26 agosto, 2014

Indecoro do BES foi o destapar do fétido tacho da pouca-vergonha.


VIDEO: Limpeza no BES. Salgado "limpa" mais 1,5 mil milhões, 10 dias antes de sair do BES! 




Hoje decidi partilhar dois artigos muito interessantes. Não deixe de ler e reflectir, porque estas palavras são o reflexo da indignação que começa a tomar conta de todos nós. O descaramento dos saques torna-se cada vez mais evidente e ofensivo. 
O país está a acordar, e no dia em que acordar, os corruptos deixarão de conseguir dormir. 

- A hidra
            por BAPTISTA-BASTOS
"Um espectro percorre Portugal: é o espectro da pobreza, da miséria moral, da fraude, da mentira, do embuste, da indecência, da ladroagem, da velhacaria.
Este indecoro do BES foi o destapar do fétido tacho da pouca-vergonha. Os valores mais rudimentares das relações humanas pulverizaram-se.
Já antes haviam sido atingidos por decepções constantes daqueles que ainda acreditavam na integridade de quem dirige, decide, organiza. Agora, o surto alcançou a fase mais sórdida. Creio que, depois de se conhecer toda a extensão desta burla, algo terá de acontecer.
Com outra gente, com outros padrões, não com estes que se substituem, num jogo de paciências cujo resultado é sempre o mesmo. Mas esta afirmação pertence aos domínios da fé, não aos territórios das certezas.
O Dr. Carlos Costa revelou ter avisado a família Espírito Santo de que ia ser removida.
Na TVI, Marques Mendes, vinte e quatro horas antes, anunciara o cambalacho.
Já destituído, Ricardo Salgado e os seus estabeleceram três negócios ruinosos para o banco, abrindo o buraco da vigarice para quase cinco mil milhões de euros. Quem são os outros cúmplices, e quais as razões explicativas de não estarem na cadeia?
Enquanto o País mergulha num atoleiro, o Dr. Passos nada o crawl, com esfuziante aprazimento, nas doces águas algarvias.

Há dias, afirmou que os contribuintes não serão onerados com as aldrabices dos outros. Mas já foi criado um chamado Fundo de Resolução, com dinheiro procedente, de viés, do nosso próprio dinheiro, embuçado na prestação de um grupo de bancos.
Quanto ao extraordinário Dr. Cavaco, o reconhecimento generalizado da sua inutilidade como medianeiro de conflitos, e conivente com o que de mais detestável existe na sociedade portuguesa, converteu-se num lugar-comum.
Foi o "sistema" que criou esta ordem de valores espúrios. 
Este poder dissolvente fez nascer, por todo o lado, a ideia do facilitismo, oposta às regras da convivência que estruturaram os princípios da nossa civilização, dando-lhe um sentido humano. Tudo é permitido, e esta noção brutal, inculcada por "ideólogos" estipendiados ou fanatizados concebeu as suas próprias regras.
A impunidade nasce do "sistema", e Salgado é o resultado, não a causa, o resultado de um aproveitamento imoral estimulado pelas fórmulas dessa ordem de valores. Surpreendemo-nos com
o comportamento de quem assim foi educado, porém temos de estudar e de analisar aquilo que os explica.
O "sistema", em cuja origem está a raiz do mal, não carece de "regulação", exactamente porque a "regulação" nada resolve e apenas prolonga a crise sobre a crise.
O capitalismo sabe e consegue simular a sua própria regeneração. Mas é uma hidra que se apoia em referências na aparência inexpugnáveis, realmente falaciosas.
Enfim: o nosso dinheiro está à guarda de ladrões." 

- Deviam estar todos presos
Por Nicolau Santos, 2014
Até agora considerava-se que, entre todos os bancos portugueses que tiveram problemas, só o BPN era verdadeiramente um caso de polícia. Mas à medida que se conhecem mais pormenores sobre o que se passou nos últimos meses no BES cada vez temos mais a certeza que estamos perante um segundo caso de polícia.
Daí a pergunta: porque é que não estão todos presos?
Se não, vejamos. Depois de ter sido proibido pelo Banco de Portugal de continuar a conceder novos créditos ao Grupo Espírito Santo a partir de Janeiro deste ano, o BES continuou a fazê-lo - e, segundo as indicações, fê-lo no montante de 1,2 mil milhões de euros.
E das duas uma: ou fê-lo com conhecimento de toda a administração, que sabia da proibição do Banco de Portugal; ou fê-lo por decisão de apenas duas pessoas - Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires. No primeiro caso, todos deviam estar já presos; no segundo, os dois deviam estar detidos.
Para além de desobedecerem ao banco central, lesaram gravemente o património do banco, sabendo conscientemente que o estavam a fazer.
Quanto aos outros membros do conselho de administração, se não foram coniventes, foram pelo menos incompetentes. Tinham responsabilidades em várias áreas de controlo da actividade do banco e ou não deram por nada ou, se deram, não fizeram nada. Por isso, fez muito bem o Banco de Portugal em afastar Joaquim Goes, António Souto e Rui Silveira.

Mas e a Tranquilidade?
A Tranquilidade que também continuou a investir em empresas do GES este ano sabendo do estado em que se encontravam?
O presidente executivo Pedro Brito e Cunha, que é primo de Ricardo Salgado, tomou essas decisões com base em quê?
Na relação familiar, como é óbvio. Devia estar detido igualmente.
Lesou gravemente e de forma consciente o património da seguradora.
E Rui Leão Martinho, o presidente não executivo da Tranquilidade e ex-presidente do Instituto de Seguros de Portugal, não sabia de nada?
De novo, das duas uma: ou é incompetente ou foi conivente. Em qualquer caso, já se devia ter demitido ou ter sido demitido. Mas a verdade é que o Instituto de Seguros de Portugal parece estar perdido em combate. O presidente José Almaça não tem nada para dizer? Não tem nada para fazer?
Já agora, António Souto, que o BdP suspendeu da administração do BES é membro do conselho de administração da Tranquilidade. Vai continuar neste cargo? E Rui Silveira, igualmente afastado da administração do BES, é do conselho fiscal da Tranquilidade. Também se vai manter na seguradora?
Por tudo isto se vê o polvo em que se tornou o GES, tendo no seu centro o BES. Nem todos têm as mesmas responsabilidades. Mas há vários dos seus dirigentes que já deviam estar detidos e sem direito a caução pelos danos que estão a causar a muitos dos que neles confiaram e ao próprio país.

Não deixa de ser curioso... para além da PT que se arruinou para ajudar o BES, também temos esta noticia estranha. "A Goldman Sachs emprestou 635 milhões de euros ao Banco Espírito Santo em julho, um mês antes do BES ter sido dividido em dois pelo Banco de Portugal, mas já numa altura em que não conseguia obter crédito nos mercados financeiros."

BES intermediário dos milhões que vinham da UE. Para onde foram?
 


7 comentários :

  1. Apenas deixo uma questão extra no ar, o BdP não devia saber que o BES estava a emprestar dinheiro contra as suas indicações? Devia estar a chegar ao "rebentar da bolha" ainda a pensar que estava tudo bem? E como se mantém o BdP com a sua estrutura intacta depois de ter falhado a toda a linha?

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    1. Isso para muitos de nós não é uma questão, é fácil perceber que existe conivência nos crimes da banca
      https://www.youtube.com/watch?v=VOWGROErzrE&list=PLPAKyd_5x-2sCMbAhr-CTUr63X5q6gwcn&index=3

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    2. Como se mantém o BdP? Simples, estes favores à banca são premiados, basta ver o prémio do Victor Constancio.
      https://www.youtube.com/watch?v=Dcusd4O-vyc&list=PLPAKyd_5x-2sCMbAhr-CTUr63X5q6gwcn&index=1

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    3. Victor Constancio chegou mesmo a alegar ingenuidade
      https://www.youtube.com/watch?v=pElZ3evHK3w&list=PLPAKyd_5x-2sCMbAhr-CTUr63X5q6gwcn&index=4

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  2. Olá Zita, achei um vídeo no youtube que pode achar interessante, é sobre democracia directa:
    https://www.youtube.com/watch?v=giY_PY7WhAo&index=10&list=PLN6VtW5TKj5KEW6GkDHYg3lCXvSgIzJUz

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  3. -» Votar em políticos não é (não pode ser) passar um cheque em branco... isto é, ou seja, os políticos e os lobbys pró-despesa/endividamento poderão discutir à vontade a utilização de dinheiros públicos... só que depois... a 'coisa' terá que passar pelo crivo de quem paga (vulgo contribuinte).
    ---> Leia-se: deve existir o DIREITO AO VETO de quem paga!!!
    [ver blog 'fim-da-cidadania-infantil'].
    .
    .
    .
    P.S.
    DEMOCRACIA SEMI-DIRECTA:
    - possibilita a existência de um processo ágil de tomada de decisões... e... permite que o contribuinte não passe um 'cheque em branco' aos políticos.
    Nota: Vantagens da Democracia Semi-Directa 'Fim-da-Cidadania-Infantil' em relação à Democracia Directa:
    1- em caso de necessidade (depois haverá uma análise dos fundamentos) o Executivo Governamental poderá tomar decisões rápidas;
    2- o contribuinte não será atafulhado com casos de 'custo-bagatela'.

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  4. Pelo Meu Relógio São Horas de Matar...
    https://www.youtube.com/watch?v=hkUFGGdjVgw

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