01 dezembro, 2013

Passos Coelho, como qualquer canídeo, sabe que deve respeito e temor aos seus donos.





"No fundo, as perspectivas são tão más, a insegurança tão deprimente, a revolta tão incontida e o cansaço tão desgastante, que todos nós sentimos que estamos metidos numa centrifugadora de ideias e de projectos políticos, em que alguém se esqueceu de adicionar o detergente e, mais ainda, o amaciador conveniente e assim de cada vez que a máquina chega ao fim do ciclo, a sujidade continua e nós estamos todos amarfanhados e mal tratados nas nossas vidas, nos nossos sonhos e mesmo na nossa sobrevivência.

Ouvir os responsáveis do governo, aquela figura já traumatizante e intolerável, que é o Primeiro Ministro, a anunciar, como um acto digno de gáudio e orgulho, que os cortes às pensões do sector público virão já aí, ao dobrar do ano, faz-nos reflectir sobre que tipo de homem é este.
Que tipo de português, mesmo de político é este, que de tal forma se regozija com aquilo que vai dificultar ainda mais a vida a milhares de seus concidadãos, daqueles que trabalharam toda uma vida e guardaram para a velhice a possibilidade de viverem os últimos anos da sua vida, duma forma, no mínimo serena e digna. Depreende-se do seu discurso, que ele acha que está a fazer justiça, arrogando-se o direito de considerar que estes cidadãos vivem uma situação de vantagem perante o sector privado, e mesmo que muitos deles, só porque oriundos da administração pública, foram maus trabalhadores, ociosos e oportunistas.
É pois imperioso pô-los no seu lugar e recuperar os benefícios que andaram a desbaratar, em proveito dos lesados do sector privado, que subsistem com pensões mais baixas e piores condições de vida.
Passos Coelho, na sua ingénua, quanto capciosa narrativa, pensa assim ludibriar meio mundo e o outro, julgando-se, ele próprio, sujeito provido duma especial e inegável clarividência, capaz de levar os portugueses a considerá-lo um homem preocupado com o nivelamento da justiça, não recuando perante nada nem ninguém, quando se trata de desferir a sua espada salomónica, preferencialmente sobre os mais desprotegidos.

Mas quanto à tal linha que separa o sector público do privado, quanto aos seus regimes de pensões, não nos deixemos enganar. Tão depressa quanto essa tal linha for nivelada, segundo intenções do governo, para que a “justiça” seja feita, nem vale a pena esperarem sentados, porque quando menos esperarem, o tal sentido de “justiça, logo há-de encontrar maneira de justificar novos cortes para os dois modelos, porque, assim como os vampiros se revitalizam e sobrevivem de sangue humano, este poder alimenta-se, a si e aos seus “patrões, de cortes e mais cortes até à derrocada final.
Não lhe chamam pobreza, mas consideram-no como a inevitável redução do custo do trabalho, para que o inegável fosso entre ricos e pobres se consolide e não deixe dúvidas sobre quem tem a faca e o queijo na mão.
Este homem, político de formação, que não de vocação, já que em vez de se formar e preparar para a vida e dela retirar a experiência e ponderação necessárias, andou anos e anos a rondar subliminarmente os corredores de certo poder, a insinuar-se e a tomar nota no seu caderninho cerebral sobre as melhores maneiras de utilizar os pequenos e grandes poderes para atingir os objectivos em que acreditava, na esfera dos seus modelos de economia e governação, uma vez que não chegou sequer ao estádio de saber o que é que queria dizer ideologia, acabou por chegar à posição que actualmente tem, na puberdade da sua formação política, achando que a política se pode tratar como uma arma de arremesso, qual fisga das ideias que atabalhoadamente circulam pela sua cabeça, ignorando que o exercício da política envolve um alto sentido de responsabilidade, um elevado sentido do bem servir e de respeito por todos aqueles que de si dependem, uma indispensável entrega e transparência em todos os seus actos e um ponderado sentido da autoridade e do poder.

Este homem, que todos deveríamos respeitar como responsável pelo governo da nação, tornou-se contrariamente numa personagem odiada e odiável, falsa, mentirosa, tenebrosa, insensível e desumana, que inspira a desconfiança e o temor, por parte daqueles que apenas dependem de um gesto ou ideia sua. Este homem não tem sequer capacidade, talvez, para imaginar o mal que pode fazer, tem feito e faz a milhares de portugueses, só porque ele acha que a verdade está toda do seu lado.
Este homem prometeu uma coisa e pratica outra. É preciso não ter pruridos em denunciar que este homem mentiu. Mentiu e continua a usar o seu descaramento para tentar ludibriar tudo e todos. Promete, proclama e a única coisa que cumpre são os cortes, porque esses são fáceis de concretizar com o poder que agilmente manobra. Já quanto aos resultados anunciados, prometidos e repetidos, nenhum deles se concretiza e todos os números se vão agudizando, piorando e afundando o país numa espiral que aponta para uma impossibilidade técnica de alguma vez pagarmos a nossa dívida. Continuaremos a aumentá-la com juros e más condições de vida, a pedir empréstimos, uns sobre os outros, e nunca deixaremos de ser devedores, mas seremos cada vez mais reféns dos nossos credores, que vivem pacificamente com isso, porque esse é o seu negócio.
Este homem é perigoso e recalcado, não sei bem porque motivo, mas é! Embora ele, sempre que pode e consegue, disfarce a sua fácies, não são poucas as vezes em que a sua expressão apareça carregada de inúmeros ódios e sinais punitivos, para justificar as medidas que anuncia ou as acusações que faz. É um verdadeiro algoz de todos aqueles que acha que são os culpados e que merecem ser condenados. Em vez de um orientador de esforços para a recuperação de um país, ele é mais um promotor público das culpas que ele vê em cada cidadão. Mas acontece que ele não assume esta posição para todos, porque tem uma noção perfeita sobre quem deve poupar a esta sede de vingança e punição.

Este, é também o homem, que como qualquer canídeo, sabe que deve respeito e mesmo também temor ao seu dono, àqueles de quem verdadeiramente depende e a quem presta uma fidelidade irracional. Este homem não conhece a lealdade, mas apenas a fidelidade, aquela que é devida a quem o sustenta e pode olhar pelo seu futuro.
Seria normal e desejável que pudéssemos respeitar quem nos governa e até quem
alcançou tal posição por via do voto livre e democrático. Seria perfeito que a democracia pudesse orgulhar-se de escolher só os mais dotados, os mais honestos, os melhores, mas infelizmente, se a democracia pode aspirar à perfeição, já o ser humano é muito mais permeável à imperfeição e à maldade, A ascensão deste homem ao poder, foi um verdadeiro erro de “casting”. É um actor e uma personagem execrável e é totalmente legítimo que os portugueses o rejeitem e se sintam traídos. Só nós, todos juntos, os portugueses de boa índole e com consciência cívica, temos o poder de pôr fim a esta calamidade!…
Por: Ernani Balsa

"Contribuintes pagam três vezes mais impostos do que as empresas, pois o IRS continua a ser o principal imposto sobre o rendimento, contribuindo em 2012 com quase 70% desta tributação, informou hoje o Barómetro das Crises." fonte



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