos grandes totalitarismos do século XX, aparenta cientificidade e independência, mas manifesta também preconceitos e ideais aplicados indiscriminadamente à
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sociedade.
As falhas verificadas serão sempre da responsabilidade da "realidade", desobediente à razão cega da ciência.
Infelizmente, na democracia, a "realidade" é as pessoas.
Caminhamos para o fim: a espiral desvinculativa vai assumindo dimensões cada vez maiores. Instala-se uma espécie de tirania democrática, onde os eleitos agem como vencedores omnipotentes, rejeitando todo e qualquer compromisso. 
A verdade absoluta está do seu lado e, como tal, desprezam a população e até mesmo as instituições democráticas que inibem o exercício do poder.

A espiral desvinculativa está na fase terminal. Sem arrepiar caminho na direção da
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democraticidade, o regime de ditadura assomará à porta, ora descaradamente ora disfarçada, naquilo que podemos entender como uma formalidade sem substância.
À insipiente expressão da vontade do povo soberano corresponderá a ocupação desse nicho vazio pelos mais fortes, numa espécie de darwinismo social que resultará na diminuição da liberdade, da igualdade e da fraternidade entre as pessoas. DN 

Colecção de vídeos de cidadania; a abstenção não permite uma democracia saudável. O voto é a cura para os males da democracia e para o abuso dos partidos.

 General desafia civis a cumprir o dever de votar, proteger o país da corrupção(Loureiro dos Santos)
 

5 comentários :

  1. Já imaginou? O perigo que seria, para os corruptos, se os milhões de eleitores que não usam o voto para nada, votam branco nulo ou se abstem, um dia se dirigissem ás urnas e votassem contra os que odeiam, os que criticam e os que querem derrubar? Já imaginaram? Claro que é isso que eles mais temem. Que um dia sejam escorraçados do poder, que há 40 anos dominam. Que um dia, os que não sabem usar o voto, descubram como o usar.
    Por isso estes politicos, camuflados, investem em campanhas de apelos à abstenção. Estás indignado? Não gostas de nós? Não gostas do sistema que nós gostamos? Não gostas de ver os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres? Não votes, vai para a praia...
    Deixem que o nosso sistema se mantenha com 2 milhões de votos, (imagem em cima) e basta, porque não há adversários, só votos a favor. Não queremos adversários a votar.
    Agora pense bem no que tem andado a fazer... está na hora de mudar, não?

    ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2015/03/mais-de-1-milhao-de-abstencionistas.html#ixzz3mvsZSxub

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    1. Infelizmente, também os que se abstêm de votar, contam. 117 dos 230 deputados, segundo o método de Hondt, são eleitos pelos "abstencionistas", na lógica da distribuição - OBRIGATÓRIA - de todos os que estão registados (mesmo aqueles que já faleceram) nos cadernos eleitorais.

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  2. Sempre votei não nos partidos do arco governamental mas naqueles que pense serem mais
    honestos e não corruptos nos que estão no poder nunca votaria,por vezes medito como podem as pessoas que foram enganados voltam a votar nos mesmos, não concebe que tal
    aconteça.

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  3. Mais um excelente artigo que, infelizmente, a maioria dos portugueses vai ignorar. As sondagens sugerem que a abstenção vai voltar a subir nestas eleições.

    O povo português não compreende que, mesmo que a abstenção chegue aos 90%, o efeito prático será sempre o mesmo: nenhum!

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    1. E assim foi, a abstenção aumenta e o poder dos corruptos também

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